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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Como estou de castigo e meio dopada neste verão, sobram alguns horários em que consigo ler meus livros de férias. Assim, sigo num ritmo meio lento. Mas nesse janeirão já mastiguei três livros interessantes, que comentarei brevemente aqui.

1) Naquele dia, de Dennis Lehane (Companhia das Letras, 2010). Show! Como sempre, Lehane dá um banho de escrita, como escreve bem, o danado. Sou fã, em especial de Gone, baby, Gone e Paciente 67 (que deu origem ao roteiro de A ilha do medo, dirigido pelo Scorcese). Nesse calhamaço de quase 600 páginas, Lehane cruza a história de fascinantes personagens nos EUA na década de 1910. Aprende-se muito, mas muito, sobre a formação norte-americana neste romance. Em especial, sobre um acontecimento que eu até então desconhecia, que foi a greve da polícia de Boston em 1919 e suas consequências. Sinceramente, um romance à moda antiga, fascinante mesmo. Como estou acordando de madrugada (efeito medicamentoso chato), em vez de me preocupar com coisas chatas e ansiosas de minha própria vida, preferi me ocupar com a vida dos personagens do Lehane por várias madrugas. Valeu a pena! Adoro personagens interessantes. Mestre na escrita! (agradeço mt ao meu aluno querido Josué que me lembrou, na véspera do natal, do livro novo do Lehane, e à minha irmã amada Deb que foi no Plaza comprar o livro de presente pra mim!).

2) Todos os homens são mentirosos, de Alberto Manguel (Companhia das Letras, 2010). Também adoro o Manguel. Seu livro sobre a história da leitura é fascinante e amoroso. Mas fiquei meio assim assim com esse romance/documento jornalístico a la Rashomon. A cada capítulo, um ponto de vista acerca do personagem Alejandro Bevilacqua vai se formando, como um mosaico, em que mentira e verdade, ficção e realidade, jornalismo e romance, vão sendo colocados em jogo e em xeque. Como sempre, bem escrito. Historicamente, um excelente panorama sobre Buenos Aires em meados do século XX e a vida dos artistas exilados na Europa por ação das ditaduras militares. Mas achei desequilibrado o tom da narrativa. Os dois últimos depoimentos, principalmente, são estilísticos e chatos. Poderia ser genial, ficou meia bomba. Mas, valeu!

3) João do Rio. Vida, paixão e obra, de João Carlos Rodrigues (Civilização Bra
sileira, 2010). Olha, amo João do Rio. A alma encantadora das ruas e A vida vertiginosa são clássicos para entender o Rio de Janeiro e o Brasil, na minha opinião. Sua biografia demonstra, mais uma vez, sua personalidade complexa e fascinante. O texto é bom, o biografado figura interessantíssima. Mas tudo isso, vira e mexe, é meio que estragado pela necessidade de aparecer do autor da biografia, que coisa mais triste. Poderia comentar vários trechos, mas vou citar só um, na pag. 242, que aparece do nada:

"Esperando não ofender nenhum idiota da objetividade, como autor desta biografia me permito agora divagar um pouco, baseado em possibilidades reais." [na sequência, o autor imagina um encontro entre João do Rio e Proust em Paris, para depois concluir:] "Teriam os dois escritores, o mulato carioca e meio-judeu aristocrático, cruzado olhares curiosos e fugidios durante uma mera fração de segundo? E teriam identificado um no outro a marca indelével dos filhos de Sodoma, reconhecível de imediato por qualquer semelhante?".

Preciso dizer mais alguma coisa? ai, ai... a bem da verdade, era pra colocar os coments sb esse livro sob a rubrica "Muita vergonha alheia", mas me deu até preguiça.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Esse post é bem pequenino. Só pra avisar que limpei o meu arquivo de filmes, livros, shows etc. de 2010, começando a listar com os de 2011 (ou da viradinha 10 pra 11).

E que tb apaguei alguns blogs/sites sugeridos e acrescentei outros.

Começando de novo!
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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Acabei de ler o livro Só garotos (São Paulo, Companhia das Letras, 2010), misto de memórias e biografia parcial da artista norte-americana Patti Smith, englobando principalmente a parte de sua vida em que ela conheceu e conviveu com o tb artista dos EUA Robert Mapplethorpe.

Que livro lindo! Valeu, a meu ver, por cada centímetro o National Book Award que recebeu em 2010. Num ligo mt pra essa coisa de prêmio etc., mas eis um caso de meritocracia. O livro merece, é um desfile de esperança, sonhos, delicadezas, fases lindas e inocentes da vida, amizade, amor, abertura de visão de mundo... enfim, um belo livro.

Não conhecia nenhum dos dois, nem Robert nem Patti, e já me sinto íntima. Bom quando um livro traz pra nossa vida aquelas pessoas, suas histórias, seus pequenos segredos, suas epifanias... peguei o livro na livraria sem saber quem eram os personagens, nem de prêmio nem de nada, meio que influenciada pelo curso que pretendo dar com Marildão na pós em 2011 sb memória. Que maravilhosa surpresa!

Me emocionei em vários trechos, levitei em outros, sorri condescentende em alguns, adorei todos. Por motivo particular (a casa de meu tio amado, em que me hospedo qdo vou pra NY, fica exatamente em frente ao hotel Chelsea, onde se passa boa parte da história narrada), ainda me senti mais ligada àquela história. Mas gostei mesmo foi da parte humana, que dupla!

Num quero contar nada pra num cortar a viagem do leitor, mas vou cometer uma pequena heresia e contar o porquê do título, que sintetiza o espírito do livro e da fase da vida dos dois personagens a que ele se refere. Em uma passagem do livro, nos conta Patti, eles passeavam, em fins dos 60, pela Union Square, em NY, entre hippies, artistas, ativistas políticos, vestidos exoticamente e totalmente integrados naquele lugar, sonhando em serem parte definitiva dele, começando suas carreiras, ainda tateando sobre seus talentos, passando perrengue e enfrentando tudo em nome da liberdade e do sonho... Nisso, uma mulher, provavelmente turista, os vê e diz para o marido: "olha, dois artistas, fotografa eles" (algo assim, estou narrando de memória, portanto, pode não ser literal). E o marido responde: "ora, são só garotos". Nada mais sintético do espírito do livro: uma ode ao tempo da juventude e da delicadeza, só garotos e seu sonhos. Que lindo, que sensível! esse é o tom do livro, amei!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Série nova. Chega de só falar bem do que leio, vejo etc. aqui nesse blog.

Pois bem, cheia de vontade fui ler a biografia do Antonio Maria, "Um homem chamado Maria", escrito pelo Joaquim Ferreira dos Santos (cujo estilo meio engraçadinho de escrever já tinha me dado uns engasgos em crônicas e no livro "1958", mas nada muito grave).

Mas agora ele se superou. Prefiro só reproduzir alguns trechos abaixo, sobre o bairro de Copacabana nos anos 50, me abster dos coments e deixar esse deleite pra vcs:

"Costuma-se dizer que o bairro naquela época era uma imensa vila habitada exclusivamente pela classe média. Os paraíbas e os suburbanos, nossos visigodos étnicos, já estavam por lá. Mas eram poucos, serviam apenas, como se fosse num filme da Metro, para dar cor exótica, tropical. O Rio perigoso estava bem definido: Lapa, Mangue, praça Mauá. Em Copacabana, podia-se andar de bonde com os destituídos e estes não se achavam agredidos nem com direito a qualquer rapinagem". (p.65).

Pensa que acabou???

"A classe média e os ricos, como se vê, eram maioria, mandavam. Havia espaço para curtir civilizadamente a solidão. (...) Escolhia-se: amar, sofrer, esquecer, se divertir. Mas tudo em paz. Sérgio Dourado e o Julio Bogoricin ainda não tinham enchido aquilo de quitinetes baratas, trazendo atrás o barulho dos carros, a poluição e o séquito de miseráveis despejados da sorte. A imprensa, por sua vez, ainda não havia ensinado o brasileiro a sonhar com o dia em que, conseguida a ascensão social, moraria ali" (p.65)

Já tava de bom, num tava? Mas não, a pessoa sempre pode se superar. Vamos adiante:

"O clima era de que todos se conheciam, se reconheciam, como privilegiados, e assim caminhavam, juntos e felizes, para as sessões do cinema Rian. Na bilheteria, acreditem, ainda não havia aquela criancinha remelenta te olhando comprar o ingresso e suspirosa de uma migalha qualquer de troco."(p.66).

Óbvio que parei de ler o livro nesse momento. Como pode isso, gente? Muita, mas muita vergonha alheia.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:






Li tanta coisa boa nestas férias que não resisto de comentar aqui, já que no twt num teria como dar conta do que quero dizer nos míseros 140 caracteres.

Pra começar, li três livros que de alguma forma estavam ligados ao tema da família. Em dois, esta era pensada em retrospectiva, através de jogos de memória, sobre os quais quero falar adiante. No terceiro, a família era projetada prospectivamente, rumo a um futuro sem data mas não muito distante. Nos dois primeiros, guerras concretas - a primeira e a segunda guerras mundiais - aniquilivam os sonhos daquelas pessoas e interferiam diretamente no rumo não só daquelas famílias mas das sociedades nas quais estavam inseridas. No terceiro, algo mais poderoso do que uma guerra - a hecatombe total, o fim de tudo, cinzas, trevas e caos -, ainda que não nomeado, ameaçava de modo mais claro ainda pôr fim não só aos sonhos e à família protagonista, mas à humanidade como um todo.

Mas chega de lead surpresa (hehe, homenagem às minhas queridas Lu e Tati). Estou falando especificamente de três livros: 1) Léxico familiar, de Natalia Ginzburg (sim, é a mãe do Carlo, amado historiador e muito usado em meus cursos de cultura popular), publicado pela Cosac & Naif em 2009; Alfred e Emily, da prêmio Nobel Doris Lessing (Cia das Letras, 2009); e, por fim, A Estrada (já transformado em filme), de Cormac McCarthy (o mesmo de "Onde os fracos não têm vez", também filme premiado), editado pela Alfaguara em 2007.

Em Léxico familiar, Ginzburg aborda a vida de sua família no período que antecede a Segunda Guerra Mundial e durante a mesma. Trata-se de uma linda construção de memória da vida privada, privilegiando principalmente modos de falar, de comer, de ver o mundo, de pensar. Através daqueles personagens humaníssimos, Natalia Ginzburg não só descreve sua própria família, mas um pouco a nossa (claro que estou tomando como referência a família ocidental etc. etc. etc.). E o fim daqueles valores e visões de mundo, transtornados pela Guerra, é também o marco da passagem de um estilo de vida mais simples para a modernização e aceleração do pós-guerra. No excelente posfácio (aliás, que edição cuidadosa da Cosac & Naif, parabéns!), Ettore Finazzi-Agró lembra que quando o livro foi lançado na Itália, em 1963, muitos o compararam, em termos da utilização de um enfoque sobre a família para descrever as mudanças dos tempos e as transformações sociais, com O Leopardo, de Tomás de Lampedusa. Eu, que sou muuuito fã do livro da Lampedusa (magistralmente filmado por Visconti, perfeito pra entender a transformação do estilo de vida principesco para o burguês), concordo plenamente. Livro lindo, esse Léxico familiar, valeu muito tê-lo lido.

A memória também está no centro do livro da Lessing. Mas aí o jogo de recordar e recriar é ainda mais poderoso. A autora resolve, quase aos 90 anos, acertar as contas com as dores familiares, e escreve um livro de perdão, lindíssimo. Com a seguinte estrutura: na segunda parte, ela conta o que de fato aconteceu com seus pais a partir da primeira guerra, quando seu pai é ferido em combate e perde uma das pernas, e ambos vão criar os filhos em uma fazenda na Rodésia, no sul da África do Sul, onde sua mãe sofre com uma intensa depressão que a afasta fortemente dos filhos. Trata-se de uma vida dura, triste, atravessada pelo trauma da guerra, que aniquila os sonhos e projetos daqueles dois. Pois bem, na primeira parte do livro, em uma demonstração de generosidade e reconhecimento à dor dos dois, Doris Lessing resolve recriar, de forma livre, a história de seus pais caso não tivesse havido a primeira guerra. Não vou contar aqui para não estragar. Mas comparar as duas histórias é triste e comovente. Um show de escrita, vou te falar.

Por fim, A Estrada, do McCarthy. Olha, desolador. Também muito bem escrito, já com cara de roteiro pra cinema, mas você lê num folêgo só. Pai e filho vão atravessando uns Estados Unidos sem vida, lutando pra sobreviver, temendo qualquer ser humano, tentando não sucumbir à animalização, só tendo um ao outro como amparo. O jogo da memória é também elemento central, principalmente no que se refere aos esquecimentos e embaçamentos que ela sempre provoca. Devorei esses três livros, realmente um achado.

Li mais dois: as deliciosas impressões de viagem de Maiakóvski quando esteve no México e nos EUA nos anos 20 (que, não por acaso, escolhi ler em NY), Minha Descoberta da América (Martins, 2007). Novamente, em jogo a questão da memória. E nesse caso, claramente a dimensão projetiva da memória, afinal, trata-se da visão de um russo sobre a américa capitalista. Muito divertido de ler, inclusive. E em inglês (num tive jeito, já que meus livros acabaram logo lá), A little history of the world, um divertido e por vezes surreal livro, mas muito legal, de E. H. Gombrich (sim, aquele da história da arte). Olha, só a história do surgimento desse livro, contada no prefácio por sua neta, já vale lê-lo. Num vou contar pra num estragar. Mas é tudo legal.

E estou lendo, pra terminar as férias, por empréstimo de meu irmão Luiz, Os chineses, de Claudia Trevisan (ed. Contexto, 2009). Aliás, a Contexto está lançando vários desses, tipo "Os franceses", "Os russos" etc. Pode parecer bobagem, coisa superficial, mas este dos chineses é ótimo. Bem escrito, interessante, cheio de dados legais, com fatos históricos mas também pitorescos, tô aprendendo pra caramba

Rentoso esse período, né, não? Agora, com as aulas começando, é só pedreira. Mas em janeiro tem mais. Hehe, quem me conhece sabe que vou dar escapulidas no decorrer do semestre. ;) Mas essa porção gorda e deliciosa, só nas férias mesmo. Peninha!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Terminei de ler, como um raio, a belíssima homenagem de Paula Dip a Caio Fernando de Abreu, através do livro "Para sempre teu, Caio F. Cartas, conversas, memórias de Caio Fernando de Abreu" (Rio de Janeiro, Record, 2009). Comprei meio sem querer, por sugestão de Dessa, quando estava escolhendo livros pra levar na minha viagem pra NY. Acabei lendo antes de ir, depois de cair naquele velho truque de "vou dar só uma folheadinha pra ver qual é"...

Num me arrependo, é muito bonito o livro! Ela, muito amiga dele a vida toda, faz um relato de histórias, afetos, coisas raras, "pequenas epifanias", como chama o próprio Caio a essas jóias raras e efêmeras que a vida nos traz. Bem escrito e tocante, como um bom livro, ao menos pra mim, deve ser. :) Queria destacar um trecho, tirado de uma das inúmeras belas cartas escritas por Caio, citada por Paula Dip na p. 228:

"Deve ser o tempo, a proximidade dos 40 anos (que meeeeedo), as nossas células e neurônios fatigados, mas vai baixando uma humildade tão grande. Reduzi tanto meus sonhos, minhas fantasias, minhas esperanças. Ando espantado com o Tempo. O tempo é a única coisa terrível que existe. O tempo que passa e leva de arrasto, aparentemente aleatório, a juventude nossa e a dos outros. Não é amargo, é apenas real. Só hoje começo a compreender certa expressão de espanto inconsolável que muitas vezes percebi nos olhos de meu pai. Meus próprios olhos estão ganhando pouco a pouco uma expressão semelhante".


Minha história com Caio também tem lá seus momentinhos. Não lembro quando li seus escritos pela primeira vez, mas lembro que foi "Morangos mofados", que fiquei impressionadíssima, especialmente com o conto "Sargento Garcia", e que li o livro algumas vezes. Depois ganhei o "Triângulo das águas" com uma dedicatória inesquecível e num momento inesquecível de Tânia Neves, pra mim a Cachs. E lembro de ter ficado muito impactada com esse livro tb. Já tinha lido "Os Dragões..." e crônicas esparsas do Caio, e já estava irremediavelmente apaixonada por ele. Lembro-me que senti de forma forte a notícia de sua morte (como muitos, acompanhei suas crônicas em que ele falava sobre a doença), o que só se repetiu duas vezes com pessoas públicas pra mim (Renato Russo e Marcelo Mastroiani). E recentemente ganhei de presente,veja só, exatamente pelos meus 40 anos!, o livro "Pequenas epifanias" do Caio, com belíssima dedicatória de meu amigo Dênis de Moraes, um declarado apaixonado pelo autor.

Ter lido esses fragmentos de memória e amor acerca do Caio, neste momento, me fez muito bem. Coisa boa é ser humano de verdade, idiossincrático, sem dúvida, mas criando, gerando, fazendo história, e não destruindo, vampirizando, vuduzando a vida alheia. Obrigada, Caio, mais uma dívida com você.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

E as músicas que num me falavam nada, achava até chatinhas??? Ouço agora e elas fazem tanto sentido, dá vontade de pedir perdão pro compositor. :)

Pra começar, "Tesouro da juventude", de Tavinho Moura e Murilo Antunes, que ouvia na voz de Beto Guedes.

"A pedalar
camisa aberta no peito
Passeio macio
Levo na bicicleta
O meu tesouro da juventude
Passo roubando fruta de feira
Passo a puxar meu estilingue
Vai pedra certeira no poste
Passa um veterano
e já cansado
Herói de guerra
E grito: lá vem a bomba!
E meu tesouro me leva
pelas ruas de Santa Teresa
A pedalar
encontro amigo do peito
sentado na esquina
Pula, pega garupa
Segura o bonde ladeira acima
Ganha o meu tesouro da juventude
Ainda que a cidade anoiteça
Ou desapareça
Piso no pedal do sonho
E a vida ganha mais alegria
Ganha o meu tesouro da juventude
Que foi em Pedra Azul
E em toda parte
Onde tive o que sou"
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Estou inaugurando série nova, com o sugestivo título de "Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo", trecho de uma música que amo do Ira. O objetivo dessa série é revelar coisas que não faziam o menor sentido pra mim quando jovenzita, lá pelos 18, 20 anos, e que depois, meu Brasil!, fizeram muuuuito sentido, até demais. Pra começar:


CABELOS BRANCOS!!!




Nunca pensei que meus cachos de graúna um dia sofreriam desse mal. Ou q isso iria me incomodar. Mas, ó, vou falar: ODEIO!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
LOST acabou semana passada. Sei que muita gente já falou sobre isso, mas quero pitacar um pouco também (blog é pra isso, né mermo?). Afinal, foram longos seis anos acompanhando uma série genial, na minha concepção, da qual sentirei muita, mas muita saudade mesmo.

Primeiro quero falar da série em si. Nem preciso me referir aprofundadamente às quebras narrativas. Todo mundo já falou disso, e achei muuuuito genial, pioneiro, original etc. Amei o clima de mistério, a construção das personagens na ilha e fora dela, os sustos, as explicações, as teorias, as horas que passei navegando lendo e me informando sobre LOST, minha ansiedade esperando para baixar os episódios, sua capacidade transmidiática, o show de atuação de seu elenco (com as exceções etc., tipo fiasco Santoro) e, principalmente, as histórias de amor, amizade, superação, heroísmo, ambiguidades, maniqueísmos e quebras dos mesmos, enfim, eu amei o caráter humaníssimo da série. Me identifiquei, sofri, chorei, fiquei pasmada algumas vezes, num entendi nada tantas outras, fiquei em êxtase quando as tramas faziam sentido, achei alguns episódios perfeitos, enfim, mais uma vez tive que berrar, ai que delícia é a cultura de massa! :)

Sobre o final, quero falar especialmente. Muita gente odiou. AMEI, AMEI, AMEI. Cada um tem o direito a achar o que quiser, é claro. Mas tem gente que num gostou meio pq num entendeu a estrutura narrativa. Não, não estavam todos mortos na ilha. O último a morrer na ilha, pelo menos aos nossos olhos de espectadores, foi Jack (cena linda!). Outros escaparam. Não sabemos o que aconteceu com eles depois, não nos foi mostrado. A história da ilha de LOST e seus estranhos mistérios (em sua maioria, ao menos) foram fechados com a morte de Jack. Finito.

Mas os roteiristas resolveram nos dar um presente. E nos deixaram assistir, de forma paralela ao que estava se desenrolando na Ilha, o que aconteceria, de forma mística, numa vida pós-morte. A gente assistiu paralelamente, algumas coisas se cruzaram paralelamente (se não, num seria LOST, né?), mas mesmo conectada com a história da ilha, aquela que víamos como paralela era, na verdade, uma história posterior à morte de todos os personagens, mas que só poderia ser vivida e percebida por eles quando o herói da série cumprisse sua missão, se sacrificasse e finalmente percebesse que a fé superava a ciência. Quando isso acontecesse, aqueles sujeitos, que eram os perdidos no mundo antes de se perderem na ilha, teriam chance de encontrarem, se reconhecerem e viverem finalmente uma vida de amor e redenção (a porta estava aberta e o Pastor Cristão - Christian Shepard - estava mostrando o caminho). Antes disso, porém, enquanto esperavam o momento do reencontro, todos teriam tido a chance, ao menos os que estavam prontos (não é a isso que se refere Hurley quando fala que Ana Lucia ainda não poderia saber do que estava acontecendo?), de ter reescrito um pouco suas vidas, de forma a ajeitar algumas pendências da vida anterior. Quase uma limpeza de karma. :) Mais ainda, para além da metáfora da vida, uma forma de nos dizer, eles, roteiristas, que aqueles personagens não morreram também para nós, que suas histórias os transformaram e nos transformaram e que não seríamos brindados de forma acachapante com uma cena final de morte trágica do grande herói, tantas vezes chato, tantos vezes cético, mas tão retrato de nós todos, sem um abrandamento deste baque através de uma cena com todos se encontrando, se reconhecendo, se abraçando.

Místico? Cristão demais? Cafona? Pode ser tudo isso. Mas confesso que me tocou. Talvez pela minha fase de transformação, fico grata pelas metáforas ficcionais que falam de possibilidade de superação e recomeço, pela idéia de que as coisas não morrem mas se recriam, que nos lembram que é do encontro que nasce a mudança, de que as coisas idas não precisam ser findas e de que o amor é a tal da fonte de luz, o que faz de uma ilha perdida uma analogia com a vida da gente, suas perdas, mistérios, recuos, mortes e desrazões, mas sempre uma história que valeu a pena ser contada e ser vivida.

Para quem quiser mais coments, inclusive mais aprofundados sb a série e sb o final, recomendo as análise do Dude, we are Lost e as análises perfeitas do Leonardo "Jerry" em todos os tópicos de análise de episódios do fórum da comunidade Lost Brasil, no orkut.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Tá certo. Já são dois posts sobre o cara. Mas é q eu acho que ele escreve muito, mesmo. E tenho uma leve impressão que não devo parar por aqui. :)

Acabei de ler o novo do Nick Hornby, Juliet, nua e crua (Rocco, 2010). Gostei muito. A trama gira em torno de um casal inglês na faixa dos 40 em crise no seu relacionamento há 15 anos. Em torno dessa relação, a obcessão por um cantor de relativo sucesso nos anos 80, que estaria condenado ao ostracismo absoluto se não fosse a internet e as possibilidades de comunicação que as redes sociais digitais permitem. E aí o livro fica duplamente genial: de um lado, uma abordagem sensível e irônica das relações amorosas e cotidianas, o que aproxima o livro de outros de Hornby e de muitos outros autores; de outro, uma leitura original, irônica e muito analítica do mundo contemporâneo e de sua interseção com as Novas Tecnologias de Comunicação e Informação, o que faz do livro um pioneiro. Eis a receita para um livro perfeito, na minha opinião, é claro: de um lado um mais do mesmo (conflitos em torno do amor), de outro algo bem original e ainda pouco explorado (a abordagem sb música e novas tecnologias), ao menos em romances. Bem, gostei muito e recomendo pra valer pros que estudam e se interessam por novas tecnologias, música digital, redes sociais e pessoas de um modo geral.

De brinde, uma daquelas frases de Hornby q marcam a gente pra sempre. Nessa, ele está refletindo sobre a escolha de Annie, a personagem feminina principal, que deixa de ser professora para ser diretora de um pequeno museu. Apesar de satisfeita com a escolha (mezzo satisfeita, como podemos ver na história), pois ela não gostava de dar aula, ainda assim ela sente saudades de alguns momentos. E aí Hornby nos presenteia com a mais precisa definição do que seja dar aula, pelo menos para mim, que tô há 17 anos nesse rolo (tá lá na pag. 41):

"Certo, havia algumas coisas de que ela sentia falta: aquele sentimento que tinha quando uma aula ia bem, quando tudo eram olhos brilhantes e uma concentração tão densa que parece quase úmida, alguma coisa que parece grudar na roupa".

Tem como não amar esse homem?
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Depois de um longo silêncio neste blog - era preciso um tempo de silêncio para que eu pudesse me ouvir um pouco -, eis-me novamente resmungando por aqui.

Falarei hoje do livro que terminei recentemente de ler (mais uma vez, obrigada, querido Marildo, pelo empréstimo e pela dica), "O filho da mãe", de Bernardo Carvalho. Literatura densa, bem escrita, soco no estômago, relações familiares, amor, perda, barbárie e novamente "A montanha mágica", em seu final estonteante, atualizado no final pancada de "O filho da mãe": guerras diferentes, a mesma dor, o mesmo desperdício humano, bildung inútil escorrendo pela neve...

Sou fã de B. Carvalho desde que li o genial "Nove noites". Depois li "Mongólia" e "O sol se põe em São Paulo" (empréstimos de Marildo e Marcel, junto com Maurinho Parada meus principais "fornecedores" desses empréstimos literários), dos quais gostei mais ou menos (o segundo gostei mais, Mongólia achei bem chato).

Agora, graças à dica de @Di_junior, aluno de Estudos de Mídia, li o maravilhoso e genial conto "Estão apenas ensaiando". Vale a pena conferir aqui.

Bem, são resmungos de gosto de leitura. Tem gente q adora tudo do cara, tem gente q nem gosta. Eu, sinceramente, acho que veio pra ficar.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
1) gosto por demais de ficar aqui no nosso ap de Cabo Frio. Vento, praia, quebra de rotina, ideal pra caminhadas, sorvetinhos, enfim, gosto e relaxo bem. Mas fico cheia de ódio no pirú nos domingos e segundas à noite, qdo uma igreja dos infernos que tem aqui na Passagem faz seus cultos do diabo com muito barulho, louvores infernas, coisa do demo mesmo. Estou enrolando há tempos pra tomar uma providência sobre isso, mas chega. Vou entrar na justiça contra essa desgraça. Fico pasma com a falta de respeito. E é capaz dessa cambada ainda alegar perseguição religiosa. Novamente: COMO É Q PODE PEDIR DIREITO LIBERAL PARA EXERCER PRÁTICAS DE DESRESPEITO???

2) ando numa fase de sorvete. Fiquei doida com o de iogurte com frutas em NY. Babei pelo de coalhada com rapadura em Fortaleza (hummmm, fico doida só de lembrar). E tá valendo tdo: italiano, kibon, mcdonald's, bob's, quasar... e o verão nem chegou ainda! quem me segura???


3) breves coments sobre Fortaleza: adorei! gostei do clima, da paisagem, do lugar. Quero voltar e conhecer mais o literal do Ceará. Mas ainda não apareceu nada que superasse, em termos de beleza, os lençóis maranhenses. Aquilo é o paraíso!

4) ando em fase de ler romance policial. Recuperando mania de adolescente. Li tudo de Agatha Christie quando tinha meus 15 anos. Há uns cinco anos tentei ler e fiquei em estado de choque com o tom etnocêntrico, racista e preconceituoso da velha dama inglesa, principalmente nas histórias ambientadas na Índia. Desisti e deixei na memória afetiva, era mais negócio. Mas meu gosto pelo gênero foi recuperado pelos livros de Andréa Camilleri, apresentados a mim por meu querido amigo Maurinho, com o fabuloso comissário Salvo Montalbano como personagem central. Sua visão de mundo, seu pavor de promoção e visibilidade, sua alegria em viver próximo ao mar, sua dificuldade em abrir mão de viver só em sua casa embora não tenha a menor dúvida de seu amor por sua eterna namorada Lívia, sua impaciência com os lentos e seu senso de justiça, sua alegria frente a um bom prato de comida, de preferência com frutos do mar, beringelas e azeites e, principalmente, seu mau-humor com o mau tempo, em especial dias fechados e chuvosos... tudo isso faz de Montalbano o maior alter-ego com que já me identifiquei. E a medida em q os livros iam passando, ele ia envelhecendo e sentindo o baque, trajetória com a qual tb me identifiquei demais. Devorei todos os livros com Montalbano (já falei dele antes aqui, eu sei, mas gosto demais, fiquei com vontade de falar de novo). E isso reativou meu desejo de ler romances policiais. Li e gostei mais ou menos de Garcia-Rosa e seu detetive Espinosa. Li e gostei muito de Connelly e seu detetive Bosch. Agora quero conhecer outros. Vou mergulhar na coleção negra da Record, lá na minha private libray na casa de Maurinho.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Nesta semana, meio desaviItálicosada e com insônia, assisti na madruga na Globo na Sessão Brasil (ou algo assim) o filme "Anjos do sol", de Rudi Lagemann. Olha, eu gostei muito, mas tô impressionada até agora... A história da exploração sexual das meninas é muito forte, elas trabalham bem, o Calloni está perfeito, filme soco na boca do estomâgo. Também recomendo, mas preparem-se, num é hollywood não.

Para saber mais, clique aqui.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ganhei de presente, no mês passado, de meu querido ex-aluno e amigo Lucas, o livro Frenesi Polissilábico, de Nick Hornby, um de meusItálico autores preferidos (amo especialmente Como ser legal, recomendo muito, além dos conhecidos AItálicolta Fidelidade, Febre de Bola etc.). Terminei de ler ontem (foi minha cia de viagem em NY - e cia perfeita, pq eram críticas curtas, dando aquele tempo certinho pra quando a gente que é viciado em ler precisar fazer a leitura meio soluçando, ou seja, nos intervalos entre uma coisa e outra, sem continuidade), gostei muito, recomendo mesmo, especialmente para os que são: a) fãs do Hornby; b) fãs de literatura; c) ávidos por crítica cultural inteligente, sem ser pedante e escrotinha, que ensina, delicia, faz pensar, relativiza, humaniza os livros todos. Um show!

A aposta do Hornby é fazer críticas bem-humoradas, a partir de leituras aleatórias mensais, para mostrar que é impossível descolar um livro e a impressão que se tem dele do momento que se pratica a leitura, se é nas férias de verão ou no meio de um semestre atribulado, se vc tem filhos pequenos ou mora sozinho, se seu time está na lanterna ou nas finais do campeonato, enfim, Hornby capricha para mostrar que a leitura está atravessada pelo mundo da experiência concretíssima do dia-a-dia, pela memória, pelos outros discursos e referências. Repito: um show!
Vou destacar dois trechos que adorei, dentre muitos outros (um bem sensível, outro bem debochado, e eu adoro essa mistura):

- "Dois meses atras, fiquei deprimido ao me dar conta de que havia me esquecido de praticamente tudo qItálicoue li na vida. Só que já dei a volta por cima. Estou agora animado pelo seguinte: já que esqueci tudo que li, então posso ler novamente alguns dos meus livros preferidos como se fosse Itálicoda primeira vez" (grifos dele, p.49)

- "Se eu tivesse que escolher entre um fã de Celine Dion e as comédias recomendadas por Anthony Burgess, eu ficaria com a pessoa que está de pé em cima da mesa cantando "The Power of Love" sem pestanejar!" (p.205).

Tem como não amar?
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Minha mãe e meus irmãos sempre debocharam de minha euforia com Friends. Me achavam nerd e meio idiota pq eu ria muito com aqueles seis (meus irmãos me acham muuuito otaku, hehe). Mal sabiam eles que em casa eu era comedida pra caramba, eles precisavam ver como que eu assistia Friends quando estava no laboratório de jornalismo que coordenava lá na Castelo... eu e meus amados estagiários ríamos de gargalhar, muito, e era de praxe parar a aula às 20:00 pra assistirmos o episódio inédito da terça-feira. Ai, ai, aquilo era uma tradição maravilhosa.


Friends foi a primeira e mais amada série que acompanhei. Até hoje choro de rir qdo vejo episódios esparsos. E qdo deprimi feio em fevereiro último com as então sombrias perspectivas sobre minha saúde, foi a eles, meus amiguinhos, que recorri para gargalhar e esquecer, vendo compulsivamente um episódio atrás do outro.

Depois tive outras paixões: Lost, Dexter e The L Word. Claro que vi tb partes de uma penca de outras séries, desde Felicity (a piranha com o gravador, hahahaha) até Will and Gracie, passando por The 70's show até Weeds, por aí vai... Mas gostar mesmo, gostei dessas quatro que listei acima, com Friends em primeiríssima.

Ontem, num fôlego só, vi/revi toda a terceira temporada de The L Word. E chorei pacas com a morte de Dana, minha personagem preferida. Essa coisa de série é estranha mesmo. A gente se apega de uma forma que o troço fica na cabeça, a gente se envolve, é meio tipo novela mas num é, sei lá, parece amigo da gente. Bem, difícil de explicar. Acho que só os otakus me entendem. ;)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Olha, num tem como não gostar de Parati (não gosto do y, me lembra Nichteroy), esta é a verdade, inclusive na FLIP. Mesmo com aquela penca de gente andando pra lá e pra cá dando pinta de intelectual, de letramento puro, genuína sede de erudição, nada disso abalou nossa auto-estima. Cachaçamos, tb demos pinta, andamos pra cima e pra baixo naquelas pedras centenárias, olhamos aquele casario, compramos livrinhos e souvenirs, fofocamos e rimos bastante, enfim, pouco nos importava as mesas de debate, como já disse, já nos basta a quantidade de congresso malésimos que temos q enfrentar. Sinceramente, a professorada queria mesmo era festa!

Mas queria fazer uns coments finais:

1) casario, gente, o que é aquele casario? sempre me emociono. Tenho alma antiga. Mas sinto falta de uns banquinhos, como esse filho único no qual apareço sentada aí abaixo, pelas ruas da cidade, pra gente sentar e contemplar a vida.

Aquele vai e vem sem paragem (já q não dá pra sentar na soleira das portas, embora eu tenha tentado algumas vezes, hehe, vide foto tb abaixo) acaba parecendo shopping a céu aberto. Campanha já: bancos pra gente sentar, seu prefeito!!!

2) comprei um notebook cor de abóbora, souvenir da FLIP, pra fazer anotações, visando esse bloguinho aqui mesmo. Coincidentemente, comprei e li num dois "O Caderno vermelho", de Paul Auster, no qual ele recolhe historietas interessantes pela vida a fora e depois publica. Me inspirei e espero que o blog seja a publicação de meu "O caderno abóbora". Histórias não vão me faltar e em breve começarei essa série.
3) Por fim, ganhei de Maricota uma bolsa amarela, tb da FLIP, gracinha. Estou usando pra colocar trabalhos e monos neste fim de período, mas se deus quiser em breve terá um fim mais nobre: servir de bolsa de praia!!! Mas a bolsa amarela me lembrou livro MUUUUUITO querido, "A bolsa amarela" de Lygia Bojunga Nunes. Tentei achar um dos livros dela na Flipinha, mas neca. Demodê. Como pode? Premiadíssima, magistral, nunca esquecerei seus maravilhosos livros: além de "A Bolsa Amarela", "A casa da madrinha", "Angélica", "Os colegas", "O sofá estampado", "Corda bamba", "Tchau", "O abraço", "Nós três".... ah, meu pai, que saudades, queria tanto ler de novo, mas num tenho mais!

Ninguém tem pra me emprestar?

Na boa, obra-prima, fabuloso, escreve pra caraio!!!!
Quem quiser saber mais sobre ela, clica aqui.