Seja bem-vindo ao meu boteco virtual. Como acepipes e tira-gosto: resmungos, poemas, fotos, desabafos, coments, textos aleatórios, homenagens, debochinhos e o que mais couber. Bebidas ao gosto do freguês, mas de preferência coca zero com gelo e limão, porque, conforme a lenda: "a bebida entra e a verdade sai".
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Era antevéspera do aniversário dela. Passaram a noite anterior na cama. A manhã de segunda também. Sem se soltarem. Ela chegou muito atrasada na reunião. Com cara de louca feliz. Saiu da reunião, tomou café com o amigo e voltou pra casa, pra mesma cama. Novamente sem se soltarem. Diziam, em êxtase, sorrindo, na dosagem mágica do amor: "sem espaço". Sem se soltarem, na felicidade plena, "sem espaço, sem espaço".
O que se passou depois daquele dia - o fim, o fim -, ela nunca conseguiu entender.
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adoro coments no blog, negativos ou positivos. Mas só permito os identificados. Anonimato pra comentar opinião alheia é covardia. Aqui só rola quem se posiciona, regras da casa. E quem coloca nome sem link, sem ser conhecido previamente, pra mim é anônimo tb. E num aceito grosseria gratuita em coment. Como disse, regras da casa. Apaguei muitos hoje. Gente chata! vai fazer um blog pra encher a paciência dos outros, peloamor!
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Se isso num é ideologia ... não sei o que mais pode ser!
Mauro Ventura, em trecho de livroSOBRE INCÊNDIO no circo EM NITERÓI EM 1961 (ou seja, sobre um acontecimento que nada tem a ver com o contexto referente ao trecho abaixo, que aparece como quem não quer nada no meio do livro):
"Se não tivesse escapado do incêndio com a ajuda do pai, o comandante-geral da Polícia Militar (...) não teria se tornado um dos principais nomes da maior vitória das forças de segurança sobre o crime da história do estado do Rio, com a tomada da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, em novembro de 2010" (p. 29).
???? Pode??????
E pra fechar meu coment sobre esse livro: como uma boa ideia e um bom material de pesquisa podem ser desperdiçados, vou te contar!
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Ele e Zico foram meus ídolos nos meus dez, quinze anos. Época em que ídolo é coisa muito séria e em que eu era fanática por futebol. E o doutor Sócrates ainda era médico, meio revolucionário, democracia corintiana, falava bem, era politizado, vizu meio Che Guevara, e aquele futebol, porra, que futebol! O calcanhar mágico, as cobranças de faltas, os lançamentos, os gols de craque... O mundo precisava de outros como você, Doutor!
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Tenho ouvido, para experimentar, algumas rádios on-line enquanto trabalho no escritório. Faço a escolha por este site, o "Rádios ao vivo", que tem uma oferta imensa.
E estou fazendo um ranking particular. Vou recomendar algumas aqui, para quem tiver interesse.
Para começar, conheci ontem a "Brasileiríssimas", uma ótima e variada rádio de música brasileira, incluindo classicões, pop, alternativos e umas coisas mais raras, dos anos 80, que adoro. Gostei bastante!
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Hj assisti, finalmente, à animação Rio. Olha, por que o diretor/autor/roteirista, enfim, por que os responsáveis por uma animação tecnicamente impecável, com personagens simpáticos, com paisagens cariocas fabulosas, dão uma de "babaca mor" ao colocarem os micos (todos pardos/morenos) como ladrões e funkeiros? Qual a necessidade de ser tão escroto, meu pai?
Por que alguém se dá ao trabalho, depois de fazer a analogia óbvia acima, de colocar na boca/bico de um pássaro BRANCO a inacreditável frase "isso que dá mandar macaco fazer trabalho de ave" (não estou citando literalmente, mas é isso aí, mais ou menos).
Cara, num consegui mais curtir o filme. Aí a gente fala e o povo reclama do politicamente correto. Gente, qual a necessidade de ser tão preconceituoso, tão gratuitamente preconceituoso, tão gratuitamente babaca? Num consigo entender.
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Hj tive o desprazer de assistir ao inacreditável discurso da dep. estadual Myriam Rios (sim, ela foi eleita! Sim, me recuso a postar aq e ofender ao meu blog querido!) sobre suas posições acerca das leis anti-homofobia (ela está se opondo ao PEC 23/2007, que na surdina foi votado e derrubado no dia 21/06/2011. Saiba mais aqui e vejam no que dá ter tolerância com quem é intolerante. Mais uma regressão no campo legal, que lamentável!). Não deveria mais perder tempo com essa gente que não se sabe se age assim por má fé (que ironia, né?), ignorância, medo, obscurantismo, vontade de aparecer, ah, nem sei mais como classificar essa profusão de falas homofóbicas, preconceituosas e discriminatórias que são emitidas em público com um suposto aval da democracia, do livre pensamento religioso, do sei lá mais o quê. Para mim, são discursos ofensivos e empobrecedores do debate, mas, principalmente, extrapolam o campo dos argumentos e geram ações como a derrubada do PEC 23. Portanto, resolvi que num dá para me omitir e não comentar a surreal fala acima citada.
Vamos aos pontos:
1) ela afirma, no discurso, que se o PEC 23/2006 for aprovado ela ficará impedida de demitir um empregado se ele for pedófilo. Oi? gente, pelo amor de Deus, avisa pra essa senhora que pedofilia é crime, então ela pode sim não só demitir como principalmente denunciar um pedófilo! O que ela não pode é fingir que num sabe (porque num é possível, eu sei que ela sabe) que pedofilia não é sinônimo de ser gay, e que existem pedófilos homossexuais, infelizmente, mas também infelizmente pedófilos heterossexuais (e muitos, minha senhora, muitos!). Portanto, se seu empregado, hetero ou homossexual, for um pedófilo, a senhora deve mesmo demiti-lo, denunciá-lo, fazer de tudo para que ele não possa agir nem perto de seus filhos nem dos filhos de ninguém (estratégia melodramática muito usual e eficiente, a de chamar a comoção do público para seus argumentos usando da seguinte frase: "sou mãe de dois filhos", usada não só por Myriam Rios, mas por tantos outros "defensores da família" e, em nome disso, defensor dos preconceitos também, vide a fala de Leilane Neubarth que já comentei nesse post). Mas o que a senhora não deveria (e se tudo correr bem, se o mundo for justo, com aprovação posterior dessa Lei - ela ainda terá que ser objeto de apreciação mais uma vez - ou de outras, como a PL-122, o que a senhora NÃO PODERÁ) é imputar a uma pessoa um rótulo criminalizável, como associar a um homossexual a acusação de pedofilia, a priori, porque isso é discriminação e também calúnia e difamação.
2) Vamos entrar agora nesse surreal argumento "Quero dizer que não tenho preconceitos, que não estou discriminando ninguém", pra depois sair discriminando a torto e a direito, povoando o mundo de
preconceitos e estigmas aviltantes. Vou repetir: NÃO PODEMOS TOLERAR QUE OS DEFENSORES DO PRECONCEITO, ESSES ARAUTOS TOTALITÁRIOS QUE QUEREM IMPOR SUAS VISÕES DE MUNDO SOBRE OS DIREITOS DOS OUTROS, ADVOGUEM DIREITO DE IGUALDADE DE OPINIÃO, DIREITO DE EXPRESSAR SEU PRECONCEITO PORQUE ISSO É DEMOCRÁTICO. Não, não é. É totalitário, já escrevi sobre isso nesse post e não vou me repetir. Mas não aceitamos mais esse argumento. Bata no peito e assuma: sou totalitário, quero despedaçar você, por ser diferente de mim, não quero que você tenha o mesmo direito que eu, e aí a gente conversa. Fora isso, para mim você está se portando duplamente como um cínico e um preconceituoso.
3) Ela repete várias vezes: "imagina vc contratar um empregado para cuidar de seus filhos e depois descobrir que ele é homossexual". Essa dimensão do "descobrir" me lembra muito a sempre atual obra de E. Goffman, Estigma (senhora deputada, vença seu medo do conhecimento, procure ler esse livro, venha para a luz, Caroline!). Nele, Goffman distingue os desacreditados (aqueles que portam estigmas visíveis, marcas corporais, e serão discriminados por isso) e os desacreditáveis (aqueles cujos estigmas são passíveis de disfarce e manipulação, por não serem marcados pelo traço físico objetivo, mas que se forem descobertos serão discriminados). Para os primeiros, os estigmatizados/desacreditados, o problema está no contato, pois este é marcado sempre por uma situação tensa em que a materialidade do estigma evoca o preconceito e a discriminação. Para os segundos, os estigmatizáveis/desacreditáveis, o problema é a informação, o controle sobre ela, quem pode saber, quando, onde... trata-se de uma situação de absoluta tensão e neurose, já que sobre o desacreditável paira a sombra do medo de ser descoberto.
E a deputada Myriam Rios, que acha mesmo (será que acha?) que não está discriminando ninguém, quer perpetuar exatamente esse medo, essa tensão, essa neurose. Ela quer que seu empregado (olha, me recuso a comentar o quanto esse exemplo sobre contratar empregados como único meio de contato com homossexuais é chocante, nem o caráter classista dessa exemplificação) continue se escondendo, mentindo para se proteger, controlando as informações acerca de sua vida privada para não ser descoberto, porque se for, segundo o que sugere a deputada, o levaria a perder o emprego. E ELA VEM DIZER QUE ISSO NUM É DISCRIMINAÇÃO!!!! Ah, num tem como ter paciência com esses argumentos.
4) Podia falar aqui do estado laico, da necessidade de contermos, com urgência, esse avanço das posições religiosas sobre questões de direitos individuais, mas isso já vem sendo pauta de inúmeros artigos e falas (recomendo, por exemplo, essa entrevista com o deputado federal Jean Wyllys). Prefiro abordar aqui a importante questão levantada por H. Bhabha a respeito das relações ambíguas entre colonizadores e colonizados. Segundo ele, os colonizadores, buscando situações de controle e dominação, esmagavam os direitos dos colonizados, oprimindo-os. Para isso, deslegitimavam qualquer fala destes, acusando-os de uma não humanidade, de inferioridade, de representarem o perigo da anomia, o primitivismo. No entanto, mostra Bhabha, ao mesmo tempo que oprimem e desqualificam os colonizados, os colonizadores os fetichizam, transformando-os em objeto ambivalente, significante de um misto de temor/medo com fascínio/desejo. A ação de sujeitar o outro, antes de significar somente um atestado de poder, demonstra Bhabha, é uma alegoria de uma ambiguidade constitutiva da relação colonizado/colonizador: lugar de temor e também de desejo, o colonizado precisa não só ser domesticado, mas principalmente fetichizado, para que o opressor possa lidar com seus medos e seus desejos, como o medo/desejo de, de alguma forma, ser dominado por aquele a quem domina ou, em última instância, tornar-se um deles, e o pior, gostar de tornar-se, desejar tornar-se aquilo que em tese se abomina.
Acho essa uma excelente forma de pensarmos a relação da hegemonia heterossexual em relação ao homossexual. Claro que não estou propondo aqui uma aplicação colonizador e colonizado ao pé da letra, mas pegar por empréstimo o que Bhabha aponta existir, no jogo perverso do fetiche, de medo e desejo nas relações de dominação.
Porque venhamos e convenhamos, essa fixação de uma parcela de religiosos brasileiros com a questão dos direitos homossexuais pode ser pensada claramente nesses termos do fetiche. Aliás, frente aos últimos acontecimentos, já estamos no campo da obsessão.
Portanto, acho que esse bando de preconceituosos travestidos de bons samaritanos está precisando mesmo é de uma bela de uma ... terapia gigante! Ou, pelo menos, de dar uns bons beijos na boca. Talvez parassem com essa encheção.
Terminarei com um "Você dedide" particular. No filme "O grande debate", o orador negro, que vencerá ao final o desafio dos debates que perpassa o filme, termina seu consagrador discurso sobre a segregação racial norte-americana com a seguinte observação (não lembro ao pé da letra, então é mais ou menos isso): "frente ao que vocês nos fizeram, só nos restava escolher entre a desobediência civil e a violência. Vocês têm sorte por termos escolhido a desobediência civil". Ora, não precisamos chegar a tanto por aqui. Não precisamos nem de um nem de outro caminho. Escolhemos o de lutar no campo das leis.
Mas deixo aos discriminadores, esses falsos cristãos, que fingem que pregam o amor ao próximo mas só tem, como narciso, amor a si mesmo, o seguinte direito de escolha: abaixo endereço duas mensagens a vocês. Dependendo do seu comportamento em relação a mim, te ofertarei uma delas. Agora é com você!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Conheci recentemente o blog da Rávellyn, minha aluna neste primeiro período de sociologia em 2011/1. Sempre fico impressionada com a sensibilidade e com a força de expressão dos blogs pessoais. Sou fã.
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Dando prosseguimento à série de receitas e dicas culinárias bem facinhas que pretendo disseminar neste blog, segue a receita de um delicioso e saudável antepasto de abobrinha:
1) Corte picadinho ou em tirinhas (como vc preferir):
- 2 abobrinhas (se preferir, faça com 1 abobrinha e 1 berinjela, ou com duas berinjelas)
- 2 tomates (sem caroço)
- 1 cebola
- 1 pimentão amarelo ou vermelho (ou os dois, fica ainda melhor)
- 8 dentes de alho
2) coloque num tabuleiro e misture com um punhado de orégano, sal a gosto, 1/2 xícara de azeite e 1 pouco de vinagre
3) cubra o tabuleiro com papel laminado e coloque no forno para assar por cerca de 1 hora e meia, em fogo médio/alto (250°, mais ou menos)
4) depois de pronto, misture um pouco de cheiro verde picadinho.
Pronto, tá no pontinho pra servir. Fica tão gostoso que dá pra comer puro esse antepasto, ou com torradas, num sanduíche, acompanhando a comida... e se você quiser, depois coloque mais azeite ou sal, de acordo com sua preferência.
Como reclamaram que no primeiro post desta série, sobre meu arroz elogiado, a foto num era do mesmo, agora tô matando a cobra e mostrando o pau. Nas fotos abaixo, o antepasto pronto pra ir ao forno, ainda cru; e num segundo momento, já pronto pra ser servido. Tudo de minha própria autoria. :)
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Estou lendo o sensacional "Lendo Lolita em Teerã - memória de uma resistência literária", da iraniana Azar Nafisi. A autora, professora de literatura inglesa e exilada nos EUA, narra suas memórias sobre o processo de endurecimento pós-revolução no Irã, em 1979, a suspensão de seu direito de dar aulas na universidade de Teerã, a proibição pelo regime dos romances ingleses, a obrigação do uso do véu para as mulheres em lugares públicos e as pequenas resistências que ela e suas alunas faziam cotidianamente, em especial o grupo de estudos sobre romances ingleses que mantinham, clandestinamente, na casa de Nafisi nas quintas pela manhã, durante dois anos. Nesses encontros, liam e discutiam romances e suas próprias vidas. Esse jogo de memórias e subjetividades faz desse um livro magistral.
Mas não pára por aí. A autora aproveita para fazer crítica literária de altíssimo nível, entremeada com as fragmentações da memória e uma narrativa muito bem costurada. É romance com crítica literária, acredito que um sonho daquela professora que achava que a ficção era fundamental para a vida. Cada parte do livro traz muitas referências literárias, mas é costurada em torno de algum grande autor ou romance. Já terminei as duas primeiras partes, dedicadas a Nabokov e ao "Grande Gatsby". Estou no meio da longa parte três, que tem como fio condutor Henry James. A última é dedicada a Jane Austen.
Sobre a primeira parte, gostaria de fazer dois coments. No mesmo dia em que consertei minha bicicleta e fiz coments no twitter sobre a sensação maravilhosa de voltar a sentir o vento batendo no meu rosto ao andar de bike, li um trecho em que a autora e suas alunas comentavam o que mais as impressionaram quando leram "Madame Bovary", de Flaubert. E o vento batendo no rosto de Emma Bovary era uma das imagens mais fortes. Não entendi muito bem este trecho, até me deparar com esse outro, em que tudo ficou claro:
"Esses estudantes, como toda a sua geração, eram diferentes dos da minha geração em um aspecto fundamental. Minha geração se lamentava de uma perda, do vazio em nossas vidas que foi criado quando nosso passado nos foi roubado, o que nos exilou em nosso próprio país. Ainda assim, tínhamos um passado para comparar com o presente; tínhamos memórias e imagens do que nos fora tirado. Minhas meninas falavam constantemente de beijos roubados, de filmes que jamais viram e do vento que nunca sentiram no rosto." (p. 99)
Fiquei pasma, nunca tinha pensado sobre isso: o vento no rosto de Emma Bovary era expressão máxima de liberdade para aquelas mulheres que, fadadas a usarem sempre em público o véu, não experimentavam a pequena mas inesquecível sensação do vento batendo no rosto!!! Nos obriga a pensar e muito, uma cena dessas, não é?
Ainda na parte referente a Nabokov, agora um coment de caráter mais literário: finalmente encontrei uma leitura de "Lolita" com a qual me identifiquei plenamente. Nas duas vezes que li o romance e na vez em que assisti ao filme, sempre pensei que os ardis do enredo não poderiam me deixar esquecer o essencial: tratava-se de uma criança de 12 anos! Não importa se sexualizada, se interesseira, se manipuladora. Uma criança, sempre, portanto, vítima, sempre. De certa forma, é este o princípio que precisamos ter no debate sobre diminuição da idade em crimes que envolvam maioridade penal. Temos que remover o véu das verdades aparentes (é um criminoso, num tem mais jeito, age como um adulto etc.) e lembrar: mas é uma criança. E tem que ser cuidada como tal. E não violentada, sujeitada, explorada, massacrada, encarcerada. Adorei a leitura que Nafisi faz de "Lolita", me senti em casa.
Por fim, para este post, um coment tb literário sobre sua interpretação acerca de "O grande Gatsby", de Fitzgerald. Em meio a discussões polêmicas com seus alunos, Nafisi considera que "Gatsby" é, na verdade, um romance sobre a desilusão. Concordo plenamente. E lembrei-me de um dia distante, em uma aula da pós-graduação em História, disciplina que fiz como complemento aos meus créditos no mestrado em Antropologia, em que discutíamos em sala o romance "Clara dos Anjos", de Lima Barreto. E a professora, sempre soberba, uma de umas soberbas que já conheci, dizia que era um romance sobre a dominação das classes, sobre traição e dominação. Lembro-me que discordei, dizendo que achava "Clara dos Anjos", antes de tudo, um romance sobre a desilusão, todos os personagens eram desiludidos, independentemente das classes e posições que ocupavam (de certa forma, este é o argumento de Nafisi sobre Gatsby). E a professora discordou de forma bem grosseira, fechando ali a discussão. Tempos mais tardes, li um texto dessa professora em que ela falava, em determinado trecho, sobre "Clara dos Anjos", e adivinhem?, ela concluía que se tratava de um grande romance sobre a desilusão. Quem é essa gente, Brasil?
Mas a Nafisi, vou te falar, me senti hermanada...
Aposto q vai ter mais post sobre "Lendo Lolita em Teerã"...
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Acabo de saber de mais um escandaloso caso de roubalheira em concurso público para professor universitário.
Sempre me deprimo com essas histórias. Como é possível? Como é possível que exatamente no meio voltado para a reflexão crítica, para o questionamento, para o desafio do status quo, se reproduza uma das mais abjetas relações de embaralhamento entre o público e o privado, que é o favorecimento em concursos públicos, mandando às favas todos os escrúpulos e méritos, senhor presidente, desde que entre o apadrinhado, o protegido, o nepote????
E a gente vai se acostumando com isso. Aceitando. Que tristeza que me dá... como é possível? Como uma banca pode dormir feliz, tranquila, o sono dos justos, depois de esfacelar os sonhos, os projetos, a vida de alguém que merecia ter passado?
Já cansei de ver isso. Já lamentei. Reclamei. Fico pasma! Como é possível? A pessoa reproduzir todos os males sobre os quais supostamente reflete: poder, favorecimento político, vaidade, injustiça???? Na boa, cambada de falso, fariseus, hipócritas do saber. Não estudam porra nenhuma. São fingidores. E com dinheiro público. E são acobertados por um corporativismo inexplicável.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Minha gente, decidi q sempre que der tempo vou partilhar algumas descobertas/receitas/macetes simples da minha vida cozinheira. Pra quem se interessar, principalmente meus alunos que moram sozinhos e/ou recém-casaram. :) Aproveito pra deixar de registro, como um livro de receitas blogado. Vou começar com meu arroz consagrado.
1) Como fazer um arroz branquinho, soltinho e delicinha
- Lave bem o arroz (tipo 1, eu uso Tio João), deixando escorrer por um tempo. A quantidade varia de acordo c/ o número de pessoas e/ou dias q vc pretende comer o mesmo arroz (coisa de quem mora sozinho. Não esqueça de guardar o arroz fechado dentro de um recipiente, arroz é danado pra dar bicho). Um copo dá bem pro dia-a-dia de um casal.
- Coloque uma leiteira com água pra ferver (meia leiteira p/ 1 copo).
- Prepare numa panela um refogado com cebola (1/2 pra um copo), alho (3 dentes amassados p/ 1 copo), óleo (eu uso de canela, q é mais saudável. E boto bem pouquinho, pq é p/ refogar, não fritar, e a saúde agradece) e sal a gosto (eu coloco sempre pouco primeiro, depois vou provando a medida em q o arroz vai cozinhando, pra evitar salgar. Mas no total dá uma colher cheia de sobremesa).
- Quando a água da leiteira tiver fervido, é hora de colocar o refogado no fogo. Coloque no fogo médio. Não deixe pegar o fundo, fique mexendo com colher de pau (arroz q pega no fundo fica com gosto de queimado, imperdoável)
- Coloque o arroz sequinho e refogue um pouco tb, misturando bem com o refogado já quentinho. Depois pegue a água da leiteira e coloque na panela do arroz, cobrindo o mesmo em cerca de um dedo. Dê uma mexida com a colher de pau pra desgrudar os grãos mais teimosos.:))) Deixe o arroz destampado.
- Ponha uma música na cozinha, fique dançando, faça outras coisas (eu sempre lavo louça, quando não tenho outro prato pra preparar)... MAS NÃO SE AFASTE DO ARROZ, tipo pra ir no computador, falar no cel, ver tevê. É CERTO QUE ELE IRÁ QUEIMAR, é uma lei! Fique por perto, de olho vivo. Quando a água do arroz baixar e o topo dele aparecer, coloque água novamente, cobrindo um dedo. Dê uma provada pra ver a quantas está o sal. Se sentir que tá faltando, ponha mais um pouco, mas com cuidado. - Repita essa operação mais uma vez. Nesta última, prove e veja se o arroz já está com aquela textura de cozidinho (ele já vai estar). Aí tampe a panela e deixe o arroz secar. MAS ATENÇÃO: essa é a hora decisiva. De vez em quando, coloque uma colher pra ver como está a água, se está secando etc. E, principalmente, fique ligado no barulho da secagem, pq qdo o arroz começa a pegar o barulho muda. Quando tiver secado, desligue (na dúvida, eu sempre desligo. Melhor arroz um pouco molhado do que queimado).
Bem, é assim que eu faço. Fica bem gostoso. E com a prática vc fica mais ligado em tudo, portanto, não se preocupe se das primeiras vezes não der muito certo. Tamo junto!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Essa postagem tem esse título porque quando comentei com a árabe invejosa que finalmente tinha assistido Tropa de Elite II e que iria fazer post sobre o filme, ela, invejosa como sempre, debochou e disse que o título deveria ser "Em tempo" porque o assunto já estava velho. Como graças aos céus me livrei dessa algema jornalística de que existe um tempo quente para falar de assuntos quentes, cá estou eu, a despeito da maledicência da árabe invejosa e outras que tais.
Pois bem, vi o filme. Gostei bastante. Mas fiquei com uma pulga: terá sido um roteiro previamente pensado, antes de rodar os dois? Ou terá sido uma reação na base do mea culpa à saraivada de críticas que o primeiro tomou?
Eu, que meti o pau no primeiro (poucos filmes me irritaram tanto), teria que dar a mão à palmatória
se o roteiro dos dois foi previamente pensado. Porque o segundo rearruma de maneira fabulosa a razão de ser do primeiro. Pois a la Clint Eastwood em Gran Torino (poucos filmes me emocionaram tanto), o xerifão Nascimento percebe que sua truculência não resolve porra nenhuma, que o buraco é bem mais embaixo, que num vai ser fácil lutar contra o que está entranhado neste mundo perverso, e que armas, caveirão, ser durão e esses lugares comuns do masculino, dos aparelhos repressivos e dos xerifes do cinema não conseguem dar conta da complexidade da vida real. E aí o sujeito repensa, muda de lado, finalmente vê. Vi muitas semelhanças entre as caídas em si do personagem de Clint em Gran Torino e o de Wagner Moura (aliás, que atores formidáveis!) em Tropa II. Pasmos e convencidos, eles percebem que terão que sacrificar seus ideais e suas antigas práticas se de fato quiserem ajudar a mudar o estado das coisas.
Caso tenhamos no roteiro de Tropa II não a execução de um roteiro original, mas uma mudança de rumos a partir das críticas, teríamos aí uma conversão não só dos personagens, mas também dos roteiristas? Pergunto: será esse o sentido da cena em que o capitão Nascimento é aplaudido dentro do restaurante pelos frequentadores após ter sido responsável/responsabilizado pelo massacre dos presos? Porque na imagem difusa, meio que apagada, mas perceptível, quem aparece aplaudindo é Rodrigo Pimentel, ex-policial do Bope e um dos roteiristas, de certa forma inspiração para o personagem de Nascimento. Há um forte contraste entre a imagem difusa de Rodrigo e a explícita referência a Marcelo Freixo, inspiração para o personagem Fraga, que aparece assistindo, na platéia, de forma bem nítida, a palestra dada por Fraga no início do filme. Será aquela imagem difusa de Rodrigo Pimentel uma ponte para entendermos que também ele, assim como Padilha, repensou suas visões de mundo? Caso sim, temos aí um sensacional case de como a resposta, as mediações e apropriações do público interferem na produção do enunciado. Mas confesso que tenho algumas dúvidas, principalmente quando penso no próprio Rodrigo Pimentel pós produção de Tropa II, recorrentemente sendo convocado pelas emissoras televisivas, em especial a Globo, para comentar as intervenções de segurança no Rio de Janeiro e as UPPs. Esse Rodrigo num fala como o Nascimento II, mas como o I. Fiquei bem confusa.
Bem, esses são meus comentários a posteriori ao lançamento e à onda em torno do filme. Achei que ainda estava, de fato, em tempo. Árabe invejosa num acha. Coitadinha, nunca vai poder escrever, por exemplo, sobre "As mil e uma noites"... ;-p
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Vendo a comoção dos meus alunos queridos para comprar ingressos para o Rock in Rio 2011 e lendo parte da monografia de minha querida orientanda Elaine sobre o festival, lembrei muito de minha vida em janeiro de 1985, quando o primeiro Rock'n Rio aconteceu.
Como todos os meus amigos, eu planejava muito, queria muuuito, ir a pelo menos um dia dos shows, mais especificamente o do James Taylor. Minha mãe achava perigoso, coisa de mãe niteroiense, e ainda precisava convencê-la, mas eu sabia q iria. Cheguei a comprar o ingresso. Mas quebrei o pé no fim de dezembro. Assim que tive notícia de que tinha passado no vestibular pra Comunicação na PUC. Peguei a bicicleta pra passar na casa dos amigos e contar a novidade, afobada, ariana como sempre, caí na entrada da casa de meus pais, hehe. Pronto! 21 dias de gesso. Fim do sonho. Adeus Rock in Rio.
Acabei indo pra Conceição de Macabu com minha família. Para nossas férias usuais de verão na velha casa do interior. Lembro claramente do dia em que me enchi daquele gesso maldito, coçando no verão, e coloquei o pé dentro do tanque da varanda de trás para derretê-lo, antes mesmo de completar as três semanas recomendadas. Resultado prático: o resto da vida tive problema nesse tornozelo. Mas pelo menos fiquei livre naquelas férias daquele trombolho (não, ainda não existiam essas botas com velcro, essas maravilhas q vc põe e despõe pra dormir, tomar banho etc.). Só que não a tempo de ir ao festival. Já era.
Lembro que naquele tanque eu só pensava, com muita raiva, que eu queria muito não estar lá e que trocaria tudo para estar no Rock in Rio, com os meus amigos.
Engraçada a vida: hoje eu trocaria tudo, tudo, tudo, para estar novamente com o pé dentro daquele tanque.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Terminei de ler o belíssimo e comovente O arroz de Palma, romance de Francisco Azevedo sobre memórias familiares (Rio de Janeiro, Record, 2008). Chorei em vários trechos. Muito, muito sensível mesmo.
Como já disse antes, ando interessada em livros de memória, para o curso que eu e Marildo daremos na pós no segundo semestre de 2011. Tenho lido muitos, e cada um tem sua especificidade. Mas tenho me dedicado em especial a memórias familiares. Nesses, alguns eixos acabam tendo importância, me lembrando muito Michel de Certeau. São modos de falar, de cozinhar, de dispor dos objetos, de ocupar os espaços... fazendo uma certeira mistura de casos particulares com narrativas universalistas. Cada família é uma, mas ao mesmo tempo encerra arquetipicamente a todas.
Em Arroz de Palma, estão lá todos esses modos de fazer com... Em especial, maneiras de cozinhar, que funcionam como metáforas para o próprio viver. Totalmente atravessado por pistas culinárias, o livro indica que o guardião da arte de preparar os pratos tradicionais da família é também o guardião das memórias da mesma, o que tempera, o que deve buscar os sabores e preparar a família "a moda da casa".
O livro mexeu comigo não só pelas memórias familiares, mas exatamente por esse atravessamento da arte culinária. Tenho descoberto, nos últimos tempos, que gosto de cozinhar tanto quanto gosto de dar aulas. Ou seja, é misto de paixão e vocação. Tenho aprendido e me desafiado com coisas novas na cozinha, estou testando receitas, buscando novos pratos, aprendendo e me recriando. Adorando, sempre. Nem sinto o tempo passar. Mas no fim de tudo, o povo prova os pratos todos, elogia, incentiva, mas vibra mesmo, sempre, desde vinte anos atrás, com meu arroz. Sim, meu arroz, esse prato simplicíssimo, é o meu maior sucesso em termos culinários. Não tem quem não elogie, todo mundo baba por ele...
Sei não, mas me lembra muito minha relação com o ensinar. Posso variar as matérias, buscar coisas novas, estudar, aprender, me aprimorar. Mas o povo gosta mesmo é do meu arroz, qdo dou os clássicos, ensino o básico, vou lá na raiz, dou o melhor de mim no partilhar do aprendizado, dou a melhor de minhas aulas. Aí, num tem quem não elogie, todo mundo baba por ela... :)))))
Pra terminar, trecho muito legal do livro, que já me servia de mantra pra vida de forma instintiva, mesmo antes de ser verbalizado e sintetizado no parágrafo que se segue:
"Cedo descobri que o que mais queria na vida era o poder. O poder estar sempre com as pessoas que eu amo, o poder andar despreocupado pelas ruas, apreciar cenários, paisagens, bichos, gente que passa. O poder tomar outro caminho só porque naquela direção um verde me despertou a curiosidade. O poder trabalhar no que me alegra. O poder ser dono do meu tempo e fazer o que quiser sem precisar me aposentar. O poder estar disponível para quem está perto e precisa. O poder ter certeza de que o abraço recebido é de afeto e não de interesse. O poder ser eu mesmo e envelhecer saudável. Céus, como ambiciono todo esse poder" (p. 235).
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Hj conheci o blog da querida Selene, aluna de Mídia e agora do PPGCOM/UFF. O post q li hj, sobre tempo/espaço/memória, me lembrou reflexões minhas e tb o curso que daremos, eu e Marildo, na pós no semestre que vem. Muito bonito!
Gostei bastante do blog, com posts sensíveis e bem escritos (clique aqui para conhecê-lo).
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
O recente episódio envolvendo a repórter Leilane Neubarth e a entrevistada Gilberta Acselrad, professora e coordenadora do Núcleo de Estudos, Drogas, AIDS e Direitos Humanos da UFRJ, em entrevista sobre drogas na GloboNews, que acabou virando coqueluche nas redes sociais, me lembrou piada antiga e esclarecedora que conto em sala para os alunos de Sociologia.
Lá vai a piada (no final, o vídeo com a já histórica entrevista, para quem quiser ver e rever):
Cena 1 - Dois homens estão passando por uma rua e encontram um prédio cheio de rachaduras. Um deles diz: - Ih, já era, esse prédio vai cair... O outro responde: - Não, tem salvação, depende da intervenção, hj em dia tem técnicas modernas de reparo, com tecnologia de último tipo etc. O outro retruca: - Que nada! Olha o tamanho das rachaduras. Vai pro chão! - Tô te dizendo, rapaz. Tem jeito, sim. Eu sou engenheiro civil, estudei cinco anos disso, sou especialista nessa área, te garanto q tem solução. Ao que o outro responde: - Ah, bem! Se vc é engenheiro, nem vou discutir. O especialista é você...
Cena 2 - Dois homens estão passando por uma rua e assistem a um acidente de automóveis, com feridos. Um deles diz: - Ih, já era, a mulher já vai morrer... O outro responde: - Não, tem salvação, depende do socorro rápido, hj em dia tem técnicas modernas de sutura, com laser etc. O outro retruca: - Que nada! Olha os miolos dela no chão. Tá morta! - Tô te dizendo, rapaz. Tem jeito, sim. Eu sou médico, estudei seis anos disso, sou especialista nessa área, te garanto q tem solução. Ao que o outro responde: - Ah, bem! Se vc é médico, nem vou discutir. O especialista é você...
Cena 3 - Dois homens estão passando por uma rua e assistem a uma intervenção da polícia numa favela, com tiroteio. Um deles diz: - Ih, num tem jeito não, aí só tem marginal, tem que explodir tudo... O outro responde: - Não, tem jeito sim, depende de intervenção correta, que leve em consideração a desigualdade econômica e política historicamente construída, buscando uma política de respeito e tolerância, que promova a cidadania, a inclusão social etc. O outro retruca: - Que nada! Isso é resultado da miscigenação, povo preguiçoso, essa gente tem que morrer! - Tô te dizendo, rapaz. Tem jeito, sim. Eu sou cientista social, estudei a minha vida inteira isso, sou especialista nessa área, te garanto q tem solução. Ao que o outro responde: - Essa é a sua opinião... num concordo. A minha é a seguinte etc.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Toda vez que estou em algum congresso com alguém apresentando trabalho sobre jornalismo e representação, discurso etc., vira e mexe vem um santinho querendo novamente discutir se existe a tal da objetividade jornalística ou não. Isso depois de uma penca de estudos, todos de altíssimo nível, que já destruíram essa construção retórica e conveniente. Definitivamente: a questão do olhar subjetivo no jornalismo não é mais hipótese, é premissa. E fim de papo. Se não, a gente não avança nas discussões e fica o tempo todo desconsiderando esforços importantes no campo da pesquisa sobre o tema.
Tudo isso pra dizer o seguinte: defender posições preconceituosas, racistas, homofóbicas, sexualistas, classistas, discriminatórias etc. não é direito de opinião. É crime. E é crime porque já avançamos no campo das conquistas dos direitos ao criminalizar práticas que agridam, desrespeitem o princípio da igualdade, criem dor e ódio. O caso recente do Bolsonaro é exemplar neste sentido (para saber mais e para ler uma resposta digna e indignada, leia esta carta aberta). Não é possível tolerarmos mais essas falas. Não são polêmicas, são criminosas. Definitivamente, é premissa: NÃO É JUSTO REIVINDICAR DIREITO LIBERAL DA LIVRE EXPRESSÃO PARA PRÁTICAS TOTALITÁRIAS E DISCRIMINATÓRIAS. Isso não é democrático, é retrocesso e deveria ser combatido, não tolerado em nome de um princípio liberal conveniente e muito menos incentivado.
Acabei de ler Entre os vândalos - a multidão e a sedução da violência, magistral trabalho jornalístico/antropológico do norte-americano Bill Bulford (Companhia das Letras) . Nele, o autor faz uma imersão entre grupos de torcedores ingleses, para alguns simplesmente "os hoolingans", mas como demonstra o livro, algo muito mais complexo. É um livro petrificante. Choca do início ao fim. E mostra claramente no que dá a tolerância com discursos totalitários e preconceituosos. Quando se convertem em prática, linguagem em ato, eles são revestidos de uma violência incontrolável. Abre o olho, minha gente. Os Bolsonaros criam esse mundo assustador.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
A outra relíquia é essa matéria, de 22 de março de 1992, sobre o descaso com a memória da cidade e a demolição de casarões antigos para dar lugar a prédios. Olha que naquele momento a preocupação era só cultural, porque nem poderíamos imaginar o que aconteceria com o trânsito e a qualidade de vida de Niterói depois da explosão imobiliária (esse será o tema de um post caprichado, dentro da série "Acorda Niterói". Mas, por agora, recomendo a leitura do ótimo blog DesabafosNiteroienses).
O começo da matéria é realmente um pequeno indício do que ainda estava por vir: "A memória de Niterói vem sendo demolida a golpes de pás e picaretas". Hoje, eu escreveria o mesmo, mas substituiria "a memória" por " a vida". Que triste!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Fuxicando aqui no meu escritório, ainda na arrumação da década, quiçá do século, achei mais duas relíquias, ambas matérias que fiz quando era repórter do Globo Niterói, nos inícios dos 1990. Posto aqui a primeira delas, sobre o desaparecimento de bares tradicionais da boêmia niteroiense, em uma espécie de premonição do que viria acontecer depois, com a extinção de praticamente todos os velhos e bons redutos da noite de Niter (que já rendeu esse post aqui no Baiúca). A data? 30 de julho de 1989.
desde que protagonizei "Pai Herói", estou sempre atenta ao mundo midiático... e agora quero exercer o meu direito à expressão. Blog neles, André Cajarana!
PS: essa página não tem fins comerciais. As imagens aqui utilizadas são somente para ilustração dos posts e são buscadas aleatoriamente na internet. Autores que não quiserem que suas imagens sejam postadas aqui podem solicitar sua retirada, no que serão prontamente atendidos.