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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Ontem, no primeiro dia deste novo ano, no mítico 1/1/11, revi com minha madrecita o filme As horas (EUA, 2002, dir. Stephen Daldry, que amo. Lembro quando assisti pela primeira vez, incentivada pelo meu aluno querido João Marcelo, na Estácio, que me disse em sala: "ontem vi um filme na UFF que só lembrei de você. Chorei sem parar. Hoje tem sessão, num deixa de ver". Obediente, fui conferir. E ele tinha razão: eu amei e chorei sem parar.

Depois, para completar, li o Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf, um dos livros mais bonitos e impressionantes da minha vida, e li o romance As horas, de Michael Cunningham, que serviu de inspiração para o filme (que embora seja genial como estratégia narrativa - unir as histórias de três mulheres em décadas diferentes a partir da referência ao livro - é, na minha opinião - coisa rara -, inferior ao filme, embora seja muito legal também).

Mas voltando ao filme em si, acho o desempenho de todos os atores espetacular. Mas minha preferência vai para Julianne Moore e aquela dona de casa norte-americana implodindo por dentro na família perfeita dos anos 50. Adoro! Me lembra a angústia de outra grande atriz, kate Winslet, em desempenho comovente dentro de contexto semelhante em Foi apenas um sonho, de Sam Mendes (EUA, 2009).

E o que isso tem a ver com 2011? Bem, tem uma cena mto tocante no filme em que a personagem de Meryl Streep conversa com sua filha sobre um momento de sua juventude, em que ela experimentara pela primeira vez uma sensação de felicidade muito grande e pensara, confiante, que a felicidade estava começando ali. E que depois ela percebeu que, na verdade, aquele momento era a felicidade em si. Essa cena me toca e me comove toda vez que vejo o filme.

Tudo bem, tem realmente uma certa felicidade que se tem aos 20 anos que não volta mais, é a tal da felicidade a que se refere a personagem (e tão presente no livro da Patti Smith, a que me referi em post anterior). E acho que a gente tem que viver com isso, sabe? Num volta e pronto.

Mas tem tantas pequenas conquistas que podem nos dar outras formas de felicidade, não tão plenas e completas, mas gostosas ainda que fugidias. Estar bem de saúde quando se enfrenta uma crise, por exemplo; curtir um grande amor, mesmo com as incompletudes de qualquer relação; entrar em sala de aula sem perder, ano a ano, o encantamento inicial; rir com os amigos amados, mesmo querendo matá-los vez por outra; ter o prazer de estar ao lado de seus pais, madrinha, irmãos e sobrinhos; descobrir um livro, um autor, um filme, uma arte, um afazer, uma vontade (aprender mecânica de automóveis ou dança de salão, dois sonhos antigos); perder países, como diz Fernando Pessoa a respeito de viajar; planejar mudanças (de emagrecer à casa nova); enfim, uma lista de coisas e pessoas e desejos e sonhos que vão girando a roda e nos fazendo fruir pequenas felicidades.

Assim, faço do parágrafo acima meus compromissos para 2011. Os mesmos de 2010 e 2012, provavelmente. Sem ilusões sobre a grande felicidade. Mas perseverando nas pequenas, elas escorregam, mas com jeitinho a gente dá uma fungadinha nelas...

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
tinha esquecido desse vídeo, mas meu querido aluno Alexandre me lembrou. Uma das maiores vergonhas alheias do mundo. A cara de espanto e constrangimento dos índios; a roupa dela imitando uma veste índigena norte-americana; a hora em que ela solta a cabeleira loura; a dança final... que vergonha alheia!!!!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Série nova. Chega de só falar bem do que leio, vejo etc. aqui nesse blog.

Pois bem, cheia de vontade fui ler a biografia do Antonio Maria, "Um homem chamado Maria", escrito pelo Joaquim Ferreira dos Santos (cujo estilo meio engraçadinho de escrever já tinha me dado uns engasgos em crônicas e no livro "1958", mas nada muito grave).

Mas agora ele se superou. Prefiro só reproduzir alguns trechos abaixo, sobre o bairro de Copacabana nos anos 50, me abster dos coments e deixar esse deleite pra vcs:

"Costuma-se dizer que o bairro naquela época era uma imensa vila habitada exclusivamente pela classe média. Os paraíbas e os suburbanos, nossos visigodos étnicos, já estavam por lá. Mas eram poucos, serviam apenas, como se fosse num filme da Metro, para dar cor exótica, tropical. O Rio perigoso estava bem definido: Lapa, Mangue, praça Mauá. Em Copacabana, podia-se andar de bonde com os destituídos e estes não se achavam agredidos nem com direito a qualquer rapinagem". (p.65).

Pensa que acabou???

"A classe média e os ricos, como se vê, eram maioria, mandavam. Havia espaço para curtir civilizadamente a solidão. (...) Escolhia-se: amar, sofrer, esquecer, se divertir. Mas tudo em paz. Sérgio Dourado e o Julio Bogoricin ainda não tinham enchido aquilo de quitinetes baratas, trazendo atrás o barulho dos carros, a poluição e o séquito de miseráveis despejados da sorte. A imprensa, por sua vez, ainda não havia ensinado o brasileiro a sonhar com o dia em que, conseguida a ascensão social, moraria ali" (p.65)

Já tava de bom, num tava? Mas não, a pessoa sempre pode se superar. Vamos adiante:

"O clima era de que todos se conheciam, se reconheciam, como privilegiados, e assim caminhavam, juntos e felizes, para as sessões do cinema Rian. Na bilheteria, acreditem, ainda não havia aquela criancinha remelenta te olhando comprar o ingresso e suspirosa de uma migalha qualquer de troco."(p.66).

Óbvio que parei de ler o livro nesse momento. Como pode isso, gente? Muita, mas muita vergonha alheia.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Terminei de ler, como um raio, a belíssima homenagem de Paula Dip a Caio Fernando de Abreu, através do livro "Para sempre teu, Caio F. Cartas, conversas, memórias de Caio Fernando de Abreu" (Rio de Janeiro, Record, 2009). Comprei meio sem querer, por sugestão de Dessa, quando estava escolhendo livros pra levar na minha viagem pra NY. Acabei lendo antes de ir, depois de cair naquele velho truque de "vou dar só uma folheadinha pra ver qual é"...

Num me arrependo, é muito bonito o livro! Ela, muito amiga dele a vida toda, faz um relato de histórias, afetos, coisas raras, "pequenas epifanias", como chama o próprio Caio a essas jóias raras e efêmeras que a vida nos traz. Bem escrito e tocante, como um bom livro, ao menos pra mim, deve ser. :) Queria destacar um trecho, tirado de uma das inúmeras belas cartas escritas por Caio, citada por Paula Dip na p. 228:

"Deve ser o tempo, a proximidade dos 40 anos (que meeeeedo), as nossas células e neurônios fatigados, mas vai baixando uma humildade tão grande. Reduzi tanto meus sonhos, minhas fantasias, minhas esperanças. Ando espantado com o Tempo. O tempo é a única coisa terrível que existe. O tempo que passa e leva de arrasto, aparentemente aleatório, a juventude nossa e a dos outros. Não é amargo, é apenas real. Só hoje começo a compreender certa expressão de espanto inconsolável que muitas vezes percebi nos olhos de meu pai. Meus próprios olhos estão ganhando pouco a pouco uma expressão semelhante".


Minha história com Caio também tem lá seus momentinhos. Não lembro quando li seus escritos pela primeira vez, mas lembro que foi "Morangos mofados", que fiquei impressionadíssima, especialmente com o conto "Sargento Garcia", e que li o livro algumas vezes. Depois ganhei o "Triângulo das águas" com uma dedicatória inesquecível e num momento inesquecível de Tânia Neves, pra mim a Cachs. E lembro de ter ficado muito impactada com esse livro tb. Já tinha lido "Os Dragões..." e crônicas esparsas do Caio, e já estava irremediavelmente apaixonada por ele. Lembro-me que senti de forma forte a notícia de sua morte (como muitos, acompanhei suas crônicas em que ele falava sobre a doença), o que só se repetiu duas vezes com pessoas públicas pra mim (Renato Russo e Marcelo Mastroiani). E recentemente ganhei de presente,veja só, exatamente pelos meus 40 anos!, o livro "Pequenas epifanias" do Caio, com belíssima dedicatória de meu amigo Dênis de Moraes, um declarado apaixonado pelo autor.

Ter lido esses fragmentos de memória e amor acerca do Caio, neste momento, me fez muito bem. Coisa boa é ser humano de verdade, idiossincrático, sem dúvida, mas criando, gerando, fazendo história, e não destruindo, vampirizando, vuduzando a vida alheia. Obrigada, Caio, mais uma dívida com você.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Estou inaugurando série nova, com o sugestivo título de "Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo", trecho de uma música que amo do Ira. O objetivo dessa série é revelar coisas que não faziam o menor sentido pra mim quando jovenzita, lá pelos 18, 20 anos, e que depois, meu Brasil!, fizeram muuuuito sentido, até demais. Pra começar:


CABELOS BRANCOS!!!




Nunca pensei que meus cachos de graúna um dia sofreriam desse mal. Ou q isso iria me incomodar. Mas, ó, vou falar: ODEIO!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Sendo esse um botequim virtual, não poderia deixar de espelhar certas preferências de gosto da dona dessa Baiúca: pois eu sempre amei um botequim, um barzinho, com seus tira-gostos, tipos, cervejinha, coca-cola no gelo, barulho de risos, copos, cadeiras, conversas, lamentos. Na verdade, vou confessar, o Baiúca do Baudelaire era pra ser um bar de verdade, sempre tive esse sonho, mas num tenho muita paciência pra ter um bar real, tenho amigos q já foram donos de bar e sei a trabalheira q dá. Assim, me conformei com o Baiúca virtual mesmo.






Mas ontem, rodando pelas ruas de niter procurando um bom bar pra me divertir na véspera do feriado, senti uma tristeza nostálgica das grandes. Onde foram parar os botecos queridos da velha Niterói? Pois com exceção da Cantareira (Mãe D'agua, São Dondon,
Tio Cotó e Vestibular do chopp), do Bar dos Caldos e de outros poucos representantes (dentre eles o veterano e amado "jogados fora", o velho Steak House da madruga, e o Barroquinho, sobrevivente da velha guarda dos bares - onde a gente não ia muito, nos anos 80, pq o povo dizia que era "ponto de droga", hahahahahaha -, do Bar do Beco - dica da minha irmã, que afirma que junto com outro que ela vai no Campo de S. Bento - onde era o antigo Tringuilim, o novo não lembro o nome - são os únicos que prestam), os bares de raiz, hehe, desapareceram. Agora só restaurante a quilo metido a besta, botequim fake, bares caros q se acham, ai, saco!

Farei aqui, então, nostágica e protestando, um lamento-homenagem aos bares da minha vida boêmia em niterói (tenho certeza de que vou emocionar muitos amigos das antigas). Vamos lá ao rol da saudade:

- Em Icaraí - na Mariz e Barros, logo no comecinho, tinha o Aventuras na Roça, um sobrado gracinha, com milho cozido e vinho de maçã. Vc andava um pouco mais e dava no Cachaceria 7 virtudes, onde Tchelo tocava com Peter e a gente tomava cachaça Coquinho. Tchelo anos mais tarde passou a tocar no Dom Roale, tb ótimo, pertinho do Cinema Icaraí (que ainda funcionava), na Alvares. Na Belisário Augusto, o inesquecível W.O. (ai, como sonhei com ele ontem!), com aqueles tira-gostos inesquecíveis, em especial a carne seca com aipim. Na Pres. Backer, o Alfacinha (tb evitado porque era "ponto de drogas", hahahahahahaha), o 244 (em que eu e minha amiga Monica comíamos sardinha frita e derrubávamos muuuitas garrafas de cerveja nas terças de tarde) e o Farinata, em que o piano e o violão estavam sempre disponíveis pra quem tava a fim de fazer um som ou declamar uma poesia. Na Lemos Cunha com Mariz, Miguel e seu inesquecível Batipatu, com aquela gente louca e a batida de côco incomparável. Na Domingos de Sá, o Misasas e seus quitutes árabes, reunindo o povo do Salesianos, que também ia muito no Maralice, na esquina da 5 de julho com Ministro Octavio Kelly (hoje point insuportável de torcedores de futebol chatésimos). Ainda na Domingos de Sá, o Singular, mais intimista, bom pra levar o amor e ficar de chamego num papinho a dois (outro dia fui num mexicano aq em Pirá e a garçonete era a mesma do Singular, e vinte anos depois ficamos felizes mesmo com esse reencontro!). Em Santa Rosa, a gente praticamente morava na Casa Velha, bar da minha amiga Moniquinha, no final da Mario Vianna, e depois no Bar da Edna, outra amiga, esse um boteco de responsa no Beltrão. Na avenida 7, pertinho do valão, a maravilhosa e inesquecível picanha do Maurício, que depois migrou tb pra perto do valão (nem por isso a gente deixava de ir, hehe) na 5 de julho e na Lara Vilela, na esquina do jambeiro. Na Praia de Icaraí - sim, existiam bons bares na orla -, destaque para o Beer Standard, que ocupava um varandão enorme e muito gostoso na esquina da Pereira (hj o lugar é ocupado por um dos prédios mais metidos a besta de niterói), para o Giuseppe, do lado do Central, onde comíamos rã à milanesa (lembra, Gil?) e o Garota de Icaraí, perto da Oswaldo Cruz (íamos muito lá, eu e o povo do Globo Niterói, depois de fecharmos o jornal). Pra brincar de gincana cultural, o Via ápia, na esquina da Av. 7 com Roberto silveira. Na Noronha Torresão, havia o Bar da Déia, praticamente o único reduto gay feminino da cidade. E, pra encerrar, o memorável JP, bar do Duda e do Jorginho na João Pessoa, em que no fim das noites o Índio de Niterói - como esquecer? - adentrava ao som de todas as vozes presentes que o saudavam com um "Todo dia é dia de índio", enquanto ele sacava do arco e flecha e atirava! hahahahahaaha. Impagável!

- No Ingá e no centro - vou começar falando da Picanha do Maurício, que depois virou o Casa da sogra, na Lara Vilela ao lado do Solar do Jambeiro (a casa, não o restaurante, que já foi muito legal tb mas depois deu uma caída e ficou metido a besta). Logo em frente, num casarão lindo, o Parati, que primeiramente se chamou 4 gatos. Festivais de poesia, cervejadas, muitas noites namoradeiras, ai, ai... e uma justa homenagem final aos trailers do mirante onde hj está o MAC, lugar maravilhoso pra encerrar a noite e fazer um rala e rola no carro. Tudo bem q o MAC é lindo etc., mas preferia o mirante, eu juro! Os bares da velha e boa cantareira também marcaram época, em especial o Tio cotó, que amém permanece vivo. Mas o Castelinho e o He-man (esse na Praça do Rink), bares mais gays, faleceram, uma pena! Também acabou o pé-sujo ótimo que tinha na Estaçao das Barcas, fui muito lá quando trabalhei na coluna social da Estela Prestes, junto com meu amigo doido Púga (esqueci o nome, era meio americanizado - o nome, o bar era brasileiríssimo - alguém lembra?). Pra vc ver a tristeza, sinto saudade até dos botecos esfarrapados do Beco da Sardinha! E do bar do Maurício - outro, não o da picanha -, que ficava perto da Universo da Marechal Deodoro, e de um bar temático cafona de guerra que ficava em frente ao bloco A da Universo, sei lá, Kamikase, algo assim (novamente, alguém me ajuda?). Entre os blocos A e B da Universo, um senhor pé sujo, o Bar do seu Niltinho, com a cerveja sempre estupidamente gelada e o carinho do proprietário, que me dava leitinho frio (sem cobrar) quando eu tinha crise de gastrite no intervalo das muitas aulas q dava na Universo. No Centro, ainda resta pra nossa alegria e esperança o Caneco Gelado do Mário e o Monteiro, bravos resistentes! E o Cheiro de Mar tb permanece vivo e lotado nas noites de S. Domingos, com aquela vista espetacular da Ilha da Boa Viagem e da Baía de Guanabara (saudades dos sandubas com minha amiga Paulinha nas noites de volta da Castelo!).

- Em São Francisco, Charitas e Jurujuba - quase uma segunda casa na minha vida, o falecido Bigodão era meu point quase diário. Saudades imensas dos garçons, do chopp de lá q nunca mais tomei com tanto gosto e da pizza de alho com champignon. Mas a gente ia também no Céu Azul, em frente ao Bar do Lido (íamos menos nesse, pq o povo dizia que era "antro de prostituição", hahahahaha). Em Charitas, o Le Moustache (que era do mesmo dono do bigodão, mas sem o charme daquele, a gente só ia quando o primeiro estava lotado), um bar francês surreal com tochas na porta que a gente adorava (também esqueci o nome, alguém me ajuda?), o Cantinho na pedra (que ainda existe, felizmente), um bar de caldos maravilhosos em Jurujuba em que passei alguns aniversários (tb esqueci o nome, ficava numa curva perto do Pier 31, onde hoje o povo brinca de cantar no karaokê), o Farol de Jurujuba, com a melhor casquinha de siri do planeta, e o Tia Celina, q ainda existe mas perdeu parte de seu charme de comida caseira de vila de pescadores.

- Na Região Oceânica - numa região ainda praticamente despovoada, os bares eram surpreendentemente lotados. Tinha um na praia de Piratininga totalmente deserta, era um bar óooootimo, num lembro o nome, mas os drinks eram geniais, ele era bem rústico, bem no meio da praia... Tinha tb o inesquecível Poetas anônimos, com as batidas mais deliciosas do mundo (lembro que ganhei um concurso de crônicas promovido por eles com uma crônica sobre bares, que chamei de "Estereótipos anônimos", se eu achar aq vou publicar). E os dias praianos só faziam sentido se fossem encerrados com uma caipirinha no Recanto das garças, um camarão com catupiry no Canoas (ainda existe, amém), um peixe ensopado no Tibau (ainda existe, mas caidinho, caidinho) ou um bolinho de bacalhau com cerveja - infelizmente, a única q eles tinham era Kaiser, o que sempre nos deixava passando mal, mas a gente era persistente! - no Barril 3000. Graças aos céus, Seu Antonio segue vivo e forte, e depois ganhamos o Veranda, com uma batida de cupuaçu de beber de joelhos, de tão gostosa (PS. de abril/2010: infelizmente, estive lá recentemente e a batida num era mais a mesma. Q pena!). Mas os demais faleceram todos.

Bem, acho q ainda faltam alguns, mas ficarei esperando a contribuição de outras vozes. Por agora seguirei no meu boteco virtual, sonhando com os bares em que amei e onde vivi muitas histórias que agora me emocionam e me fazem lembrar de dias felizes, amores, amigos, bebidas e cigarros, violão, olhares 43 e muita, mas muita sede de viver. Que nunca me falte nada disso, nem virtual nem pessoalmente!

PS.1: Pedro Curi, pessoa boa, me lembrou que o nome do bar no campo de S. Bento é Novo Ponto (falando nisso, recentemente estive lá e comi um filezinho aperitivo q estava delicinha).

PS.2: esqueci de incluir alguns bares inesquecíveis na listagem aí de cima (um deles lembrado por minha irmã): o Duerê, em Pendotiba, onde vi Zélia Duncan, então Zelia Cristina, dar uma canja fabulosa num show em que Vinicius Cantuaria deu uma escrotizada (o show era dele, ele ficou com raivinha por um rolo envolvendo carro/vaga, deu meia hora de show e foi embora, alguém crê?). Zelia tava na platéia, era amiga dos donos da casa (Marilda, Cristina etc.) e deu uma canja de 1 hora! Maravilhosa. Depois até fiz matéria com ela pro Globo Niter. No Duerê tb fui juri de festival fabuloso de esquetes ( "Cai a noite em Acapulco", hahahaaha, nunca esquecerei o quanto ri), fiz apresentação de poesia com Si Ferraz, enfim, era um bar realmente inesquecível; tb o Nó na madeira, em Pirá, onde assisti bons shows e rodas de samba; e o Candongueiro, em Rio do Ouro, que ainda existe mas sem o charme dos bons dias, penso eu. Muito samba de primeira e bons amigos, sinto saudades do Candonga; o Latino, que ainda existe ali ao lado do Plaza, que frequentávamos muito quando o ICHF ainda era no Valonguinho; em Sanfran, esqueci de falar do Velho Armazem, ainda forte por lá, que já foi Bar Luiz (ainda considero o melhor chopp escuro de Niter); e o Devassa, que ficou pouco tempo funcionando, mas que rendeu bons chopps escuros, drinks perversos que me deram ressacas monstruosas e um caldinho de feijão q eu amava; e atualmente, mil palmas para os petiscos e o chopp delicioso do Outback, que tem salvo nossa vida em muitos momentos.

PS.3: e no momento atual, preciso por justiça incluir o Coahuila, bar mexicano no trevo de Pirá. Drinks deliciosos, em especial o Frozen, a Mexilada e o inesquecível Alexander. E os comes tb são de prima. Tá cotado!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
1) gosto por demais de ficar aqui no nosso ap de Cabo Frio. Vento, praia, quebra de rotina, ideal pra caminhadas, sorvetinhos, enfim, gosto e relaxo bem. Mas fico cheia de ódio no pirú nos domingos e segundas à noite, qdo uma igreja dos infernos que tem aqui na Passagem faz seus cultos do diabo com muito barulho, louvores infernas, coisa do demo mesmo. Estou enrolando há tempos pra tomar uma providência sobre isso, mas chega. Vou entrar na justiça contra essa desgraça. Fico pasma com a falta de respeito. E é capaz dessa cambada ainda alegar perseguição religiosa. Novamente: COMO É Q PODE PEDIR DIREITO LIBERAL PARA EXERCER PRÁTICAS DE DESRESPEITO???

2) ando numa fase de sorvete. Fiquei doida com o de iogurte com frutas em NY. Babei pelo de coalhada com rapadura em Fortaleza (hummmm, fico doida só de lembrar). E tá valendo tdo: italiano, kibon, mcdonald's, bob's, quasar... e o verão nem chegou ainda! quem me segura???


3) breves coments sobre Fortaleza: adorei! gostei do clima, da paisagem, do lugar. Quero voltar e conhecer mais o literal do Ceará. Mas ainda não apareceu nada que superasse, em termos de beleza, os lençóis maranhenses. Aquilo é o paraíso!

4) ando em fase de ler romance policial. Recuperando mania de adolescente. Li tudo de Agatha Christie quando tinha meus 15 anos. Há uns cinco anos tentei ler e fiquei em estado de choque com o tom etnocêntrico, racista e preconceituoso da velha dama inglesa, principalmente nas histórias ambientadas na Índia. Desisti e deixei na memória afetiva, era mais negócio. Mas meu gosto pelo gênero foi recuperado pelos livros de Andréa Camilleri, apresentados a mim por meu querido amigo Maurinho, com o fabuloso comissário Salvo Montalbano como personagem central. Sua visão de mundo, seu pavor de promoção e visibilidade, sua alegria em viver próximo ao mar, sua dificuldade em abrir mão de viver só em sua casa embora não tenha a menor dúvida de seu amor por sua eterna namorada Lívia, sua impaciência com os lentos e seu senso de justiça, sua alegria frente a um bom prato de comida, de preferência com frutos do mar, beringelas e azeites e, principalmente, seu mau-humor com o mau tempo, em especial dias fechados e chuvosos... tudo isso faz de Montalbano o maior alter-ego com que já me identifiquei. E a medida em q os livros iam passando, ele ia envelhecendo e sentindo o baque, trajetória com a qual tb me identifiquei demais. Devorei todos os livros com Montalbano (já falei dele antes aqui, eu sei, mas gosto demais, fiquei com vontade de falar de novo). E isso reativou meu desejo de ler romances policiais. Li e gostei mais ou menos de Garcia-Rosa e seu detetive Espinosa. Li e gostei muito de Connelly e seu detetive Bosch. Agora quero conhecer outros. Vou mergulhar na coleção negra da Record, lá na minha private libray na casa de Maurinho.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Amei, novamente, a viagem q fiz pra NY. Queria fazer alguns resmungos sobre isso e partilhar com meus amigos leitores, nem que seja o meu próprio ego, hehe.

1) amo o jeito de NY. Aquela babel toda, gente de tudo qto é tipo e jeito, aquele tumulto linguístico e visual, adoro mesmo, é um banquete antropológico pra mim, me deleito.

2) gosto tb da indiferença do olhar, sinceramente. Adoro o total sentido de indivíduo que sinto lá. Sei q diariamente deve ser angustiante, q faz falta pensar comunitariamente etc. Mas como supressão da rotina, férias, q delícia ser um nada no meio da multidão.

3) gosto daquela ilha praticamente reta, sem ladeiras, subidas, contornos. Adoro andar a esmo, entender a lógica, andar, andar, andar... Como diz Alberto Caeiro, no meu poema preferido, "Um pensamento visível faz-me andar mais depressa e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo". Sinceramente, sinto que essa frase foi escrita pra mim.;)

4) acho q é a meca do consumo, um shopping a céu aberto, um templo do consumismo etc. e q me deixo seduzir por ele, sem dúvida. E também fico chocada, sem dúvida: ano passado pela amplidão das ofertas, tantas lojas, marcas, cores, tipos, produtos; esse ano pelos efeitos visíveis da crise, com grandes lojas (Virgin, Converse, Circuit City etc.) fechadas, a variedade e a quantidade de produtos visivelmente menores, a presença mais eloquente dos homeless pelo metrô, nas ruas..., e, obviamente, pelo contraste entre opulência e miséria no mundo, hiperconsumo e exploração do ser humano, individualismo exponencial e perda das referências de luta coletiva etc.

5) mas confesso que quando lá fico mais fascinada do que chocada. Em parte, porque é lugar de afeto, onde reside tio muito amado. Mas também porque é um mundo muito impressionante, cujas lógicas culturais, a meu ver, são chocantes e profundamente sedutoras. E entendi pessoalmente a percepção simmeliana do hiperestímulo das grandes metrópoles: numa das últimas noites, ao deitar para dormir, eu ficava vendo, de forma similiar a quando jogamos muito tempo no computador ou no vídeogame, prateleiras de produtos - tênis, bichos de pelúcia, perfumes etc. - se alternando no meu inconsciente, como se fossem peças de majong ou tetris caindo sem parar. Te falar, fiquei bem impressionada com isso. E como estava diante de algo novo, pouco visto ainda, com o qual ainda não me familiarizei, não consegui criar, como sugere Simmel em seu premonitório artigo no começo do século XX (veja no blog do GRECOS), os filtros da atitude blasé, que me deixassem indiferentes ao hiperestímulo visual e sonoro.

6) Por fim, fico sempre pasma e incomodada com a sensação de segurança cotidiana que percebo por lá. Essa coisa de deitar relaxada nos parques, nos bancos, nas praças, mesmo nas calçadas, e dormir, ficar ouvindo música e olhando pro céu, mexendo no computador, olhando pro nada, falando ao cel, conversando com a cia ao lado, enfim, essa largação na via pública me fascina muito, sinto muito a falta de poder fazer isso aqui sem achar q serei roubada, agredida etc. Não é que lá seja impossível ser assaltada etc. é possível, mas não é provável. E isso altera muito a sensação do estresse permanente. Dá invejinha. Embora saibamos de todas as questões históricas, sociais, econômicas, políticas e culturais envolvidas nisso (pra não vir ninguém me dar aulinha sobre diferenças, please, me poupando no meu bloguezinho), a questão concreta é que dá uma vontade de ter isso.

Lugar estranho. Achei q fosse me incomodar mais essa big capital do capital. Mas me sinto bem pra caramba. E tenho um pouco de crise com isso, mas nada muito grave. Resmunguei com vcs, valeu!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Infelizmente, vou doar os meus all stars. Com tristeza, pq sou doidinha por eles, especialmente o laranjinha, que comprei com o dinheiro do porco. Não são muitos, mas sempre me sinto bem qdo os coloco nos pés, me lembram a leveza dos meus vinte anos. Fiquei muito tempo sem usar, tornei há alguns anos, e agora a fascite maledeta me impede de usá-los, pq com eles a dor volta. E prefiro, mesmo amando meus caninhos curtos de lona, um pé saudável e sem dor. Mas lamento, confesso, essa despedida. O q salva é que é minha sobrinha q vai herdá-los, e eu a amo muito e tenho com ela imensa afinidade. Bem, já é um consolo. Mas vou chorar lagriminhas fetichizadas qdo eles se forem, mais um pedaço de meu lado Peter Pan que se encerra. "Vida, vida, vida, que seja do jeito que for".

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Lembro como se fosse hoje. A gente na casa da Tina, em São Francisco, sem fôlego, vendo "Corpos ardentes". William Hurt e Kathleen Turner. Caramba, tão novos, sensuais, calientes. Aquele calor todo, aquela trama, aqueles olhares 43, aqueles cigarros, aquele suor... ai, "Corpos ardentes" foi um marco, nos anos 80, de nossa imaginação fértil!

Depois vi a KT em tantos outros filmes: "Guerra dos roses", "Tudo por uma esmeralda", "Minha mãe é uma assassina"... depois, como nunca mais a vi, só restou em minha mente as imagens glamourosas daquela atriz de tanto sucesso e beleza que marcou minha adolescência.

Hoje, levei um susto daqueles, quando, despretensiosamente, assistia a "Marley e eu". Tinha visto o nome dela nos créditos, até fiquei feliz, mas não estava preparada para aquela figura, a apoteótica KT, no papel da descabelada e masculinizada treinadora de cães.

Olha, sei q a vida é isso mesmo, as pessoas envelhecem, ficam diferentes, isso acontece com todos e comigo tb. Nem quero dizer q pessoas mais velhas etc. não têm beleza etc. Estou só lamentando o choque entre meu imaginário perpetuado, tão ingênuo, e a vida e sua temporalidade sempre tão eloquentes. Sei que as pessoas envelhecem, mas meu imaginário não.

Por isso, confesso, nem prestei muita atenção no drama canino, embora sensível (embora, tb tenha que confessar, aquela esfinge do Owem Wilson, uma versão loura do cigano Igor, num ajuda muito), pq estava era pensando no drama da vida. Pasmei! Please, alguém levanta o queixo caído do meu imaginário???!!!




Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Acabei de ler Filho eterno, de Cristóvão Tezza. Sem dúvida, um bom e interessante livro. Bem escrito, original, obviamente comovente. Acho que merecia os prêmios que levou. Gostei, no geral.

Mas fiquei meio incomodada com o ego masculino do narrador. Mais do que uma narrativa sobre o filho, me pareceu uma narrativa sobre um umbigo masculino, um egocêntrico em torno de quem giram todos, inclusive o filho, a família, o mundo. Sei lá, achei pouco generoso com a alteridade.

Não estou falando que é reflexo do autor, de sua visão de mundo, de sua vida. Não o conheço e já tô meio escaldada pra não ter pretensão de cobrar coerência entre ficção e representação da realidade, mesmo sendo o livro em tese inspirado na história e na trajetória do autor.

Mas estranhei e fiquei meio pasmada com a ausência da mulher/mãe na trama, nada, nem um registro, só um fiapo, um nada que percorre poucas linhas (parece Geertz na descrição densa da "Briga de galos", em que a mulher antropóloga aparece no primeiro parágrafo e depois vira "fumaça, fumaça, fumaça..." - momento homenagem). Da mesma forma, a filha, que só recebe como referência o rótulo de ser normal, é um nada. E mesmo o filho, razão e tema do livro premiado, é um atalho por vezes embaçado para a grande descrição de si, deste narrador autocentrado, seus desejos, seus sonhos frustrados, seu grande livro sobre ele mesmo, o grande homem, o perdido, o frustrado, o que precisou aprender a viver com a dor da imperfeição.

Sei lá, achei que se trata de um livro sobre uma forma cultural masculina de pensar o mundo. Egóica e, ainda que emocionante e bem escrita, irritante, por lembrar esse grande umbigo homásculo. Não à toa está lá o futebol como grande metáfora da comunhão masculina. No fim das contas, num senti empatia pelo narrador, coisa rara comigo num livro, inda mais com tema pungente. Me lembrou, de certa forma, mau-humor que tive com o maestro filho da puta de Valsa negra, de Patrícia Mello. Confesso que este último foi capaz de me despertar mais compaixão do que o pai umbiguento do filho eternamente secundário na trama de Tezza. Gostei, mas num lia de novo, não.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
resmungo 1: Ontem fui ver Divã no Plaza. Gostei muito e me identifiquei por demais. Chorei pra caramba e achei a abordagem sensível. E Lilia Cabral dá um show. Vou te contar, essa história de terapia dá uma viradinha mesmo na vida da gente, quem diria!

resmungo 2: ontem passei por um outdoor perto do Multishopping aqui em Itaipu em que uma apaixonada publicou um recado de amor, pelo dia dos namorados, para seu "castorzinho". Dou força pro romantismo, embora tenha achado o layout um pouco over, mas o que queria destacar mesmo são as frases finais da "homenagi". A apaixonada aspeou "eu te amo calado" e colocou entre parênteses a autoria (Lulu Santos). E abaixo, sem aspas, declarou: Viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz, tb sem parênteses e sem autoria . Deve ser dela isso, né? Termina com ela, Castorzinho! "Corre que é cilada, Bino" (ou não devo colocar aspas e fingir q é meu?
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