Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Sendo esse um botequim virtual, não poderia deixar de espelhar certas preferências de gosto da dona dessa Baiúca: pois eu sempre amei um botequim, um barzinho, com seus tira-gostos, tipos, cervejinha, coca-cola no gelo, barulho de risos, copos, cadeiras, conversas, lamentos. Na verdade, vou confessar, o Baiúca do Baudelaire era pra ser um bar de verdade, sempre tive esse sonho, mas num tenho muita paciência pra ter um bar real, tenho amigos q já foram donos de bar e sei a trabalheira q dá. Assim, me conformei com o Baiúca virtual mesmo.






Mas ontem, rodando pelas ruas de niter procurando um bom bar pra me divertir na véspera do feriado, senti uma tristeza nostálgica das grandes. Onde foram parar os botecos queridos da velha Niterói? Pois com exceção da Cantareira (Mãe D'agua, São Dondon,
Tio Cotó e Vestibular do chopp), do Bar dos Caldos e de outros poucos representantes (dentre eles o veterano e amado "jogados fora", o velho Steak House da madruga, e o Barroquinho, sobrevivente da velha guarda dos bares - onde a gente não ia muito, nos anos 80, pq o povo dizia que era "ponto de droga", hahahahahaha -, do Bar do Beco - dica da minha irmã, que afirma que junto com outro que ela vai no Campo de S. Bento - onde era o antigo Tringuilim, o novo não lembro o nome - são os únicos que prestam), os bares de raiz, hehe, desapareceram. Agora só restaurante a quilo metido a besta, botequim fake, bares caros q se acham, ai, saco!

Farei aqui, então, nostágica e protestando, um lamento-homenagem aos bares da minha vida boêmia em niterói (tenho certeza de que vou emocionar muitos amigos das antigas). Vamos lá ao rol da saudade:

- Em Icaraí - na Mariz e Barros, logo no comecinho, tinha o Aventuras na Roça, um sobrado gracinha, com milho cozido e vinho de maçã. Vc andava um pouco mais e dava no Cachaceria 7 virtudes, onde Tchelo tocava com Peter e a gente tomava cachaça Coquinho. Tchelo anos mais tarde passou a tocar no Dom Roale, tb ótimo, pertinho do Cinema Icaraí (que ainda funcionava), na Alvares. Na Belisário Augusto, o inesquecível W.O. (ai, como sonhei com ele ontem!), com aqueles tira-gostos inesquecíveis, em especial a carne seca com aipim. Na Pres. Backer, o Alfacinha (tb evitado porque era "ponto de drogas", hahahahahahaha), o 244 (em que eu e minha amiga Monica comíamos sardinha frita e derrubávamos muuuitas garrafas de cerveja nas terças de tarde) e o Farinata, em que o piano e o violão estavam sempre disponíveis pra quem tava a fim de fazer um som ou declamar uma poesia. Na Lemos Cunha com Mariz, Miguel e seu inesquecível Batipatu, com aquela gente louca e a batida de côco incomparável. Na Domingos de Sá, o Misasas e seus quitutes árabes, reunindo o povo do Salesianos, que também ia muito no Maralice, na esquina da 5 de julho com Ministro Octavio Kelly (hoje point insuportável de torcedores de futebol chatésimos). Ainda na Domingos de Sá, o Singular, mais intimista, bom pra levar o amor e ficar de chamego num papinho a dois (outro dia fui num mexicano aq em Pirá e a garçonete era a mesma do Singular, e vinte anos depois ficamos felizes mesmo com esse reencontro!). Em Santa Rosa, a gente praticamente morava na Casa Velha, bar da minha amiga Moniquinha, no final da Mario Vianna, e depois no Bar da Edna, outra amiga, esse um boteco de responsa no Beltrão. Na avenida 7, pertinho do valão, a maravilhosa e inesquecível picanha do Maurício, que depois migrou tb pra perto do valão (nem por isso a gente deixava de ir, hehe) na 5 de julho e na Lara Vilela, na esquina do jambeiro. Na Praia de Icaraí - sim, existiam bons bares na orla -, destaque para o Beer Standard, que ocupava um varandão enorme e muito gostoso na esquina da Pereira (hj o lugar é ocupado por um dos prédios mais metidos a besta de niterói), para o Giuseppe, do lado do Central, onde comíamos rã à milanesa (lembra, Gil?) e o Garota de Icaraí, perto da Oswaldo Cruz (íamos muito lá, eu e o povo do Globo Niterói, depois de fecharmos o jornal). Pra brincar de gincana cultural, o Via ápia, na esquina da Av. 7 com Roberto silveira. Na Noronha Torresão, havia o Bar da Déia, praticamente o único reduto gay feminino da cidade. E, pra encerrar, o memorável JP, bar do Duda e do Jorginho na João Pessoa, em que no fim das noites o Índio de Niterói - como esquecer? - adentrava ao som de todas as vozes presentes que o saudavam com um "Todo dia é dia de índio", enquanto ele sacava do arco e flecha e atirava! hahahahahaaha. Impagável!

- No Ingá e no centro - vou começar falando da Picanha do Maurício, que depois virou o Casa da sogra, na Lara Vilela ao lado do Solar do Jambeiro (a casa, não o restaurante, que já foi muito legal tb mas depois deu uma caída e ficou metido a besta). Logo em frente, num casarão lindo, o Parati, que primeiramente se chamou 4 gatos. Festivais de poesia, cervejadas, muitas noites namoradeiras, ai, ai... e uma justa homenagem final aos trailers do mirante onde hj está o MAC, lugar maravilhoso pra encerrar a noite e fazer um rala e rola no carro. Tudo bem q o MAC é lindo etc., mas preferia o mirante, eu juro! Os bares da velha e boa cantareira também marcaram época, em especial o Tio cotó, que amém permanece vivo. Mas o Castelinho e o He-man (esse na Praça do Rink), bares mais gays, faleceram, uma pena! Também acabou o pé-sujo ótimo que tinha na Estaçao das Barcas, fui muito lá quando trabalhei na coluna social da Estela Prestes, junto com meu amigo doido Púga (esqueci o nome, era meio americanizado - o nome, o bar era brasileiríssimo - alguém lembra?). Pra vc ver a tristeza, sinto saudade até dos botecos esfarrapados do Beco da Sardinha! E do bar do Maurício - outro, não o da picanha -, que ficava perto da Universo da Marechal Deodoro, e de um bar temático cafona de guerra que ficava em frente ao bloco A da Universo, sei lá, Kamikase, algo assim (novamente, alguém me ajuda?). Entre os blocos A e B da Universo, um senhor pé sujo, o Bar do seu Niltinho, com a cerveja sempre estupidamente gelada e o carinho do proprietário, que me dava leitinho frio (sem cobrar) quando eu tinha crise de gastrite no intervalo das muitas aulas q dava na Universo. No Centro, ainda resta pra nossa alegria e esperança o Caneco Gelado do Mário e o Monteiro, bravos resistentes! E o Cheiro de Mar tb permanece vivo e lotado nas noites de S. Domingos, com aquela vista espetacular da Ilha da Boa Viagem e da Baía de Guanabara (saudades dos sandubas com minha amiga Paulinha nas noites de volta da Castelo!).

- Em São Francisco, Charitas e Jurujuba - quase uma segunda casa na minha vida, o falecido Bigodão era meu point quase diário. Saudades imensas dos garçons, do chopp de lá q nunca mais tomei com tanto gosto e da pizza de alho com champignon. Mas a gente ia também no Céu Azul, em frente ao Bar do Lido (íamos menos nesse, pq o povo dizia que era "antro de prostituição", hahahahaha). Em Charitas, o Le Moustache (que era do mesmo dono do bigodão, mas sem o charme daquele, a gente só ia quando o primeiro estava lotado), um bar francês surreal com tochas na porta que a gente adorava (também esqueci o nome, alguém me ajuda?), o Cantinho na pedra (que ainda existe, felizmente), um bar de caldos maravilhosos em Jurujuba em que passei alguns aniversários (tb esqueci o nome, ficava numa curva perto do Pier 31, onde hoje o povo brinca de cantar no karaokê), o Farol de Jurujuba, com a melhor casquinha de siri do planeta, e o Tia Celina, q ainda existe mas perdeu parte de seu charme de comida caseira de vila de pescadores.

- Na Região Oceânica - numa região ainda praticamente despovoada, os bares eram surpreendentemente lotados. Tinha um na praia de Piratininga totalmente deserta, era um bar óooootimo, num lembro o nome, mas os drinks eram geniais, ele era bem rústico, bem no meio da praia... Tinha tb o inesquecível Poetas anônimos, com as batidas mais deliciosas do mundo (lembro que ganhei um concurso de crônicas promovido por eles com uma crônica sobre bares, que chamei de "Estereótipos anônimos", se eu achar aq vou publicar). E os dias praianos só faziam sentido se fossem encerrados com uma caipirinha no Recanto das garças, um camarão com catupiry no Canoas (ainda existe, amém), um peixe ensopado no Tibau (ainda existe, mas caidinho, caidinho) ou um bolinho de bacalhau com cerveja - infelizmente, a única q eles tinham era Kaiser, o que sempre nos deixava passando mal, mas a gente era persistente! - no Barril 3000. Graças aos céus, Seu Antonio segue vivo e forte, e depois ganhamos o Veranda, com uma batida de cupuaçu de beber de joelhos, de tão gostosa (PS. de abril/2010: infelizmente, estive lá recentemente e a batida num era mais a mesma. Q pena!). Mas os demais faleceram todos.

Bem, acho q ainda faltam alguns, mas ficarei esperando a contribuição de outras vozes. Por agora seguirei no meu boteco virtual, sonhando com os bares em que amei e onde vivi muitas histórias que agora me emocionam e me fazem lembrar de dias felizes, amores, amigos, bebidas e cigarros, violão, olhares 43 e muita, mas muita sede de viver. Que nunca me falte nada disso, nem virtual nem pessoalmente!

PS.1: Pedro Curi, pessoa boa, me lembrou que o nome do bar no campo de S. Bento é Novo Ponto (falando nisso, recentemente estive lá e comi um filezinho aperitivo q estava delicinha).

PS.2: esqueci de incluir alguns bares inesquecíveis na listagem aí de cima (um deles lembrado por minha irmã): o Duerê, em Pendotiba, onde vi Zélia Duncan, então Zelia Cristina, dar uma canja fabulosa num show em que Vinicius Cantuaria deu uma escrotizada (o show era dele, ele ficou com raivinha por um rolo envolvendo carro/vaga, deu meia hora de show e foi embora, alguém crê?). Zelia tava na platéia, era amiga dos donos da casa (Marilda, Cristina etc.) e deu uma canja de 1 hora! Maravilhosa. Depois até fiz matéria com ela pro Globo Niter. No Duerê tb fui juri de festival fabuloso de esquetes ( "Cai a noite em Acapulco", hahahaaha, nunca esquecerei o quanto ri), fiz apresentação de poesia com Si Ferraz, enfim, era um bar realmente inesquecível; tb o Nó na madeira, em Pirá, onde assisti bons shows e rodas de samba; e o Candongueiro, em Rio do Ouro, que ainda existe mas sem o charme dos bons dias, penso eu. Muito samba de primeira e bons amigos, sinto saudades do Candonga; o Latino, que ainda existe ali ao lado do Plaza, que frequentávamos muito quando o ICHF ainda era no Valonguinho; em Sanfran, esqueci de falar do Velho Armazem, ainda forte por lá, que já foi Bar Luiz (ainda considero o melhor chopp escuro de Niter); e o Devassa, que ficou pouco tempo funcionando, mas que rendeu bons chopps escuros, drinks perversos que me deram ressacas monstruosas e um caldinho de feijão q eu amava; e atualmente, mil palmas para os petiscos e o chopp delicioso do Outback, que tem salvo nossa vida em muitos momentos.

PS.3: e no momento atual, preciso por justiça incluir o Coahuila, bar mexicano no trevo de Pirá. Drinks deliciosos, em especial o Frozen, a Mexilada e o inesquecível Alexander. E os comes tb são de prima. Tá cotado!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Depois de um longo silêncio neste blog - era preciso um tempo de silêncio para que eu pudesse me ouvir um pouco -, eis-me novamente resmungando por aqui.

Falarei hoje do livro que terminei recentemente de ler (mais uma vez, obrigada, querido Marildo, pelo empréstimo e pela dica), "O filho da mãe", de Bernardo Carvalho. Literatura densa, bem escrita, soco no estômago, relações familiares, amor, perda, barbárie e novamente "A montanha mágica", em seu final estonteante, atualizado no final pancada de "O filho da mãe": guerras diferentes, a mesma dor, o mesmo desperdício humano, bildung inútil escorrendo pela neve...

Sou fã de B. Carvalho desde que li o genial "Nove noites". Depois li "Mongólia" e "O sol se põe em São Paulo" (empréstimos de Marildo e Marcel, junto com Maurinho Parada meus principais "fornecedores" desses empréstimos literários), dos quais gostei mais ou menos (o segundo gostei mais, Mongólia achei bem chato).

Agora, graças à dica de @Di_junior, aluno de Estudos de Mídia, li o maravilhoso e genial conto "Estão apenas ensaiando". Vale a pena conferir aqui.

Bem, são resmungos de gosto de leitura. Tem gente q adora tudo do cara, tem gente q nem gosta. Eu, sinceramente, acho que veio pra ficar.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
1) gosto por demais de ficar aqui no nosso ap de Cabo Frio. Vento, praia, quebra de rotina, ideal pra caminhadas, sorvetinhos, enfim, gosto e relaxo bem. Mas fico cheia de ódio no pirú nos domingos e segundas à noite, qdo uma igreja dos infernos que tem aqui na Passagem faz seus cultos do diabo com muito barulho, louvores infernas, coisa do demo mesmo. Estou enrolando há tempos pra tomar uma providência sobre isso, mas chega. Vou entrar na justiça contra essa desgraça. Fico pasma com a falta de respeito. E é capaz dessa cambada ainda alegar perseguição religiosa. Novamente: COMO É Q PODE PEDIR DIREITO LIBERAL PARA EXERCER PRÁTICAS DE DESRESPEITO???

2) ando numa fase de sorvete. Fiquei doida com o de iogurte com frutas em NY. Babei pelo de coalhada com rapadura em Fortaleza (hummmm, fico doida só de lembrar). E tá valendo tdo: italiano, kibon, mcdonald's, bob's, quasar... e o verão nem chegou ainda! quem me segura???


3) breves coments sobre Fortaleza: adorei! gostei do clima, da paisagem, do lugar. Quero voltar e conhecer mais o literal do Ceará. Mas ainda não apareceu nada que superasse, em termos de beleza, os lençóis maranhenses. Aquilo é o paraíso!

4) ando em fase de ler romance policial. Recuperando mania de adolescente. Li tudo de Agatha Christie quando tinha meus 15 anos. Há uns cinco anos tentei ler e fiquei em estado de choque com o tom etnocêntrico, racista e preconceituoso da velha dama inglesa, principalmente nas histórias ambientadas na Índia. Desisti e deixei na memória afetiva, era mais negócio. Mas meu gosto pelo gênero foi recuperado pelos livros de Andréa Camilleri, apresentados a mim por meu querido amigo Maurinho, com o fabuloso comissário Salvo Montalbano como personagem central. Sua visão de mundo, seu pavor de promoção e visibilidade, sua alegria em viver próximo ao mar, sua dificuldade em abrir mão de viver só em sua casa embora não tenha a menor dúvida de seu amor por sua eterna namorada Lívia, sua impaciência com os lentos e seu senso de justiça, sua alegria frente a um bom prato de comida, de preferência com frutos do mar, beringelas e azeites e, principalmente, seu mau-humor com o mau tempo, em especial dias fechados e chuvosos... tudo isso faz de Montalbano o maior alter-ego com que já me identifiquei. E a medida em q os livros iam passando, ele ia envelhecendo e sentindo o baque, trajetória com a qual tb me identifiquei demais. Devorei todos os livros com Montalbano (já falei dele antes aqui, eu sei, mas gosto demais, fiquei com vontade de falar de novo). E isso reativou meu desejo de ler romances policiais. Li e gostei mais ou menos de Garcia-Rosa e seu detetive Espinosa. Li e gostei muito de Connelly e seu detetive Bosch. Agora quero conhecer outros. Vou mergulhar na coleção negra da Record, lá na minha private libray na casa de Maurinho.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Amei, novamente, a viagem q fiz pra NY. Queria fazer alguns resmungos sobre isso e partilhar com meus amigos leitores, nem que seja o meu próprio ego, hehe.

1) amo o jeito de NY. Aquela babel toda, gente de tudo qto é tipo e jeito, aquele tumulto linguístico e visual, adoro mesmo, é um banquete antropológico pra mim, me deleito.

2) gosto tb da indiferença do olhar, sinceramente. Adoro o total sentido de indivíduo que sinto lá. Sei q diariamente deve ser angustiante, q faz falta pensar comunitariamente etc. Mas como supressão da rotina, férias, q delícia ser um nada no meio da multidão.

3) gosto daquela ilha praticamente reta, sem ladeiras, subidas, contornos. Adoro andar a esmo, entender a lógica, andar, andar, andar... Como diz Alberto Caeiro, no meu poema preferido, "Um pensamento visível faz-me andar mais depressa e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo". Sinceramente, sinto que essa frase foi escrita pra mim.;)

4) acho q é a meca do consumo, um shopping a céu aberto, um templo do consumismo etc. e q me deixo seduzir por ele, sem dúvida. E também fico chocada, sem dúvida: ano passado pela amplidão das ofertas, tantas lojas, marcas, cores, tipos, produtos; esse ano pelos efeitos visíveis da crise, com grandes lojas (Virgin, Converse, Circuit City etc.) fechadas, a variedade e a quantidade de produtos visivelmente menores, a presença mais eloquente dos homeless pelo metrô, nas ruas..., e, obviamente, pelo contraste entre opulência e miséria no mundo, hiperconsumo e exploração do ser humano, individualismo exponencial e perda das referências de luta coletiva etc.

5) mas confesso que quando lá fico mais fascinada do que chocada. Em parte, porque é lugar de afeto, onde reside tio muito amado. Mas também porque é um mundo muito impressionante, cujas lógicas culturais, a meu ver, são chocantes e profundamente sedutoras. E entendi pessoalmente a percepção simmeliana do hiperestímulo das grandes metrópoles: numa das últimas noites, ao deitar para dormir, eu ficava vendo, de forma similiar a quando jogamos muito tempo no computador ou no vídeogame, prateleiras de produtos - tênis, bichos de pelúcia, perfumes etc. - se alternando no meu inconsciente, como se fossem peças de majong ou tetris caindo sem parar. Te falar, fiquei bem impressionada com isso. E como estava diante de algo novo, pouco visto ainda, com o qual ainda não me familiarizei, não consegui criar, como sugere Simmel em seu premonitório artigo no começo do século XX (veja no blog do GRECOS), os filtros da atitude blasé, que me deixassem indiferentes ao hiperestímulo visual e sonoro.

6) Por fim, fico sempre pasma e incomodada com a sensação de segurança cotidiana que percebo por lá. Essa coisa de deitar relaxada nos parques, nos bancos, nas praças, mesmo nas calçadas, e dormir, ficar ouvindo música e olhando pro céu, mexendo no computador, olhando pro nada, falando ao cel, conversando com a cia ao lado, enfim, essa largação na via pública me fascina muito, sinto muito a falta de poder fazer isso aqui sem achar q serei roubada, agredida etc. Não é que lá seja impossível ser assaltada etc. é possível, mas não é provável. E isso altera muito a sensação do estresse permanente. Dá invejinha. Embora saibamos de todas as questões históricas, sociais, econômicas, políticas e culturais envolvidas nisso (pra não vir ninguém me dar aulinha sobre diferenças, please, me poupando no meu bloguezinho), a questão concreta é que dá uma vontade de ter isso.

Lugar estranho. Achei q fosse me incomodar mais essa big capital do capital. Mas me sinto bem pra caramba. E tenho um pouco de crise com isso, mas nada muito grave. Resmunguei com vcs, valeu!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Nesta semana, meio desaviItálicosada e com insônia, assisti na madruga na Globo na Sessão Brasil (ou algo assim) o filme "Anjos do sol", de Rudi Lagemann. Olha, eu gostei muito, mas tô impressionada até agora... A história da exploração sexual das meninas é muito forte, elas trabalham bem, o Calloni está perfeito, filme soco na boca do estomâgo. Também recomendo, mas preparem-se, num é hollywood não.

Para saber mais, clique aqui.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ganhei de presente, no mês passado, de meu querido ex-aluno e amigo Lucas, o livro Frenesi Polissilábico, de Nick Hornby, um de meusItálico autores preferidos (amo especialmente Como ser legal, recomendo muito, além dos conhecidos AItálicolta Fidelidade, Febre de Bola etc.). Terminei de ler ontem (foi minha cia de viagem em NY - e cia perfeita, pq eram críticas curtas, dando aquele tempo certinho pra quando a gente que é viciado em ler precisar fazer a leitura meio soluçando, ou seja, nos intervalos entre uma coisa e outra, sem continuidade), gostei muito, recomendo mesmo, especialmente para os que são: a) fãs do Hornby; b) fãs de literatura; c) ávidos por crítica cultural inteligente, sem ser pedante e escrotinha, que ensina, delicia, faz pensar, relativiza, humaniza os livros todos. Um show!

A aposta do Hornby é fazer críticas bem-humoradas, a partir de leituras aleatórias mensais, para mostrar que é impossível descolar um livro e a impressão que se tem dele do momento que se pratica a leitura, se é nas férias de verão ou no meio de um semestre atribulado, se vc tem filhos pequenos ou mora sozinho, se seu time está na lanterna ou nas finais do campeonato, enfim, Hornby capricha para mostrar que a leitura está atravessada pelo mundo da experiência concretíssima do dia-a-dia, pela memória, pelos outros discursos e referências. Repito: um show!
Vou destacar dois trechos que adorei, dentre muitos outros (um bem sensível, outro bem debochado, e eu adoro essa mistura):

- "Dois meses atras, fiquei deprimido ao me dar conta de que havia me esquecido de praticamente tudo qItálicoue li na vida. Só que já dei a volta por cima. Estou agora animado pelo seguinte: já que esqueci tudo que li, então posso ler novamente alguns dos meus livros preferidos como se fosse Itálicoda primeira vez" (grifos dele, p.49)

- "Se eu tivesse que escolher entre um fã de Celine Dion e as comédias recomendadas por Anthony Burgess, eu ficaria com a pessoa que está de pé em cima da mesa cantando "The Power of Love" sem pestanejar!" (p.205).

Tem como não amar?
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Resmunguei há pouco no twitter que num concordava muito com a consagrada idéia de que amigo é o irmão que a vida nos permite escolher etc. Não escolhi meus amigos, eu sempre me apaixono por eles e vice-versa. Como disse Pedro Lapera, meu amigo, tb no twt, "é muito mais um encantamento do que uma escolha racional". Acho que é isso, alguma coisa meio mágica faz com que a gente, no meio da multidão toda que é o mundo, goste mais de alguém, confie nele, queira estar perto, sinta vontade de rir, sinta ciúmes tb (num me venham com essa história de que amigos não sentem ciúmes, nemvemquenãotem!), sofra junto, tenha vontade de matar às vezes...

Sempre fui abençoada com essa história de amigos. Tive e tenho amigos de tudo qto é jeito. De infância, da rua e da escola, da adolescência, da igreja, do colégio, da faculdade, do bar, do trabalho, dentre meus alunos, na família, que conheci meio sem querer (amigo de amigo, alguns encontros pela vida, "já tinha ouvido falar de vc", essas coisas). Meus amores tb sempre foram grandes amigos. Desses amigos todos, alguns mantenho até hoje, outros se foram aí pela vida (alguns com bons motivos para terem ido, pois, como disse no twt tb, acho que depois que a gente conhece a maior parte de nossos amigos mais a fundo a gente escolhe matá-los ou não, aí acho que é questão de escolha, sim).

Num vou ficar elencando aqui nomes de amigos, seria injusto, sempre esqueceria alguém e tenderia a listar aqueles mais em evidência no momento, qdo outros, em outros momentos da vida, foram tão importantes qto os que agora o são. Mas queria agradecer. A todos os meus amigos, q amém não são poucos, por essa história toda. E deixar umas pistas por aqui, pra lembrar deles pra sempre (e deixar que eles brinquem de se achar aqui):

picolé de uva no tapete verde de meu quarto na casa de mãe; ouvindo A Cor Púrpura e tomando vinho; viagem pra Mauá, Mury, Lumiar, Nordeste, Sul do país, Floripa, Macabu, RO, Cabofri, Araruama, Serrinha, Maricá, Ouro Preto, Porto Seguro, Varre-sai, Iguaba, Friburgo, Miguel Pereira, Ibitipoca, NY etc.; jogo de buraco aos domingos com pastinha de kani e de ovos; violão em dupla por seis horas seguidas; vendo Friends de madrugada aqui em casa; mão no peito no bar em fim de período pra acabar com choro triste; seis horas no skipe NY-Niterói; gudan no cheiro de mar; separar recorte de jornal ao mesmo tempo que o outro pra ver expo de Toulouse-Lautrec; longa história com orientador e secretária eletrônica pra justificar apelido carinhoso; beber muito e só aceitar parar de dirigir qdo diz "num tô bebada, se tivesse trocava as síbalas"; espetar a bunda da coleguinha com compasso a aula toda e só sossegar qdo a coleguinha se encheu, berrou e foi expulsa de sala; auau e oinc-oinc; sofocley; veialacrelowe; almoço mensal no McDonalds de Realengo e a coca light mágica; tardes de papo na Casa Velha; gravar fitas de presente durante horas e com toda a lógica do mundo; radinho vermelho consertado pelo pai; beijos roubados nas madrugadas; carro enguiçado sem gasolina; fusca vinho e torta de limão; fusca amarelo e buzina que acelerava o coração; mau-mau com "vamos fuder a gorda"; "Corre que a gente tá sendo assaltada"; jogo viking na piscina; piscinão de ramos; história longa sem pé nem cabeça que sempre num tem graça no final; voto de silêncio; pedindo a comida pra mim no Bibi sucos; chopp e pizza de champignon com alho no bigodão; queimado, bandeirinha, pique e stop no quintal de macabu; partida de buraco de 50 mil valendo uma laranja ou um guaraná caledônia; correndo pra assistir treino de futebol na praia do Leblon à noite; pizza a onze real; lanchinho no lami depois do grecos; circulando de casa em casa de bike em sanfran; pegando dois ônibus pra fazer trajeto sanfran-fonseca; organizando time e torcida de olies; conselho de classe na casa de mãe, com piscina, macarrão e suco de caju, pra 40 cabeças; taco na rua de sanfran; master, desafino, imagem&ação, perfil, trivia, adedanha, dicionário, war, detetive, pega vareta, resta um, dama, xadrez, ludo, escravos de jó, 21, poquer, buraco, maumau, tapão, quatro damas, robamontinho, dominó, crapot, bom dia meu senhor, palavrão, mexe-mexe, yam etc.; cia pra ir pra médico, banco, jantar de pai, roubada, encontro às escuras etc.; saída pós-reunião de pauta/fechamento globo niterói pra beber nos Jogados Fora; pão de cebola da beira-mar; conversa de quatro horas sentada no hidrante da moreira com pres. backer; reguinha e Faminha; assistir às finais do mengão com a cachorrada toda; caio martins e maracanã; frescobol; praia e caranguejo; almoço na sexta no Monteiro com almôndega, xavecada e língua mordida; galeto com omelete e farofa brasileira perto do globo; gosto parecido por literatura e segredos amorosos partilhados; desabafos e pizzas no nitgrill; risadas no museu; dia inteiro na praia das Conchas; sequência de tombos: pastel, cachoeirão, enterro da árvore de natal velha, moto, cipó; tradicional "jantar de fim de ano dos amigos" e momento "esse veio ao mundo a passeio"; orelhão no tapão na puc; assistir jogos de handebol e basquete cem mil vezes; dormir na casa das meninas na vila; amigo oculto com "donde estará el Duda?"; ir no convento de santo antonio dia 13 de junho pra pegar benção; pão com mortadela no laboratório; comida nordestina no Tinguá, com sinuca e "undererê" na jukebox; o mesmo banco pra conversa fiada na praia de sanfran; grupo de estudos de cinema e ficar na sala ouvindo Legião; casas em que me senti bem, no beltrão, no flamengo, em laranjeiras, em sanfran, em são domingos, em santa rosa, na tijuca, na lagoa, em macabu, no ingá; ovo recheado e "paga pra mim q tô sem trocado"; fatia de quindão; dormir de mão dada; histórias, histórias, histórias sem fim...
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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Minha mãe e meus irmãos sempre debocharam de minha euforia com Friends. Me achavam nerd e meio idiota pq eu ria muito com aqueles seis (meus irmãos me acham muuuito otaku, hehe). Mal sabiam eles que em casa eu era comedida pra caramba, eles precisavam ver como que eu assistia Friends quando estava no laboratório de jornalismo que coordenava lá na Castelo... eu e meus amados estagiários ríamos de gargalhar, muito, e era de praxe parar a aula às 20:00 pra assistirmos o episódio inédito da terça-feira. Ai, ai, aquilo era uma tradição maravilhosa.


Friends foi a primeira e mais amada série que acompanhei. Até hoje choro de rir qdo vejo episódios esparsos. E qdo deprimi feio em fevereiro último com as então sombrias perspectivas sobre minha saúde, foi a eles, meus amiguinhos, que recorri para gargalhar e esquecer, vendo compulsivamente um episódio atrás do outro.

Depois tive outras paixões: Lost, Dexter e The L Word. Claro que vi tb partes de uma penca de outras séries, desde Felicity (a piranha com o gravador, hahahaha) até Will and Gracie, passando por The 70's show até Weeds, por aí vai... Mas gostar mesmo, gostei dessas quatro que listei acima, com Friends em primeiríssima.

Ontem, num fôlego só, vi/revi toda a terceira temporada de The L Word. E chorei pacas com a morte de Dana, minha personagem preferida. Essa coisa de série é estranha mesmo. A gente se apega de uma forma que o troço fica na cabeça, a gente se envolve, é meio tipo novela mas num é, sei lá, parece amigo da gente. Bem, difícil de explicar. Acho que só os otakus me entendem. ;)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Infelizmente, vou doar os meus all stars. Com tristeza, pq sou doidinha por eles, especialmente o laranjinha, que comprei com o dinheiro do porco. Não são muitos, mas sempre me sinto bem qdo os coloco nos pés, me lembram a leveza dos meus vinte anos. Fiquei muito tempo sem usar, tornei há alguns anos, e agora a fascite maledeta me impede de usá-los, pq com eles a dor volta. E prefiro, mesmo amando meus caninhos curtos de lona, um pé saudável e sem dor. Mas lamento, confesso, essa despedida. O q salva é que é minha sobrinha q vai herdá-los, e eu a amo muito e tenho com ela imensa afinidade. Bem, já é um consolo. Mas vou chorar lagriminhas fetichizadas qdo eles se forem, mais um pedaço de meu lado Peter Pan que se encerra. "Vida, vida, vida, que seja do jeito que for".

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Tô aqui ouvindo e vendo o show do RC no Maracanã, e toco a me emocionar quando ele canta músicas antigas, tipo "Eu te amo". Isso me lembra muito minha infância, meu radinho vermelho que só pegava AM, "show dos bairros" na rádio Mundial, Rádio Popular Fluminense de Conceição de Macabu, os discos que minha madrinha Leninha sempre nos dava do Rei no natal, ah, eu escutava e gostava muito. E ainda tinha a espera quase mágica pelo show do Rei, especial de Natal, era um evento comparável à missa do Galo. Já falei isso numa banca, inclusive: o show anual do Rei, na cidade do interior dos anos 70 e início dos anos 80, era uma cerimônia televisiva e presencial, um ritual mítico, muito diferente, em termos de fruição, da experiência do público urbano. A gente ia assistir aos shows do Rei na casa de Tia Vilma, que tinha tevê em cores e quando a imagem estava boa o povo exclamava que "estava que nem um tapete", hahahaa, que saudades!

Isso me fez lembrar uma coisa q já queria postar aqui, sobre música brega. Tem a questão do gosto etc. Tem tb uma certa vontade de implicar, que faz com q a gente escute, cante e toque na viola só pra irritar os pretensos puristas e eruditos. Mas, no meu caso, tem a ver com memória e afeto tb, e muito.

Lembro que quando li o magistral "Eu não sou cachorro, não", livro do Paulo Cesar Araújo (que depois iria escrever uma belíssima biografia sobre o Rei, aquela da polêmica e da proibição babaca que quase me fez desgostar de RC) sobre música brega, entendi perfeitamente quando ele, logo no prólogo do livro, contou como a música brega estava ligada à sua infância em Vitória da Conquista, na Bahia, tendo sido trilha sonora de muita coisa da história dele. Me identifiquei totalmente.

Kátia Cega, Jane e Herondy, Perla (a paraguaia, não a roqueira), Lilian, Luis Ayrão, Benito de Paula, Gilliard, Sidney Magal, Marquinhos Moura, Roupa Nova, os Fevers, Sullivan e Massadas, Ruy Maurity, Vanusa... ah, são tantas emoções, como diz o Rei, devo até estar esquecendo de muitos (só ao escrever aqui lembrei de Rosana, Adriana, Joanna, Yahoo, Gretchen... ih, se deixar a lista é infinita).

Eu ouvia esse povo diariamente no rádio, tocava (com coro familiar e de amigos) no violão e via nos programas de tevê, especialmente Globo de Ouro, no Chacrinha e no Silvio Santos. Poucas memórias me são tão afetivas e divertidas do que as do "Qual é a música?", do SS (sobre o qual farei outro dia um post em separado, ele merece), no qual esse povo era atração principal: Patotinhas x Gilliard; Ronnie Von X Gretchen; Ronaldo Resedá x Vanusa, "pablo, qual é a música?", "maestro zezinho, quantas notas?"... realmente, dias memoráveis, domingos inesquecíveis em Conceição, em Maricá ou mesmo em minha casa em Niter.

Tenho muitas preferidas. Até hoje, "Desabafo", do Rei, e "Sonhos", do Peninha, são carro-chefe nas minhas perfomances violeiras, e sempre fazem muito sucesso com o povo todo. Mas coloco aqui, de prêmio, a mais inesquecível: Kátia Cega em "Qualquer jeito". A minha amiga Adriana Facina está fazendo pesquisa sobre música popular e entrevistou vários desses nomes citados acima. Estou doida pra ler os resultados. Essa turma faz parte da história minha e de muita gente, e quando "fecho os olhos pra fazer passar o tempo", cantando com emoção cada uma dessas melodias, sim, amo, com orgulho, a música brega, amo, amo e amo!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ela morreu de amor, no dia do seu aniversário, tirando sua própria vida aos 36 anos. Seus poemas são tão, mas tão bonitos que quase desfaleço quando, em fases mais melancólicas, me pego relendo seus sonetos e rimas poderosas. Florbela Espanca, essa voz mágica do Alentejo. Realmente, tenho predileção pelos portugueses, vide "poemas preferidos - parte 1".

Podia escolher qualquer um dos que ela escreveu, acho quase todos perfeitos. Mas vou escolher três, dentre os que me tocam mais profundamente (o primeiro em homenagem à minha querida Lu Ribeiro, parece ter sido feito para ela): "Versos de orgulho", "É um não querer mais do que bem querer" e "Amar".
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Lembro como se fosse hoje. A gente na casa da Tina, em São Francisco, sem fôlego, vendo "Corpos ardentes". William Hurt e Kathleen Turner. Caramba, tão novos, sensuais, calientes. Aquele calor todo, aquela trama, aqueles olhares 43, aqueles cigarros, aquele suor... ai, "Corpos ardentes" foi um marco, nos anos 80, de nossa imaginação fértil!

Depois vi a KT em tantos outros filmes: "Guerra dos roses", "Tudo por uma esmeralda", "Minha mãe é uma assassina"... depois, como nunca mais a vi, só restou em minha mente as imagens glamourosas daquela atriz de tanto sucesso e beleza que marcou minha adolescência.

Hoje, levei um susto daqueles, quando, despretensiosamente, assistia a "Marley e eu". Tinha visto o nome dela nos créditos, até fiquei feliz, mas não estava preparada para aquela figura, a apoteótica KT, no papel da descabelada e masculinizada treinadora de cães.

Olha, sei q a vida é isso mesmo, as pessoas envelhecem, ficam diferentes, isso acontece com todos e comigo tb. Nem quero dizer q pessoas mais velhas etc. não têm beleza etc. Estou só lamentando o choque entre meu imaginário perpetuado, tão ingênuo, e a vida e sua temporalidade sempre tão eloquentes. Sei que as pessoas envelhecem, mas meu imaginário não.

Por isso, confesso, nem prestei muita atenção no drama canino, embora sensível (embora, tb tenha que confessar, aquela esfinge do Owem Wilson, uma versão loura do cigano Igor, num ajuda muito), pq estava era pensando no drama da vida. Pasmei! Please, alguém levanta o queixo caído do meu imaginário???!!!




Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Outro dia declarei meu amor por Kandinsky. Aprendi com o prof. Afonso Henriques, na banca da querida Carlinha, que parte da arte moderna se inspirou nas pinturas rupestres para criar suas formas e estilos, Kandinsky entre eles, na busca dos arquétipos universais, as representações míticas e imemoriais. Kandinsky e também os grafiteiros, preferências favoritíssimas. Muita coisa se esclareceu pra mim naquele momento, pois gosto de pouca coisa em artes plásticas (embora admire e ache bonito uma penca de outras coisas, mas que não me falam ao...), dentre estas poucas, os que citei acima. Bom entender as coisas...

Mas hoje faço aqui homenagem ao meu mais preferido de todos, amo tuuuudo desse homem, tenho poster dele na minha sala de casa e tinha na parede de meu laboratório de mídia e Identidade (LAMI), gosto da fase dourada, da fase púrpura, da influência oriental com a técnica do preenchimento da tela inteira, como um mosaico, gosto da antecipação que ele faz dos rostos femininos auto-suficientes, autônomos, cheios de si, tão raros em fins do século XIX e que Hollywood iria consagrar depois com figuras como Marlene Dietrich, Rita Hayworth e Greta Garbo e amo, amo, amo "O beijo".
Gustav Klimt, essa perfeição!





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Olha, num tem como não gostar de Parati (não gosto do y, me lembra Nichteroy), esta é a verdade, inclusive na FLIP. Mesmo com aquela penca de gente andando pra lá e pra cá dando pinta de intelectual, de letramento puro, genuína sede de erudição, nada disso abalou nossa auto-estima. Cachaçamos, tb demos pinta, andamos pra cima e pra baixo naquelas pedras centenárias, olhamos aquele casario, compramos livrinhos e souvenirs, fofocamos e rimos bastante, enfim, pouco nos importava as mesas de debate, como já disse, já nos basta a quantidade de congresso malésimos que temos q enfrentar. Sinceramente, a professorada queria mesmo era festa!

Mas queria fazer uns coments finais:

1) casario, gente, o que é aquele casario? sempre me emociono. Tenho alma antiga. Mas sinto falta de uns banquinhos, como esse filho único no qual apareço sentada aí abaixo, pelas ruas da cidade, pra gente sentar e contemplar a vida.

Aquele vai e vem sem paragem (já q não dá pra sentar na soleira das portas, embora eu tenha tentado algumas vezes, hehe, vide foto tb abaixo) acaba parecendo shopping a céu aberto. Campanha já: bancos pra gente sentar, seu prefeito!!!

2) comprei um notebook cor de abóbora, souvenir da FLIP, pra fazer anotações, visando esse bloguinho aqui mesmo. Coincidentemente, comprei e li num dois "O Caderno vermelho", de Paul Auster, no qual ele recolhe historietas interessantes pela vida a fora e depois publica. Me inspirei e espero que o blog seja a publicação de meu "O caderno abóbora". Histórias não vão me faltar e em breve começarei essa série.
3) Por fim, ganhei de Maricota uma bolsa amarela, tb da FLIP, gracinha. Estou usando pra colocar trabalhos e monos neste fim de período, mas se deus quiser em breve terá um fim mais nobre: servir de bolsa de praia!!! Mas a bolsa amarela me lembrou livro MUUUUUITO querido, "A bolsa amarela" de Lygia Bojunga Nunes. Tentei achar um dos livros dela na Flipinha, mas neca. Demodê. Como pode? Premiadíssima, magistral, nunca esquecerei seus maravilhosos livros: além de "A Bolsa Amarela", "A casa da madrinha", "Angélica", "Os colegas", "O sofá estampado", "Corda bamba", "Tchau", "O abraço", "Nós três".... ah, meu pai, que saudades, queria tanto ler de novo, mas num tenho mais!

Ninguém tem pra me emprestar?

Na boa, obra-prima, fabuloso, escreve pra caraio!!!!
Quem quiser saber mais sobre ela, clica aqui.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Devaneios. Esse é o blog de meu querido aluno Diego Dacal, por quem tenho grande admiração. Tem personalidade, é curioso, inteligente, boa pessoa e muuuito, mas muito multimídia. Levo a maior fé nele, gosto da sua visão de mundo - mesmo quando discordamos - e recomendo tudo q ele faz: foto, texto, blog etc.

O blog é esse.
O Flickr é esse.
E ainda tem o blog do projeto Olhar Oriximiná.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
amo Kandinsky. É um dos artistas que mais gosto e quando vejo suas pinturas, mesmo em réplicas mínimas na internet, quase sempre meu espírito se alvoroça. E algumas vezes fico mesmo emocionada. Arte é coisa engraçada, né? Pra muita gente, o amontoado de cores, traços, riscos de Kandinsky parece aleatório, nada dizem. Para mim, são comoventes.

Ano passado, quando estive em NY, tive a oportunidade de ver, ao vivo, o quadro de Kandinsky que tenho em forma de poster na sala de minha casa, e que adoro. Fiquei muito, mas muito emocionada. Como não sou muito ligada em artes plásticas, de forma geral, vou fazer uma serizinha aqui no blog com os meus preferidões, aqueles que me comovem pra valer. Comecei com esse queridão, pra quem olho todo santo dia aqui de meu sofá vermelho.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Essa é uma das minhas preferidas, por muito tempo ficou como papel de parede do meu laptop. Altos papos!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Acabei de ler Filho eterno, de Cristóvão Tezza. Sem dúvida, um bom e interessante livro. Bem escrito, original, obviamente comovente. Acho que merecia os prêmios que levou. Gostei, no geral.

Mas fiquei meio incomodada com o ego masculino do narrador. Mais do que uma narrativa sobre o filho, me pareceu uma narrativa sobre um umbigo masculino, um egocêntrico em torno de quem giram todos, inclusive o filho, a família, o mundo. Sei lá, achei pouco generoso com a alteridade.

Não estou falando que é reflexo do autor, de sua visão de mundo, de sua vida. Não o conheço e já tô meio escaldada pra não ter pretensão de cobrar coerência entre ficção e representação da realidade, mesmo sendo o livro em tese inspirado na história e na trajetória do autor.

Mas estranhei e fiquei meio pasmada com a ausência da mulher/mãe na trama, nada, nem um registro, só um fiapo, um nada que percorre poucas linhas (parece Geertz na descrição densa da "Briga de galos", em que a mulher antropóloga aparece no primeiro parágrafo e depois vira "fumaça, fumaça, fumaça..." - momento homenagem). Da mesma forma, a filha, que só recebe como referência o rótulo de ser normal, é um nada. E mesmo o filho, razão e tema do livro premiado, é um atalho por vezes embaçado para a grande descrição de si, deste narrador autocentrado, seus desejos, seus sonhos frustrados, seu grande livro sobre ele mesmo, o grande homem, o perdido, o frustrado, o que precisou aprender a viver com a dor da imperfeição.

Sei lá, achei que se trata de um livro sobre uma forma cultural masculina de pensar o mundo. Egóica e, ainda que emocionante e bem escrita, irritante, por lembrar esse grande umbigo homásculo. Não à toa está lá o futebol como grande metáfora da comunhão masculina. No fim das contas, num senti empatia pelo narrador, coisa rara comigo num livro, inda mais com tema pungente. Me lembrou, de certa forma, mau-humor que tive com o maestro filho da puta de Valsa negra, de Patrícia Mello. Confesso que este último foi capaz de me despertar mais compaixão do que o pai umbiguento do filho eternamente secundário na trama de Tezza. Gostei, mas num lia de novo, não.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Num sei quem são, alguém me passou por email, mas adoro essa bobeira!
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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Quando tive a idéia de criar o Baiúca, e isso foi muuuito antes do post do "agora vai" lá de 2004, pensei em criar um blog principalmente pra poder falar das coisas absurdas que cotidianamente lemos, vemos, recebemos midiaticamente ou não.

A inspiração foi uma nota surreal em um jornal desses de bairros, que são distribuídos gratuitamente na padaria, aqui de Niterói, que peguei e li na praia. Numa coluna, a autora, cujo nome não me lembro, compôs uma nota que era uma pérola de ponta a ponta, algo sobre discriminação. Infelizmente, não achei mais o recorte com a tal nota (sim, havia um recorte, pois havia o desejo de começar o blog comentando essa fatídica nota), mas gostaria de prestar uma singela homenagem ao seu texto, ao menos à sua frase inicial, que era mais ou menos assim:

"Há quem diga que o preconceito não é uma coisa boa."

Essa frase impressionante nunca me abandonou. Infelizmente, como já disse, não tenho o restante, era do mesmo naipe, mas um brinquinho em termos de falta de noção.

Assim, o sonho do blog era esse, o de gongar falas e falantes, imagens e aparecentes. Nunca tive tempo e talvez talento pra fazer isso direito. Agora tô aqui dando umas peruadas, mas timidamente.

No entanto, tive o prazer de descobrir que tem gente com tempo e talento de sobra pra gongar essa gente tudo. Vou elencar abaixo os meus três blogs favoritíssimos. Leio todo dia. Queria ser essa gente debochada. São meus ídolos. Sem eles, minha vida - e a de muita gente - seria muito, mas muito pior. Obrigada, meus reis!

- Te dou um dado? - o melhor de todos, disparado, sou doida por essa gente, em especial Tia Lelê e Tia Polly.

- Kibeloco - adoro! Principalmente os vídeos. (http://twitter.com/kibeloco)

- Katylene - quando acerta a mão, me faz rir por muito tempo. Sinto falta do velho e inesquecível, o campeão dos campeões, papelpobre. Mas esse tb me dá muitas alegrias. (http://www.twitter.com/katylene)

Esses três num é só questão de recomendação, é de salvação mesmo!