Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Dizem de áries
isso mesmo.
Que é impulsivo,
espontâneo e arrebatador.
Não tem medidas,
troca os pés pelas mãos,
faz ponte onde há abismos,
e onde não faz pontes,
voa.
Dizem de áries
que seu coração é enorme
e de manteiga.
Que é fiel de doer
enquanto outra paixão
- a maior de sua vida, sempre -
não lhe acena no metrô,
na mesa do bar, no curso de filosofia
ou na porta do caos.
Arianos não se equivocam,
gostam de mandar,
não aceitam recusas
e sonham com a perfeição.
Frases do senso-comum,
meias-verdades,
o ariano é o que vê cores
sobre o cinza,
que planeja o poente
sem o sol ter nascido.
O que você diz do ariano
é isso mesmo.
Ele é quente e amoroso
um meninão sadio
que procura a chupeta onde ela sempre está.
Um chorão, um emocionado perpétuo.
Esse apaixonado desmedido.

(Ana Lucia Enne, em 14/03/1993 - poeminha antigo, que fiz em homenagem à Gladys, maravilhosa professora e amiga, ariana retada)
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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Essa menina
é uma menina.
Sonhadora, crédula, confiante.
Sorriu e ofereceu cigarro.
Vapt, devolveu a vida:
porrada!
Não merecia. Ninguém merece.
Mas é uma menina
sonhadora, crédula, confiante.
E a vida é azougue,
perversinha que só,
tira o tapete tecido pelo sonho
com o martelo duro da realidade;
atravessa o samba
com a mão dura da intolerância;
corta o riso franco
com o braço forte da perversão;
corrói a crença aberta
com a aspereza da miséria do mundo.
Poucas vezes senti tamanha tristeza
como a que senti na dor
dessa menina risonha.
O medo gratuito.
Não podemos permitir sua vitória.
Eis minha mão,
menina querida,
não é dura, nem áspera nem forte.
É gordinha, tenra e quente
e está sempre pronta
a segurar a sua.
Como a minha
outras tantas frágeis mãos
são tuas companhias
para atravessar a longa estrada
dos dias ruins.
Vão te segurar
para que sigas
menina.
Crédula, sonhadora, confiante
Uma das melhores
pessoas que já vi no mundo
que, sem teu olhar luminoso,
fica bem mais sombrio.
Portanto, menina querida,
amada companheira de noites de luz,
eis minha mão na sua.
Vamos seguindo
e dando uma rasteira neste
mundo doido.
Cambaleando, mas com firmeza
em nossos sonhos, princípios, fé.
Nessa história de incertezas,
temos uma:
não somos nós as erradas.
Crer, confiar, sonhar.
Temos esses valores de meninas.
Não vamos perdê-los.
Somos melhores por isso.
Não vamos nos apequenar.
Aí sim,
a vida perversa daria gritos de
júbilo,
pois teria, enfim, vencido.
E isso nós não merecemos mesmo.


(Ana Lucia Enne - em 03/06/09)
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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Brasileiramente, segundo o governo federal, não desistimos nunca. Portanto, eis-nos aqui tentando recomeçar nosso blog. O Baiúca é pra ser um espaço de expressão aleatória, pra eu comentar, lamentar e comemorar tudo o que eu tiver a fim. Meter o pau no alheio, resmungar sobre a vida e sobre a mídia, dar pitaco na vida dos outros, publicar meus poemas e minhas imagens, enfim, um lugar meio pra nada mas que eu quero que exista.

Sejam bem-vindos ao meu botequim poético, essa criação cotidiana de mim!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Gosto muito de estudar.
Ler. Ver. Pensar. Discutir.
Meu olho é hiper-ativo,
gosto bem de ir vendo tudo,
como o pastor amoroso do Pessoa,
mas aceleradamente,
como o zapeador pós-moderno.
Adoro ouvir o outro.
Contemplar. Prestar atenção. Dispersar.
Zapeio com o olho concentrado
os clipes cotidianos da vida,
venham mediatizados ou não.
Não recuo. Amo livro, TV, jornal,
cinema, rádio, revista, internet
(teatro num gosto não, prontofalei).
Sou filha agradecida
das mídias e das tecnologias.
E gosto também do calorzão
da interação face-a-face.
Eu toco muito. Abraço. Beijo. Aliso.
Ronrono quando me tocam. Abraçam.
Beijam. Alisam. Muito.
No MP3, a trilha que embala
meu olhar diurno para o horizonte
nas caminhadas, numa varanda
que me dê mole, na praia aberta,
ou meu olhar noturno para desafiar
a escuridão.
Não veto o sensório.
Não recuo (por vezes sim)
do experimentar.
Brinco com tudo que me fala.
Não temo o discurso.
Me embalo nele.
Sou curiosa e entregue,
valorizo e agradeço
poder aprender.
E amo também
distribuir. Partilhar. Escambar
tudo que aprendo.
Por isso, nunca canso
de ensinar.
Ser professora é o que completa
meu desejo permanente
de aprender.
Vivo para isso, e agradeço.
Mas, vez por outra,
emerge em meio a esse jogo lúdico
de aprender aprendendo e ensinando
as figuras opacas
seres sem luz
esses pocinhos rasos de vaidade oca
nada a dizer, nada sabem
porque nada aprendem
nada ensinam, porque nada sabem
porque nada aprendem.
Fechados em suas imagens de espelho
simulacros do nada,
espelhos de auto-atribuição
os falsos leoninos
de porra nenhuma.
Mas pavões,
arrotando sua mediocridade
falso ar blasé
inseguros porque lá em suas profundezas
o espelho quebrado
corrompe o álibi da conotação:
são umas grandecíssimas merdas,
e sabem disso.
Mas simulam. Posam. Mascaram.
Cabotinos. Enormes fariseus.
Tento não vê-los, não reparar neles,
porque quando se anunciam
no meu campo de visão
embrulham meu estômago
me irritam o olhar
pertubam meu play-ground acadêmico
essa grande brincadeira
que é aprender e ensinar
esse parquinho de afetos
de amigos e alunos
esse cantinho encantado
de menino curioso
que sempre se maravilha com a palavra nova,
com o inusitado do nunca visto,
com a percepção do novo no visto tantas vezes.
Essas falsas e óbvias esfinges
atrapalham a farra do saber.
Hei de conseguir
uma capa invisível de Harry Potter
que me esconda
quando suas sombras dissimuladas de dementadores
se fizerem sentir.
Mas, de preferência,
que os esconda
essas estúpidas figuras
esses simulacros de merda nenhuma
ausência qualquer de representação.

(Ana Lucia Enne - em 03/06/09)

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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Fazendo a estréia do blog. Vamos ver se agora sai. :)