Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Dentre os alunos inscritos em Sociologia e Comunicação no primeiro semestre de 2014, lá estava o Daiki Kawauchi. Um aluno japonês, que nasceu e vive no Japão, onde cursa Letras com especialização em português. Está no Brasil fazendo um intercâmbio, em mobilidade internacional. Algum doido mandou o pobrezinho se inscrever nas disciplinas minha e de Marildo, em mídia. Dois professores que falam muito, rapidamente, e que passam muuuita matéria. E o Daiki, que ainda está aprendendo a falar e escrever em português, com aquela carinha assustada na aula... Pegou semestre corrido, aula tumultuada, festa surpresa de aniversário de Marildo, atividade com juri simulado e turma enlouquecida, de um tudo. Numa turma de 60, toda aula esquecia de falar com ele pra saber direitinho qual era a dele ali na UFF. Até que o Yuichi Inumaru me deu um toque (obrigada! Por isso que amo esses meus alunos solidários e preocupados com os demais), porque achava que ele estava meio perdido ali. Falei com Marildo, que ministra a obrigatória de Comunicação e Cultura, e ele me disse que no curso dele havia sugerido como trabalho que Daiki apresentasse um seminário sobre questões culturais no Japão. Foi um sucesso! A turma, o professor e o aluno adoraram. Eu, em Sociologia, busquei uma alternativa. Sugeri que ele fizesse um texto sobre suas percepções culturais em meu curso como atividade suplementar e, como trabalho final, a análise de algum fato social que ele considerasse importante acerca do Japão. Escolheu falar sobre a polidez e o formalismo fortes na cultura japonesa tradicional, ficou bacana. Combinei com ele que aproveitaria o exercício para fazer as correções no seu português, objetivo maior de sua visita ao Brasil. Só que me surpreendi ao ler suas impressões sobre o curso. E quando vi, tava eu lá chorando com o texto do Daiki. Pedi licença pra ele para publicar aqui, quero dividir com vcs essa doçura de olhar. Me deixou muito emocionada, muito mesmo. O texto é simples, o olhar é complexo, a vida é de uma beleza que nem dou conta. Obrigada, Daiki.

Sociologia e Comunicação
Daiki Kawauchi
Prof. Ana

"Vou escrever sobre o que eu senti na aula.
Primeiro, os professores no Japão não divertem tanto os alunos. Você sempre contou as piadas e os alunos riram bastante. Não consegui entender quase nada, por isso quando você contava as piadas, eu sempre ficava triste porque não conseguia entender suas piadas porque meu português não era bom. Os alunos pareceram ter se divertido na sua aula. Se no Japão também tivesse professores como você, eu não dormiria durante as aulas. Invejo seus alunos.
Segundo, eu fiquei espantado porque o horário do começo da aula não foi decidido e não existiu o horário de descanso. Esta aula sempre começava mais ou menos às 16:20 e os alunos voltavam a sala mais ou menos às 16:30. No Japão, por exemplo, uma aula acaba às 16h, e tem o horário de descanso por 15 minutos. A próxima aula começa às 16:15. Precisava entrar na sala antes do horário do começo da aula. No Brasil, eu acho, os universitários são considerados como os adultos. Por isso muitas coisas são deixadas para os alunos decidirem.
Terceiro, achei uma coisa muita boa. Os alunos falavam com você livremente durante a aula. Isso foi muito raro para mim. No Japão, precisava de coragem para falar com os professores durante a aula. Mas aqui no Brasil, os alunos falam com os professores como amigos. A distância entre professores e alunos é menor. No Japão, nunca vi os alunos comprando o bolo para o aniversário do professor. Acho que os professores no Brasil talvez sejam mais felizes do que os professores japoneses.
Em conclusão, eu te agradeço porque você me recebeu.
Tomara que eu possa conseguir entender sua piada em dezembro.
Muito obrigado.
Abraço".

Marcadores: 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
gente, prometi escrever com calma depois dos desabafos feitos no nosso grupo de discussão da disciplina "Mídia e Representação de Favela" no decorrer dessa semana triste em que DG foi assassinado, mas fui engolida pelos múltiplos afazeres.

Mas não esqueci e queria dizer pra vcs que pensar o mundo num é fácil, especialmente quando as coisas são tão fortes e tristes. Dá vontade de desistir, muitas vezes, de se alienar, de deixar pra lá. Como diz Hermann Hesse num poema, que já compartilhei em mensagens anteriores, "de noite, às vezes, não consigo dormir. A vida dói". E também sentimos culpa, especialmente culpa de classe, porque a vida dá privilégios a alguns e não a outros, e não nos sentimos de fato fazendo algo pelo outro, para diminuir as injustiças, para sairmos de nossa zona de conforto.

Quando penso em vcs, que se inscrevem nas disciplinas que ofereço, sempre fico comovida e preocupada. Porque ninguém se inscreve em "Midia e mobilização social" ou "Midia e representação de favela" por acaso, são optativas, todos sabem qual vai ser a pegada dessas disciplinas. Então sei que quem se inscreve nessas disciplinas, em geral, já tem um olhar sensível, uma militância, uma preocupação para com o outro, uma vontade de compreender e transformar o mundo. E os acontecimentos vão mexendo com a gente, num é fácil lidar com isso, vou citar outra poeta pra me ajudar a significar aqui: "Tortura do pensar, triste lamento. Quem me dera calar a vossa voz!" (Florbela Espanca).

Mas nem sempre se consegue, as vozes, os lamentos, as dores do mundo nos invadem, comovem, dilaceram. Não existe antídoto pra isso. No máximo, repetir o mantra grammsciano dia após dia: é preciso conjugar o pessimismo do pensar com o otimismo da vontade. Vontade de lutar, de mudar o mundo, de agir, de transformar. Mas mesmo repetindo o mantra, muitas, muitas vezes, tem momentos em que o absurdo é tão forte, em que o horror é tão impressionante, que fica difícil representar, expressar, significar.

Porque existem dimensões do horror que não conseguimos narrar. São demais pra nós. Isso fica muito patente no fim do magistral romance "O coração das trevas", de Conrad (quem não leu, LEIA! É uma ordem!), quando Marlow, o narrador, vai encontrar a noiva do coronel Kurtz, aquele que enlouqueceu na selva e só conseguiu dizer, em suas palavras finais: "O horror! O horror!". Aqui está a transcrição da cena das palavras finais de Kurtz, que ele profere para Marlow:

"Eu nunca tinha visto, nem espero tornar a ver, coisa parecida com a transformação que se dera nos seus traços. Não, emocionado eu não estava. Estava fascinado. Como se um véu se tivesse rasgado. No marfim daquele rosto vi uma expressão de orgulho sombrio, indomável poder, de abjecto terror - de um desespero intenso e sem esperança. Naquele supremo instante, de integral conhecimento, estaria ele a reviver a vida em todo o pormenor, com os seus desejos, tentações e renúncias? Deu um grito sussurrado a uma imagem qualquer, a uma visão qualquer - gritou duas vezes, um grito que não passava de sopro... "O horror! O horror!"".

Pois no encontro com a noiva de Kurtz, acontece essa cena magistral, que agora transcrevo pra vcs, quando a noiva indaga para Marlow quais teriam sido as últimas palavras de seu noivo:

- "Mesmo até ao fim" - respondi com voz trémula. - "Ouvi-Lhe as últimas palavras..." - Calei-me apavorado.
- "Repita-as" - murmurou num tom de partir o coração. - "Eu quero - eu quero - qualquer coisa - para - para viver com ela."
Estive a ponto de lhe gritar: - "Não as ouve?" À nossa volta a escuridão repetia-as como um incansável segredo, um segredo que parecia avolumar-se, numa ameaça, como o primeiro segredo de um vento que começa a levantar-se. "O horror! O horror!"
- "A sua última palavra - para eu viver com ela" - insistiu. - "Não compreende que eu o amava - amava -
amava?"
Consegui dominar-me e falar pausadamente:
- A última palavra que ele disse foi - o seu nome.
Ouvi um suspiro leve e o meu coração deixou de bater, mortalmente parado por um exultante e terrível grito, pelo grito de um inconcebível triunfo e de uma indescritível dor.
Eu sabia - eu tinha a certeza!,...
Ela sabia. Ela tinha a certeza. Ouvi-a chorar, com o rosto escondido nas mãos.
Parecia que antes de eu sair aquela casa ia desmoronar-se, o céu ia cair-me na cabeça. Mas nada disso aconteceu. O céu não cai por tão pouco. Teria caído, pergunto a mim próprio, se eu tivesse feito ao Kurtz a justiça que lhe era devida? Ele não tinha dito que só queria justiça? Mas não pude. Não pude
contar-lhe nada. Seria tenebroso demais - tenebroso ao máximo...".

Por que estou descrevendo essas cenas pra vcs? Porque quero dizer que tem horas que só mesmo a expressão "O horror! O horror!" é capaz de dar conta do que vivemos e/ou assistimos no mundo, e tem horas que nem dizê-la conseguimos. Mas tem horas em que é preciso, para que continuamos a viver sem cairmos na mais profunda tristeza e depressão, mascarar estas impressões tão tristes e narrarmos a vida falando de amor, música, arte, dança, bobagens, amigos, afetos, novelas, bobeiras, festas, beijos, séries, o nome de quem amamos, qualquer coisa do campo da doçura e do prazer, pra que a vida possa seguir, porque narrar tudo o que nos choca e pasma e dilacera "seria tenebroso demais - tenebroso ao máximo...".

Espero que tenham entendido o que quis dizer aqui pra vcs, com todo o meu amor. Fiquemos firmes, "atentos e fortes", "mas sem perder a ternura". Nos chocando com o horror, nos comprometendo a narrá-lo e lutar pelo seu fim, mas sabendo que às vezes não dá, e isso também nos faz humanos.


Marcadores: , 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
1994. Exatamente há vinte anos, durante um carnaval, eu me mudava para a casinha então branca em que resido até hoje. Foi um presente generoso e amoroso de meus pais para mim, facilitando e muito a minha vida, me permitindo fazer escolhas difíceis (largar o emprego em jornalismo para viver da bolsa do mestrado e depois como professora, por exemplo), me conferindo autonomia e permitindo, com respeito, amor e compreensão, que eu vivesse minha vida da forma que eu escolhi pra mim. Nunca terei palavras para expressar minha gratidão para com eles por isso, pela casa, pelo amor e pelo respeito ao jeito de cada filho.

Nesses vinte anos, ela mudou de cor, quando fiz a obra dos dez anos vivendo aqui, virou a casinha amarelinha, como é agora conhecida por muitos. Talvez esse ano mude de cor de novo. Na obra dos dez anos, troquei o piso, pintei janelas, mudei minha sala toda, construí o puxado da churrasqueira lá atrás, me reinventei, como bem disse minha amada amiga Claudinha. Agora devo fazer a obra dos vinte anos, vamos ver no que dá. :)

Nesses anos, por aqui passaram amores, amigos, família, fiz muuuuuuuuuuuuitos churrascos, almoços, jantares, caranguejadas, camaroadas, festival de saladas, pizza, bebedeira,bicicleta, cesta de basquete, salão de jogos "Cátia Vanni", combate aos pombos, Jarbas e Plínio, bichos de pelúcia na janela, hóspedes, teve ano novo, teve aniversário, teve festa por nada, teve xurras "uhu é pijamão", teve encontro do GRECOS, teve muito violão, comes e bebes, choro, riso, povo jogado dormindo pelos quartos, pela sala, teve muita virada de noite, teve jogatina, café no dedal, cachorro-quente, lanche, café da manhã, dissertação, tese, concurso, novela na tv, internet direto e reto, visita na madrugada, teve encontro e desencontro, teve rede na varanda, noites e domingos de silêncio, vizinhos ótimos e inesquecíveis, vizinhos escrotos e processáveis, tempos de penúria, sem tv, sem telefone, sem carro, orelhão de ficha, teve aprender a cozinhar, teve aprender a matar barata, teve aprender a conviver com o silêncio e a solidão, teve muito beijo na boca, dias e noites calientes, teve muita música, estudo, filme, leitura, conversa, praia, teve private piscinão de ramos, teve uma turma muito boa de apoio (Eliane e Márcia, minhas faxineiras guardiães; seu Antonio, meu bombeiro-hidráulico faz tudo e meio pai/conselheiro/amigo; Rubens, meu faz tudo doidinho e sempre caprichoso; Cátia Bubu e Marjo, que me ajudam sempre com a cachorrada), teve toalha feita pela mãe, pano de prato feito pela mãe, enfeites feitos pela mãe, teve jardim plantado e replantado por madrinha e por amores, móveis herdados de outras casas, móveis comprados novos e usados, tevê de 29" que me fez até chorar de emoção, teve paixão, teve pé de acerola que secou mas deu muita fruta antes, teve a cachorrada amada (Xuxa, minha pastora inesquecível; Vaca e Jujuba, 16 anos de muito amor; e as safadas da Zara e da Bebel, que aqui vivem agora), teve muito apoio logístico familiar. Teve momento de "vou ficar aqui pra sempre"; teve momento de "quero me mudar ainda esse mês". Teve poltrona no escritório; sofá vermelho na sala; baú com casinhas que todo mundo adora; meus livros nesse escritório que amo; reforma na cozinha que pretendo fazer esse ano; quarto de hóspedes sempre bagunçado; teve sempre muita vida, essa danada dessa casa. Nossa, vinte anos!

Talvez o maior símbolo dessa história seja o pinheiro, que veio pra cá assim que cheguei na casa, veio num vaso, pra servir de árvore no natal. Depois ficamos com pena e plantamos no jardim. Ainda miudinho. Ele hoje é enorme, lindo e imponente, e toda vez que olho pra ele sinto minha história inscrita e escrita nessa casa.







Obrigada, pais generosos e amorosos, que me deram esse lar. Obrigada, minhas amadas, que durante esta vida dividiram esse espaço comigo, cada uma com sua forma de estar e amar a casa. Obrigada, meus amigos, por estarem sempre aqui, enchendo essa casa de afeto, alegria, confusão e luz. Esta casa é cheia de vida, esta vida é a minha, e só tenho a agradecer por ela.

PS: atualizando pós-reforma, e com o pinheiro cada vez mais intenso!





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Tá rolando no BBB 14 uma história entre duas mulheres, Clara e Vanessa (apesar de homônima, num to falando daquela Clara ridícula que Manoel Carlos resolveu transformar na gay da novela das 8, essa só rende risadas). Não importa, para o que pretendo falar aqui, se é fake, forçado, só pra ganhar um milhão. Tanto faz. A questão é que em um reality show que já está na sua décima quarta edição e que, em várias, casas heteros fizeram sucesso e comoveram os fãs, pela primeira vez um casal gay está formado na casa e sensibilizando parte dos espectadores.
Não estava prestando muita atenção nesse BBB, porque a situação na vida "real" está tão tensa nesse verão de 2014 (somando o pico de calor com as loucuras, omissões e crimes de nossos governantes picaretas, com apoio de um jornalismo de dar vergonha, mais a violência, a pobreza, a desigualdade, os conflitos, olha, tá tenso!), mas outro dia meio sem querer reparei numa cena aleatória, que não era de pegação, e vi que a forma com que as duas se tratavam era meio de namoro. Fiquei surpresa e aí resolvi dar uma investigada. E o que fui descobrindo me colocou pra pensar.
Clara e Vanessa fazem enorme sucesso nas redes sociais, em especial nas comunidades GLBTS. As pessoas se comovem em parte com a coragem das duas em performatizarem cenas calientes entres duas mulheres para as câmeras e o público em geral, mas principalmente com a cumplicidade, os olhares, os carinhos, uma certa intimidade e principalmente essa cara de namoro que a relação das duas foi tomando, e que a edição mais curta, sem ser pay-per-view, não privilegia, destacando, evidentemente, só a pegação. Mas são muitos os vídeos (vou anexar dois nesse artigo) com montagens com as inúmeras cenas de carinho e intimidade entre as duas, algumas extremamente simples, mas que comovem como o diabo. E comovem principalmente porque é tão raro, quase invisível, essa representação do amor cotidiano entre pessoas do mesmo sexo na grande mídia, que quando aparece num tem como não emocionar. É a rotina de milhares de nós, que amamos cotidianamente, vivemos vidas comuns, com nossos amores/parceirXs/companheirXs/namoradXs... e que somos cotidianamente suprimidos do imaginário porque não somos representados, ou quando somos, somos de forma caricata, ridícula, irreal, surreal, preconceituosa, simplificadora etc.
Veja, não estou dizendo que BBB é um show de complexificação, evidentemente. Mas naquela rotina de 24h numa casa, em que as pessoas estão representando um self, que bom, mas que bom mesmo ver uma representação amorosa rotineira que não seja hetero, que abra espaço para que outros se vejam, se identifiquem, se sintam representados. As pessoas que vivem uma vida heteronormativa em geral, mesmo as mais bem intencionadas, NÃO TÊM ideia do que isso significa. E acabam não entendendo porque toca tanto, sensibiliza tanto, emociona tanto aos que vivem uma vida não representada midiaticamente naquilo de mais simples e fundamental para um ser humano, que é amar e ser amado.
Também não estou dizendo que não tem problemas na representação. Tem ideologia pra caramba. Só rola quando uma emissora poderosa quer, ou permite (como no caso Felix e Nico); a emissora edita para o público em geral somente o que "vende", então omite as cenas mais amorosas espontâneas e rotineiras, que são fundamentais para a construção da representação cotidiana do self; as representações que causam mais comoção repetem modelo de amor romântico ocidental e e família burguesa; BBB e outros produtos que se colocam como realidade são ficcionais e editados ideologicamente (o que não é, né, minha gente? porque só com muita cegueira, estupidez ou cinismo pra acreditar em objetividade, neutralidade e discurso que retrata a "verdade" nessa altura do campeonato); enfim, os problemas não sumiram.
Mas volto a insistir na importância da luta por representação. Volto a insistir que parte muito bem intencionada da militância política não tem ideia do que isso significa. Como é importante. Sugiro uma netnografia entre as muitas páginas e comunidades de apoio ao casal Clanessa pra entender o impacto que isso tem entre quem não se sente representado. Talvez isso indique que são muitas as frentes de luta, num dá pra abandonar nenhuma, muito menos a que envolve representações e ideologias acerca das subjetividades. E entender que para combater a crescente violência contra os gays em nossa sociedade é preciso atuar em muitos fronts, sem desprezar nenhum, incluindo o campo do direito, as manifestações, o ativismo político no sentido estrito e o campo comunicacional e suas múltiplas janelas, disputando o direito de significar, de falar, de se representar e se sentir representado, de não ser invisível, de ser mais do mesmo ainda que diferente. Um viva para Clanessa!



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Não, não vai acabar diretamente com a homofobia no Brasil.
Sim, mas foi um passo importante na discussão que está sendo travada sobre o tema, porque a emissora de maior visibilidade do país bancou essa cena polêmica.
Sim, a Globo quer faturar audiência.
Não, não redime a Globo de todos os seus crimes ideológicos.
Sim, a Globo conseguiu a proeza de ser mais pra frente do que o governo Dilma, essa vergonha em políticas de combate à homofobia.
Não, não foi o primeiro beijo gay em novelas brasileiras.
Sim, mas foi a primeira vez que o beijo final, destinado ao casal principal, foi um beijo entre dois homens.
Sim, é super conservador esse negócio de só existir felicidade via casamento/família etc.
Sim, mas no momento atual é muito importante e pertinente mostrar, como cena final de uma novela, uma família de dois homens e seus filhos, principalmente com as discussões que têm sido travadas na sociedade brasileira sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Não, não foi um beijo caliente.
Sim, foi um beijo amoroso entre duas pessoas que se amam.
Não, não apaga tudo o que o personagem fez de maldade durante a trama toda.
Sim, W. Carrasco acertou a mão neste final e os atores (Solano, Fragoso e Fagundes) deram um show.
Não, não redime a canastrice da novela e as cenas ridículas que Carrasco nos obrigou a aturar.
Sim, foi o coroamento de uma atuação magistral, a de Matheus Solano como Felix.
Sim, o amor muitas vezes redime e promove o perdão. O amor muitas vezes cura.
Sim, foi uma cena referência ao final de Morte em Veneza.
Sim, terminou sem o tradicional "fim" após a cena final. Vida que segue...
Não, não gerou uma aceitação unânime.
Sim, mexeu com o imaginário nacional, colocou o tema na pauta do fim de semana, gerou reações de torcida como se fosse final de copa do mundo.
Sim, foi um #chupafeliciano e #chupabolsonaro e #chupamiriamrios e #chupamalafaia que deu gosto de ver.
Sim, era só uma novela.
Não, não era só uma novela. Era um importante lugar de representação, de disputa cultural, discursiva, a cena final de uma novela das oito, em que tradicionalmente o último beijo cabe ao casal principal da trama, e dessa vez esse casal foi REPRESENTADO por dois homens.
Não, uma novela das oito da rede Globo não é, no Brasil, só uma novela. E tem que ser muito cínico pra fingir que não se sabe disso.
Sim, ainda há muito para ser feito na "vida real".
Mas, sim, sim, foi muuuuuito legal ver parte significativa da minha TL no Facebook e no twitter emocionada, comemorando, festejando. Porque todo mundo sabe o que tava em jogo ali. Quem finge não saber se faz de besta, por ignorância, conveniência ou cinismo.
Sim, a cena foi linda pra caramba, a luta por representação foi linda, mas bonito mesmo, de emocionar, foi ver a alegria de todos os que são diariamente massacrados pela ausência de representação ao lado da ausência de princípios básicos de igualdade que, pelo menos por alguns breves segundos, se sentiram minimamente representados.
Se as pessoas não conseguem ver o passo que essa cena significou para a auto-estima e para a luta em torno da representação, com todos os problemas que isso obviamente ainda carrega, sinto muitíssimo, mas talvez esteja faltando um pôr-do-sol e a mão de um ente amado para ajudar a curar a cegueira...


Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Djavan e suas músicas marcaram minha vida, assim como a de muitas outras pessoas. Em diversas fases, especialmente aquelas de venturas e desventuras amorosas, tava lá o alagoano, suas letras, melodias, aquele violão, aquele baixo, aquele arranjo, falando comigo e falando por mim. Pensei muito nisso enquanto ouvia, no carro, um cd com diversos discos dele, em MP3, que meu irmão me deu de presente. Era muita música marcante na minha história.:) Resolvi prestar uma homenagem a esse artista porreta, que quando brilhou foi esplendoroso, elegendo, com muuuita dificuldade, as minhas dez mais dentre as muitas músicas dele que amo. Os critérios são os mais diversos, inclusive lembranças profundas de amor, gostar de tocar no violão, dias felizes etc.. :) Também não me importei muito se é mesmo dele ou se ele interpreta, o que me importa é que foi via Djavan que a música me marcou. Lá vai:

1) "História de cantador" - segue sendo minha preferida. É ele cantar e eu me emocionar de ir às lágrimas. Primor.



2) "Lambada de serpente"- um clássico no repertório violeiro ênnico. Adoro!



3) "Você bem sabe" - uma das mais queridas, adoro cantar, lembranças múltiplas.



4) "Água" - me lembra dias felizes de uma amiga em seus tempos de artista e revolucionária. Também me emociono quando escuto, sempre.



5) "Boa noite" - adoro esse ritmo funkeado, adoro o baixo, adoro a letra. Sempre fico empolgada quando toca.



6) "Esfinge" - amo tanto o baixo nessa música que me prometi que vai ser a primeira que irei tocar totalmente quando puder estudar baixo, sonho antigo.



7) "Se" - posso ouvir mil vezes, não me canso. Me lembra tempos de picardia, hehe. E também é clássico na viola.



8) "Alegre menina" - a meu ver, dispensa explicações. Que lindeza de música, viva Dorival Caymmi!



9) "Linha do equador" - o que dizer da música que tem o que você gostaria de epígrafe da sua vida? "Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria/ isso pra mim é viver". Maravilhoso!



10) "Dou-não-dou" - outra das picardias. Adoro! Tb amo tocar no violão.



Espero que vcs curtam. Ou não, gosto é gosto. E foi difícil deixar de fora tantas outras, como "O vento", "Me leve", "Mal de mim", "Nuvem negra", "Eu te devoro", "Oceano", "Avião", "Florir", "Maçã", "A rota do indivíduo (Ferrugem)", "Bouquet", "Correnteza", "Doidice", "Esquinas", "Faltando um pedaço", "Meu bem querer", "Azul", "Morena de endoidecer", "Navio", "Outono", " Real", " Retrato da vida", " Seduzir", bem como as versões dele e Chico cantando "A rosa" e "Tanta saudade". Poxa, difícil fazer essa escolha, amo todas essas. As outras num gosto muito, não.

Viva Djavan, muito obrigada por ter marcado tão fortemente minha história!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Bem, faz tempo que não escrevo sobre os livros que ando lendo por aqui. Mas recessos e férias são tempos de leituras não acadêmicas. Nesse fim de dezembro de 2013 e janeiro de 2014 tô lendo algumas coisas bem interessantes, outras menos um pouco. Vou partilhando minhas impressões.

Li "Adeus, China. O último bailarino de Mao", de Li Cunxin (SP, Editora Fundamento, 2008). Tem filme também, mas esse ainda não vi. Achei o livro bem interessante, embora, obviamente, super anti-comunista e americanófilo, incluindo elogios pro casal Bush, George e Barbara, que dão um nojinho bonito. Mas, no geral, achei bem escrito e a trajetória do personagem principal é bem interessante, em todos seus aspectos humanos, culturais e, vá lá, políticos. Antropologicamente, bom pra conhecer um pouco mais da fascinante lógica da polissêmica e difusa cultura chinesa. Destaque pra nos lembrar como a nossa relação com os odores é construída culturalmente. Citando a parte em que Li Cunxin volta à China e a sua vila natal depois de anos exilado: "Enquanto percorríamos a estrada poeirenta rumo à vila, pude sentir o cheiro característico do campo, que me era tão familiar: fezes humanas, ainda usadas como fertilizante. As memórias da infância voltaram imediatamente. Como eu gostava daquele cheiro! Assim, eu tinha certeza de estar em casa" (p. 376). Me lembrou o velho cheiro de vinhoto, que subia da cana colhida em Conceição de Macabu, que deixava enlouquecidos os visitantes, que não o suportavam, e que afetivamente amávamos, eu e meus companheiros de infância, por nos lembrar exatamente esse tempo feliz.


Outra leitura dessas férias foi o badalado "Fim", de Fernanda Torres, seu romance de estréia (SP, Companhia das Letras, 2013). Como já disse em post no FB, achei assim, assim. Me lembrou a pegada de "Leite Derramado", de Chico Buarque, que também achei assim, assim.
 O querido companheiro de FB Leonardo Nascimento me deu uma boa definição: faltou algo orgânico. Sim, acho que é isso, em parte, falta vida, falta mergulho, falta densidade. Mas também, fiquei pensando depois, em um longo engarrafamento, falta empatia (mesmo problema que senti com "Leite derramado"). Acho os personagens uns manés. Babacas. Não me sensibilizam por nenhum aspecto. Não torço por eles, nem a favor nem contra. Não me comovo. Não me envolvo. Acho um bando de chato. Sou indiferente a eles. É o tal do orgânico de que falou o Leonardo, ficou devendo mesmo.

E agora terminei "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", do Mia Couto (São Paulo, Companhia das Letras, 2003), presente da querida Marilena, amiga de minha mãe, e um dos preferidos da minha amiga Maricota. Olha, é bonito pra caramba. Tem frases inesquecíveis. Meu amigo Marildo vai amar muito, tô doida pra emprestar pra ele (nós temos uma troca maravilhosa de livros, amo!). Mas num é um autor que fala comigo, incrível. Não me sensibiliza. É bonito, bem escrito e criativo pra caramba. Fundamental pra pensar sociedades pós-coloniais, tô dizendo, Marildo vai fazer a festa.Mas comigo não rola.
E tô feliz porque vou começar a ler "As confissões de Feliz Krull", de Thomas Mann. Porque esse aí, caramba, como fala comigo, amo plenamente. Tal do gosto, né? Cada um constrói suas afinidades eletivas, sabe-se lá o porquê. Mas para não ser injusta, duas frases belíssimas do livro do Mia Couto, para honrá-lo nesse post:

"Minha tia é mulher de mistério, com mal-contadas passagens no viver. Ela estivera fora, antes do meu nascimento. Não fora muita a distância mas era o além-margem, o outro lado do rio. E isso bastava para que nada soubéssemos dela. Que país é este que a pessoa se retira um meio-passo e já está no outro lado do mundo?" (p. 146).
"Como é que você encontrou este lugar? Mas ela negou. Os lugares não se encontram, constroem-se." (p.189).
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
No capítulo de ontem, sábado, 21 de dezembro, na novela Amor à vida, Felix debochou da árvore de natal branca, "cafona", que Márcia estava montando, e nostálgico lembrou das árvores de natal que sua mãe montava em sua casa, pinheiros gigantes, verdinhos, hehehe. A cena foi ótima, os dois atores deram o show de sempre (Mateus Solano e Elisabeth Savalla, seus lindos, vcs estão salvando aquela novela pavorosa!), e me fez lembrar minha própria história com árvores de natal, ligadas à minha mãe Maria Lucia.

Minha mãe é fã do Natal. Sempre foi. Até hoje. Mexi com ela outro dia dizendo que Papai Noel tava mandando um abraço de agradecimento pra ela porque no decorrer do mês de dezembro ela era praticamente a única, no Facebook, a falar frequentemente do Natal e de suas mensagens positivas, hehe. Ela sempre fez com que em nossa vida familiar (e de muitos de nossos amigos, em especial em nossa infância em Conceição de Macabu) os natais fossem especiais. E não pelos presentes (embora também), e não pela comida (embora também), mas pelo clima de festa e alegria que nos ensinou a partilhar. E a árvore sempre foi parte desse clima.

Ela já fez uma árvore com moedas de chocolate (no ano do Plano Cruzado, hahaha). Outra só com bombom. Ano passado fez uma com corações de pano com nossos retratos costurados em cada coração (que depois ganhamos de presente, o meu tá em cima da prateleira do meu computador de mesa, só me lembrando esse amor maravilhoso). Claro que escondemos o coração com o retrato de nosso primo Lucio, no dia em que ele nos visitou, só pra ele achar que foi esquecido, hahaha, claro que a maldade durou só um pouco, depois mostramos que ele também tinha direito a um coração, implicância antiga entre primos-irmãos, hahahaha. Esse ano fez árvore com borboletas, como mostro na foto no fim desse post. Enfim, é uma inventadeira.

Mas tem um natal e uma árvore em especial, que quero lembrar aqui. E foi a árvore branca da Márcia da novela que me lembrou dela, hahaha. Foi num natal há muitos anos, em nossa casa em Macabu. Era uma árvore branca, e já tava bem estropiada, coitada! Mamãe teve uma ideia de ouro: resolveu enfeitar a árvore com doces, dos mais diversos tipos. Tinha bombom, batom, flumelo, caramelo de leite, jujuba, pirulito etc. Muitos. Cada galho tava lotado desses doces. Estávamos todos, meus irmãos e primos, na fase dos 8, 10, 12 anos, hahaha. Passamos os dias anteriores ao natal sondando a árvore, cachorro olhando frango de padaria, gulosos e sonhadores, mas ninguém buliu nadica na árvore, que tava proibido e o que mamãe falava era lei.

Aí chegou a noite do dia 25. Uma certa hora, no decorrer da ceia, mamãe gritou: "crianças, vamos pegar os doces na árvore. Façam fila, um por um, cada um pega um doce e vai pro fim da fila de novo, pra pegar mais". Isso umas vinte crianças. Tudo ia mais ou menos bem quando começou o empurra-purra, a confusão, as crianças tentando furar fila, minha mãe tentou organizar umas duas vezes, por fim, aquariana que só, falou: "ah, chega! Atacaaaaaaaaaaaaaaaaar". E liberou geral pra criançada dar na árvore.

A cena que se seguiu foi inesquecível. Vinte crianças escalpelaram em minutos uma árvore de natal, cada uma que conseguia pegava um galho cheio de doce pendurado e saía correndo pela casa, carregando o seu troféu de guerra, sendo perseguida por outras em disputa, hahahahahaha. Eu e meu primo Lucio (o mesmo do coração escondido lá de cima) corríamos berrando, cúmplices sempre: "mear, mear", o que significava: "pega qualquer coisa, não escolhe, depois a gente divide", hahahahaha. O ápice da loucura: entro no quarto e vejo minha avó se trocando com uma criança por um flumelo, os dois no puxa pra aqui, puxa pra lá, disputa dura, hahahahaha.

Foi uma noite inesquecível, aqueles vinte demoninhos correndo pela casa, a sensação ao final quando repartimos o butim, pra mim aquele foi um natal com gosto de flumelo, jamais esquecerei. :)

Mas pensa que acabou? Não. No dia seguinte a mãe aquariana, vendo aquele cadáver de árvore, com os galhos todos retorcidos, resolve que é hora de fazer o enterro da árvore, com uma fogueira da mesma no quintal. Com as crianças em volta dançando e cantando. Cantando música natalina, com certeza, mas também de festa junina e até o hino nacional, hahahahha. Ela só assistindo e rindo da janela da cozinha.

Até que resolvemos pular fogueira. O piso do quintal era de cimento, já meio com limo. Quando meu amigo Johnny foi pular, o pé dele escorregou no limo e e ele abriu um espaguete em cima da fogueira, e as crianças más (eu, irmão e primos), nós, num deixamos ele ir pra lado nenhum, segurando e puxando as mãos dele, de maneira que ele ficou com a perna aberta, em espaguete, em cima da fogueira, tentando pular e berrando: "ai, ana, tá queimando meu pinto, tá queimando meu pinto", hahahahhaha. Soltamos o pobre rapidinho, nada de grave aconteceu, mas rimos por horas nesse dia.

Esta é uma lembrança inesquecível de natal. Sinto falta de nossa casa de Conceição e daquele natal em família. Mas minha mãe aquariana fez com que aqueles natais ficassem gravados em nossas mentes e corações, e de algum modo ela os recria anualmente, em sua casa em Niterói ou em seu perfil no FB. Papai Noel te manda um abraço de gratidão, mãe. Nós, também.


Marcadores: 2 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Hoje um ex-aluno querido comentou no FB sobre dor na sola do pé e dei umas dicas pra melhorar, pq fiquei PHD nisso depois que sofri meses, em 2008, com a tal da fascite plantar, uma inflamação pavorenta na sola do pé que deixa a gente bem biruta e irritado.

Daí lembrei que na época em que sofri com a fascite, me ajudava muito encontrar algumas infos na internet, era alentador ver q tinha alguma solução praquela dor chata infernal. Tava devendo fazer o mesmo, partilhando minhas descobertas e frustrações na busca pelo tratamento.



Assim, resolvi fazer esse post aqui relatando minha experiência e indicando o que de fato me fez melhorar e hoje saber como prevenir essa dor. Espero ajudar a alguém, como muitos me ajudaram com seus posts, blogs, comentários.

1 - sintomas: a fascite é uma dor que começa aguda na sola do pé e depois vira crônica se vc num cortar o processo inflamatório. Muitos ortopedistas diagnosticam primeiro esporão do calcâneo, o que atrapalha ainda mais pra vc começar a tratar. A dor piora muito depois que a fascia, que fica embaixo do nosso pé, relaxa, e isso acontece principalmente pela manhã, qdo a pessoa parece pisar em caco de vidro qdo acorda e pisa no chão. Gosto nem de lembrar.

2 - O que ajudou a suportar por algum tempo, mas não resolveu nada no final das contas: a) salmoura na água quente toda noite (botava até sais na água pra meus pés ficarem relaxados e gostosinhos, hehe); b) relaxante muscular qdo tinha que usar mais o pé (caminhar, dar muita aula etc.), em especial dolamin flex, um relaxante porreta (mas só use remédios mais fortes depois da consultar um médico, não se esqueça); c) injeção de cortisona dada por ortopedista na planta do pé (a aplicação doeu que nem uma praga, e depois de um mês voltou a fascite com os mesmos sintomas. Mas naquele mês, em que eu tinha uma viagem pro exterior e ia andar muito, me ajudou bastante. A ortopedista me avisou que era paliativo); d) tomar anti-inflamatório forte (tomava arcox, dado pela ortopedista, que depois foi proibido pela ANVISA), mas isso só resolveu por um tempo, depois voltou. Na verdade, o anti-inflamatório só serve pro início da doença; e) saber por vários depoimentos e tb por indicação de amigos que entendiam da doença (médicos, fisioterapeutas, professores de educação física), que ela tem uma curva de ascendência de 6 a 9 meses e depois começa a melhorar, isso me dava ânimo por saber q uma hora aquele martírio ia passar ou melhorar.

3 - O que me ajudou de verdade: a) acupuntura (foi essencial na fase aguda, pra tirar a dor mais constante); b) alongamentos na panturilha (veja o vídeo com a dica de alguns alongamentos, esse vídeo foi muito importante pra mim). Além desses dois alongamentos citados no vídeo, aprendi com um fisioterapeuta a fazer um terceiro tipo de alongamento, da seguinte forma: suba em um degrau de escada. Coloque um dos pés na borda do degrau, apoiando mais ou menos no meio da sola, de maneira que uma banda do pé fique no degrau e a outra pendurada. Aí coloque o peso todo sobre esse pé e alongue por 20 segundos. Faça o mesmo com o outro pé; c) alongamentos em geral, em especial na hidroginástica, que tem baixo impacto; d) não usar mais sapatos baixos, como sandálias sem salto, tênis all star e havaianas; e) usar uma bolinha daquelas de fisioterapia constantemente pra alongar a planta do pé, colocando a bola no chão e a sola do pé sobre a bola, rolando-a de forma a massagear e alongar a fáscia.

ATUALIZAÇÃO:

AGORA, O QUE ME AJUDOU PRA VALER, O QUE ME CUROU, TÁ NESSE POST AQUI: A PRÁTICA DO QI GONG, MAIS ESPECIFICAMENTE DO LIAN GONG. FICA A DICA MESMO, GENTE! NUNCA MAIS TIVE DOR NENHUMA! 

4 - O que faço pra prevenir e a dor não voltar: a) uso sempre tênis com amortecimento de impacto (o único que realmente acaba com minha dor é o Nike Pegasus, que tem tecnologia cushlon de amortecimento) e palmilha de gel para caminhar ou ficar em pé longamente. Também uso chinelo com amortecimento (havia um perfeito da Speedo, mas num fabrica mais; o NK5 da Kenner é ótimo); b) faço sempre os alongamentos que citei acima; c) sempre que o pé dá sinais de dor uso a bolinha pra alongar a fáscia (deixo perto do sofá da sala, pq faço vendo tv); d) uso vez por outra um produto pra massagear a sola do pé quando ela está dolorida, como Nocauteador ou Aliviador; e) e pratico pelo menos três vezes por semana o Lian Gong, mas qd dá faço todo dia mesmo.

Curei a minha fascite com técnicas caseiras. Achei as técnicas médicas muito invasivas e dolorosas, além de ter lido muitos depoimentos dizendo que elas não adiantaram de nada.

Como disse antes, estou partilhando por solidariedade. É uma dor chata e incômoda, não desejo a ninguém. Por isso, se vc está sofrendo com a fascite, calma, vai passar. Alguns dos procedimentos que indiquei acima ajudam na cura e aliviam. Se vc está acima do peso, como eu, melhor ainda é emagrecer pra evitar de vez os sintomas. Mas essas medidas já ajudam bem. Boa sorte!
Marcadores: , 5 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ontem, dia 14/11/2013, vivi a experiência de sete horas e meia de engarrafamento, das 13h até 20:30, no percurso Duque de Caxias até Icaraí/Niterói, que deveria ser feito em no máximo uma hora, em situações normais. Para não me estressar muito, ontem, no decorrer dessa maratona, aproveitando que estava em uma cia muito legal, ri, brinquei, postei no FB, ouvi música, comi pipoca do saco rosa, água da montanha sabe-se deus de onde, enfim, levei na esportiva.
Mas hoje, já fora do estresse, queria dizer que não podemos aceitar isso, não podemos naturalizar esse absurdo. O engarrafamento de ontem, véspera do feriado, não resulta só do excesso de carros saindo para viajar, mas da política inacreditável de transporte público, da especulação imobiliária, da falta de planejamento viário, de todo esse inferno a que estamos sendo submetidos por esses políticos que fazem do Estado parceiro de negócios do grande capital.
Tenho falado sobre o quanto a mobilidade urbana está sendo comprometida com a atual política de transportes e planejamento urbano. Isso tenderá a isolar muito, fisicamente, lugares mais periféricos de centros de concentração dos aparelhos culturais, políticos, sociais. Temos que nos mobilizar contra isso, denunciar, lutar. É uma forma de apartheid via trânsito, que irá cada vez mais dificultar e praticamente inviabilizar a circularidade na cidade, essencial para a democracia e para a diversidade cultural.
E olha que ontem estava de carro, que, mesmo sem ar condicionado, ainda me dá um conforto. Li relatos de pessoas que esperaram duas horas pelo ônibus e ainda encararam outras maís dentro do coletivo até chegar ao seu destino.
A pesquisa divulgada ontem nos principais jornais do país constata o que o carioca/fluminense percebe no seu dia-a-dia: "Rio tem o terceiro pior trânsito do mundo" (http://oglobo.globo.com/rio/rio-tem-terceiro-pior-transito-do-mundo-diz-pesquisa-10775611). Isso não é motivo de comemoração nem de orgulho. Isso deve nos indignar e nos fazer cobrar uma efetiva política pública para mitigar esse caos. Em nome de nossa saúde, em nome do meio ambiente, em nome da democracia, em nome da circularidade física e cultural. Na hora a gente ri pra num ter pico de pressão nem ficar doido. Mas num é coisa pra rir, não.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Santiago, capital do Chile, que conheci recentemente, tem várias características encantadoras. Os parques, em primeiro lugar. Belos, arborizados, limpos, agradáveis, aconchegantes aos passantes. Bancos pelas ruas, mobiliário urbano que nos convida a sentar e ocupar. Praças limpas, monumentos grandiosos e bem conservados. Um metrô limpo e muuuuito eficiente, uma beleza. Restaurantes e comida em geral excelentes.

Mas tem coisas bem contraditórias, também. Aquela poluição fazendo a cidade estar envolta em uma permanente nuvem que nos impede de ver o horizonte e a cordilheira. A evidente marca da distinção de classe, fazendo com que as pessoas de traços indígenas estejam praticamente destinadas aos empregos informais ou menos qualificados. Uma mistura de ar europeu na classe média com uma cafonice provinciana, fazendo com que muitas vezes os chilenos sejam discretos e indiscretos ao mesmo tempo, elegantes e rudes ao mesmo tempo, refinados e grosseiros ao mesmo tempo. E, principalmente, a ausência de cor. Fiquei pasma, realmente impressionada com a ausência das cores. Tudo muito cinza e marrom. As pessoas se vestindo basicamente de cores austeras, em especial o preto. Tudo muito preto, cinza, escuro. Aí vc chega nas lojas de comércio popular, de artesanato local, tudo colorido. Mas isso não está no dia-a-dia, na vida comum, na cara da cidade. Isso me impressionou e entristeceu muito. Imagino como deve ter sido lindo e rico em colores, misturas, culturas aquele Chile antes de ser tomado pela melancolia e pela tentativa de imitar a Europa no processo colonizador.

Durante meus dias em Santiago, reli Meu país inventado, livro de memórias da Isabel Allende (RJ, Bertrand Brasil, 2009) sobre sua terra que não é natal (nasceu em Lima), mas que é como se fosse, e de onde precisou partir após o golpe. Foi bom ter a cia da escritora nesse meu olhar sobre o Chile, ela me ajudou a decifrar algumas coisas. A busca do padrão europeu, por exemplo. Ela nos conta que a classe média/alta chilena tem obsessão pela Inglaterra, então, faz parte de um estilo apropriado parecer inglês. Isso explica muita coisa. Ao mesmo tempo, ela nos conta que a cordilheira criou um afastamento do mundo que faz do santiaguense um sujeito meio desconfiado, provinciano e muito fechado. Também fez sentido. E, principalmente, me fez bem a forma como a autora constrói suas memórias, como uma narrativa sem pretensão à verdade, a história de um "país inventado", como ela nos explica no trecho abaixo:

"Construí a ideia do meu país como um quebra-cabeças, selecionando as peças ajustáveis ao meu desenho e ignorando as demais. Meu Chile é poético e pobretão; por isso descarto as evidências dessa sociedade moderna e materialista, para a qual o valor das pessoas é medido pela riqueza bem ou mal adquirida, e insisto em ver por toda parte os sinais de meu país de antigamente. Criei também uma versão de mim mesma sem nacionalidade ou, melhor, como múltiplas nacionalidades. Não pertenço a um território, mas a vários, ou talvez só pertença ao âmbito da ficção que escrevo. Não pretendo saber o quanto de minha memória são fatos verdadeiros e o quanto foi inventado por mim, pois não me cabe a obrigação de traçar a linha entre uma coisa e a outra. Andrea, minha neta, escreveu uma composição escolar na qual declara: "Gosto da imaginação da minha avó". Perguntei-lhe a que se referia e ela explicou sem vacilar: "Você se lembra das coisas que nunca aconteceram". Mas não fazemos todos o mesmo? Dizem que o processo cerebral de imaginar e o de recordar parecem tanto que são quase inseparáveis. Quem pode definir a realidade? Tudo não é subjetivo?" (ALLENDE, 2009:216).

Conhecer o Chile sempre foi um sonho, pela história que precede meu nascimento e que contei em outro post. Confesso que foi um pouco decepcionante o Chile com que me deparei, nesta experiência de uma semana em Santiago em outubro de 2013. Assim, vou seguir as dicas da Allende e inventar o meu Chile, com seus parques, as memórias de minha mãe, o Jardim de Mariscos do Mercado Central, todas as pessoas simpáticas do povo que me atenderam nos lugares mais populares, em especial o garçom Hernán, do Mercado, que declarou para meu amor, quando eu estava ausente, que queria me dizer uma coisa, me dizer que eu "tinha um coração muito grande, que era especial", depois de termos passado uma tarde de cantorias, provas gastronômicas e traduções de parte a parte. Esse é o Chile que imaginei, alegre, fraterno, aconchegante, cantante e generoso. E no meu Chile há de haver muitas cores, muitas.



Como diz a letra da linda canção "Latinoamérica", do grupo Calle 13, que meus queridos Kleber Mendonça  e Leonardo Nascimento me apresentaram na volta do Chile: "Tú no puedes comprar mis colores/ Tú no puedes comprar mi alegría/ Tu no puedes comprar mis dolores"... Quero te encontrar, Chile querido, América Latina querida, em outras vozes, que não de sua classe média europeizada, triste, com suas roupas escuras e sua ausência de cores e espontaneidade. Por isso, voltei a ler e ouvir Galeano, Neruda, Allende, Violeta Parra, Victor Jara e outros mais, para que sejam meus companheiros de imaginação. Viva meu Chile inventado e colorido!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Meus pais viveram no Chile no ano anterior ao meu nascimento. Fui concebida em Santiago e eles foram para o Brasil alguns meses antes do dia em que nasci. Isso, evidentemente, me faz um pouco chilena. E ainda tenho esse cabelo de Zamorano e essa cara de Mercedes, portanto, algo muy fuerte me liga a este país. ;)
Estou aqui agora. Hospedada em um apart na Calle Merced, exatamente a rua em que meus pais moraram.
Quando fui escolher um hotel para vir para cá, aleatoriamente no site do Decolar, sem saber do endereço em que eles residiram e sem informações sobre bons lugares para hospedagem em Santiago, só escolhia hotéis nessa rua, pelas fotos, pelo preço, enfim, totalmente aleatório. Achei engraçado e num reservei logo, pra me informar melhor. Quando cheguei na casa de minha mãe, ela, sempre criativa e amorosa, tinha feito uma apostila com dicas de viagem para Santiago para que eu trouxesse comigo. No guia amoroso que ela criou, tinha um mapa indicando onde era o apartamento em que eles viveram e para meu espanto, era a Calle Merced. :) Ou seja, segue o mundo mágico me apontando os caminhos.
Ontem andei pela Calle Merced, me senti muito bem e feliz por estar aqui. Além de uma graça, ela é perto de tudo, dos monumentos, da casa de Neruda, do Cerro Santa Lucia, dos parques, do Mercado Central, dos museus, do metrô, enfim, espetáculo. Em seus arredores as ruas são charmosas com bares e cafés deliciosos. :) Conhecer Santiago é um pouco a realização de um percurso, uma volta a algo original ainda que inconsciente. Talvez isso explique o amor que sempre tive pela Latino América. Em todos os lugares em que ando pelos países da América Latina, me sinto meio em casa. O Chile pulsa em mim também, e me sinto bem-vinda nessa volta à casa. Gracias a la vda!
Marcadores: , 1 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
No Globo Niterói de 15 de setembro de 2013, notícia pra desesperar o pobre niteroiense: na semana de "mobilidade urbana" (em Niterói? hahahahahahahhahaha), de 21 a 28 de setembro, será instalada uma ciclovia "temporária". hahahahahaha. Tão de mta sacanagem, né? Vai paraaaaaaar tudo! Essa gente é louca. Dou a maior força pra ter ciclovia, mas colocando cones nas vias já enlouquecidas de trânsito da cidade, quem acha q isso vai ser bom, gente??? Já num basta a ciclovia fake na Av. Roberto Silveira em que a faixa para os ciclistas ocupa o mesmo espaço que os pontos de ônibus, o que levaria, um ou outro, ciclistas ou ônibus, a ter q aprender a levitar pra isso dar certo??? Não, pelo visto num basta. Ou já num basta aquela ciclovia maluca em São Francisco e Charitas, que só funciona em alguns horários, no restante é estacionamento, o que faz com que nem ciclistas nem motoristas saibam bem quando podem fazer o quê? Não, pelo visto num basta. Já num basta aquela ciclovia assassina/suicida na Estrada Fróes (gente, fico pasma como tem gente que tem coragem de andar ali!)? Não, pelo visto não basta. Na matéria, alguém declarava que a ciclovia "temporária" seria um teste para ver como o trânsito reagiria. Olha, precisa fazer o teste não, pergunta pra qualquer motorista de Niter se colocar cones pra criar faixa de ciclovia nesse trecho aí do mapa abaixo vai dar certo. Eu já respondo: vai dar, não. O que daria certo era num ter incentivo pra carro zero, o que fez a taxa de veículos novos em niter subir assustadoramente nos últimos anos; o que daria certo seria não verticalizar a cidade como vem sendo feito nos últimos anos, na maior farra de especulação imobiliária irresponsável, com uma explosão de edifícios, pessoas e carros em bairros que não têm a menor condição de receber esse aumento; o que daria certo seria um projeto de reforma para o centro da cidade que não incluísse a previsão de prédios de 40 andares; o que daria certo era uma CPI pra valer nos transportes, revendo a vergonha que é a prestação do serviço de transporte coletivo na cidade; o que daria certo seria o MP de fato interpelando o poder público sobre os pontos acima; o que daria certo era um investimento pra valer em inteligência de engenharia de trânsito, e não ficar mudando mão de rua como quem tá brincando de montar cubo mágico... o resto, minha gente, é uma grande de uma palhaçada pra usar dinheiro público, fingir que tá fazendo discussão sobre mobilidade urbana, dar uma de ecologicamente correto às custas de uma cidade engarrafada e num resolver nada. Na semana da mobilidade urbana, minha dica: "Corrão pras montanhas!"


Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:


episódio 1: tava passando pelo campo de são bento e um casal tava tentando se auto-fotografar no meio das árvores, ela grávida e ele todo bobo. Cheguei a passar, tava meio correndinha pra ir ao médico, mas resolvi voltar e me ofereci para fotografar os dois, pq achei a cena singela e bonita. Primeiro levaram um pouco de susto, depois agradeceram e sorriram para a foto e para mim quase que iluminando o dia. gentileza gera essa luz...

episódio 2: ainda no campo, vi passar três meninos, bem pequenos, com skate, fazendo manobras que nem os pinguins da bala halls, hehe, tudo feliz, de uniforme, na algazarra. Tinha visto os mesmos leleks no asfalto, na avenida roberto silveira, quando fui atravessar para pegar o campo de são bento, e eles estavam naquela faixa de ciclovia RIDÍCULA que a prefeitura de niterói inventou, que é cortada pelos pontos de ônibus e pelos carros que têm que virar à direita. Por várias vezes, os meninos quase foram atingidos pelos ônibus, que, com os motoristas estafados e mal preparados, são predadores urbanos. Quando os meninos passaram por mim novamente no campo, chamei: "ei, psiu, meninuuu, chega aqui". Pararam, meio desconfiados. Falei: "po, vcs estão andando super bem nesse skate, tão mandando mt bem, dá gosto de ver"! E eles: valeu, tia, valeu, tia, assim tímidos, mas gostando do elogio, e ainda desconfiados. Continuei: "po, mas num anda la no asfalto assim nao, pela pista, povo num respeita, e ai como é que fica? anda so aq no campo, fico preocupada c vcs, tao novinhos, mandando bem, mas correndo risco". Eles, ja sorrindo e relaxando: po deixa, tia, valeu, tia, manero, tia. e pronto, partiram riscando o chão com seus pés de sonho. adoro! Gentileza gera também essa leveza...

episódio 3: já saindo do campo (isso já tinha bicado o horário do médico, mas quem nunca?), fui abordada por um menino, uns 17 anos, afro-descendente, uniforme escolar, educadíssimo, me pedindo pra ajudar numa rifa pro colégio, "num se assusta não, num é assalto, só dois reais, senhora!, pra um evento da turma". Falei, beleza, pera. Catei no bolso de trás da calça, dois realzinho, dei pra ele, anotou meu nome na rifa, me deu o papel, sorriu bonito pra caramba pra me agradecer. Eu disse:" menino, como vc é bonito", e passei a mão de leve no rosto dele, mania que tenho de fazer com meus alunos de forma gera! Sorriu mais ainda e me abraçou meio sem jeito, aquele abraço meio de pai quando tá sem graça com filho, hehe, disse "obrigado, poxa!". e foi lá contar o din com os outros dois amigos q abordavam outras pessoas, olhando pra mim e sorrindo. Mais tarde, depois do médico, fui comprar uma bobagem pra comer e vi q tinha perdido dez reais que estavam no mesmo bolso.Torci pra ter perdido naquela hora e eles terem achado pra juntar na rifa. Gentileza gera um atraso no médico, uma nota perdida, um bando de caso bobo mas doce pra contar e uma penca de sorrisos iluminados... bem, essa foi uma pequena parte de meu dia doce e feliz. só partilhando.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Mais um instigante artigo no Prosa e Verso de ontem sobre a polêmica dos concursos para professores, que já vem sendo discutida no caderno de O Globo há três sábados. Nele, o autor, Claudio Gurgel, questiona, como muitos de nós, os critérios produtivistas que vêm sendo usados para mesurar a qualidade do trabalho do docente universitário. Reproduzo abaixo parágrafo com o qual concordo inteiramente:
"A universidade tem três finalidades: o ensino, a pesquisa e a extensão, devendo estas atividades ser associadas – o que significa que são ângulos de uma pirâmide, que a apoiam e se apoiam. Entretanto, o mais importante e determinante órgão público com “a tarefa de coordenar a avaliação da pós-graduação”, como se lê no seu site, a CAPES, pouca importância dá às aulas ministradas, às orientações dadas, às bancas feitas, aos projetos de extensão, às atividades dos grupos de pesquisa, aos debates, às entrevistas concedidas e até mesmo aos trabalhos apresentados em congresso pelos professores do ensino superior. Nada disto tem peso expressivo na pontuação de um professor, segundo a CAPES".
Por tudo que faço, pela professora que sou, pelo quanto me dedico ao ensino e à extensão, me sinto profundamente injustiçada com esses critérios. Não sou e nunca serei uma máquina de produzir textos, embora como jornalista de formação isso seria muito fácil para mim, na boa, mas muito fácil mesmo... Mas considero que escrever e publicar é somente uma parte de meu trabalho, que tem outros ângulos, alguns dos quais me tomam um tempo imenso (preparação das aulas, por exemplo) e, embora sejam fator fundamental para que minhas aulas sejam sempre cheias e eu seja reconhecida como uma professora de qualidade, nada contam para a CAPES. Assim como outros colegas, por tudo o que faço e pelo reconhecimento que meu trabalho tem nesses vinte anos de magistério, me sinto prova viva e testemunho de como esses critérios produtivistas são reducionistas e não conseguem dar conta do que se pretende em termos de análise. E seguirei praticando a docência na qual acredito, eu e muitos de nós, que não se curvaram à aplicação da lógica perversa do capital e seus índices produtivistas a esse fazer cotidiano, subjetivo, intenso e complexo que é dar aula.
Para quem quiser ler o artigo todo, o link é esse (o texto está abaixo, pq não estou conseguindo linkar só para o artigo, intitulado "Concursos na universidade: voltando ao ponto". Antes desse, tem um outro, com o nome "Silêncio ensurdecedor", do Angelo Segrillo, que também toca no ponto dos concursos, tendo sido, inclusive, autor do primeiro artigo que iniciou a polêmica)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ontem, dia 8 de agosto de 2013, tivemos a aula de encerramento do curso de Mídia e Mobilização Social, que tive a sorte e o azar, pelo mesmo motivo, de estar ministrando no curso de Estudos de Mídia justamente neste semestre em que eclodiram as manifestações todas nas ruas e nas redes sociais. Sorte e azar porque ficamos no olho do furacão, tivemos muito trabalho, eu e o querido Jader Moraes, meu orientando de mestrado e que dividiu essa disciplina comigo, para acompanharmos todos os acontecimentos, estarmos ligados, preparados para as discussões, que obviamente levaram os alunos também a ansiosamente se prepararem, lerem muito, participarem das manifestações, dos debates etc. Nunca aprendi tanto em um semestre como nesse, em tão pouco tempo. Evitei divulgar aqui que estava dando exatamente essa matéria, com esse nome, por que povo num ia me deixar em paz e por que as aulas, normalmente já muito cheias, ficariam impossíveis. Agora que acabou, posso falar sobre isso, sem estresse. Acho que estamos atravessando um momento fabuloso e que rende muita coisa para pensar, mas poucas vezes me senti tão weberianamente contemplada, por que como aprendi com esse amado pensador, a realidade como totalidade é inapreensível, e os recentes acontecimentos, nesse "mosaico de parcialidades", como disse o Capilé no "roda tonta", leia-se roda viva, mostraram isso de forma muito evidente. Apreendemos fragmentos, recortes, produções de sentido em mutação permanente. Isso é a vida e a ciência, como pretensão cartesiana, só pode se enganar e enganar aos demais. Acredito nessa ciência que curiosamente tenta compreender as ações sociais a partir de seus textos e contextos, seus atores e significados, suas lutas e processos, sem pretensão à verdade. Este foi um semestre maravilhoso para ensinar isso aos meus alunos. Mas também aprendi muito, com eles em sala, com tudo que li, ouvi, presenciei, discuti, com todos os maravilhosos convidados que aceitaram ir partilhar suas experiências generosamente conosco em sala de aula (o que inclui também o curso no PPCULT de Cultura e Práticas Sociais, que dividi com a amada Adriana Facina), também nos lembrando a vocação da universidade de ser um espaço plural, diverso, aberto para trocas e múltiplos sujeitos, o que ela historicamente se recusa a cumprir. Nossa luta política também passa por aí, por construir uma universidade menos torre de marfim, distinção, umbiguenta e preocupada com suas bestas lutas internas. Por fim, aprendi também coisas muito pessoais. A pedido do Jader e da Adriana, fiz um curso com mais gente falando, eu que tenho tendência a centralizar a sala quando estou dando aula. Foi dificil no começo, mas depois foi muito bacana e importante. Agora quero isso pra sempre. Em várias dessas trocas e conversas, a palavra "sonho" esteve muito presente. Muitos falaram sobre a necessidade de sonhar, do sonho não como fantasia mas como necessidade para continuar a viver mesmo em condições pouco generosas, do sonho como utopia possível. Ontem, na aula de encerramento, falamos sobre isso. E lembrei do meu sonho, no decorrer deste semestre, em que voltei a voar. Nunca mais tinha sonhado isso, e sonhei em meio a esses cursos, a essa experiência e momento de vida. Isso foi e está sendo maravilhoso. Viva a possibilidade de voltarmos a sonhar! Viva a possibilidade de conjugarmos o otimismo da  vontade com o otimismo do pensar. :) Obrigada a todos por esse semestre maravilhoso. E vamo q vamo!


Marcadores: , 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Conheci Córdoba, na Argentina, neste julho de 2013. Gostei muito da cidade, fácil de andar, plana, bonita, com pessoas receptivas e simpáticas. Mas passei um sufoco grande nos dois últimos dias, com uma infecção intestinal dos infernos, uma virose, sei lá, ainda to me recuperando com quatro dias de mal-estar, foi sinistro, muita diarréia, vômito, febre, calafrio, desidratação, desvario, foi brabo mesmo. Inverno tem dessas coisas, todo mundo muito junto, lugares fechados, aumenta a chance de contágio. Mas sofri, viu?

Mas mesmo tendo dado uma descidinha ao inferno, hehe, não foi suficiente para afastar as boas impressões da cidade, aliás, profundamente marcada pela memória religiosa. Os principais monumentos são igrejas e conventos, todos literalmente monumentais, de uma grandiosidade marcante. Deu, portanto, pra sentir o gostinho do céu antes da queda, hehe. ;)


A comilança também celestial, como sempre na Argentina. Carne e doces, ai, ai... mas observei que poucos são obesos, o que me indica que mesmo com alimentação mais pesada conseguem eliminar as gorduras extras. Caminham muito? Academia de ginástica num pode ser, quase não existem. É o mate que é digestivo? Viroses? hehe... Enfim, mistério... mas também fiquei feliz porque, ao contrário de quase todos os lugares no Brasil, minha obesidade (e lá claramente distintiva) era sumariamente ignorada. Ninguém me olhou de forma ambígua ou direta, como é comum aqui no Rio, especialmente quando comia feliz meu alfajor. Assim é o preconceito cotidiano, só realmente percebemos o quanto ele é presente quando nos surpreendemos com sua não existência em outros lugares.

Fui para Córdoba participar da RAM, congresso na área da antropologia que reúne povaréu do mercosul. O congresso é gigantesco e tava meio caótico. Mas meu GT, na área de Juventude, foi bom pra caramba, o que muito me alegrou. Aprendi e troquei muito. :)

Mais pontos positivos da viagem: táxi muito barato, não só para o visitante mas para o local; ruas limpas e bem sinalizadas; praças bonitas (um pouco mal cuidadas, praga de pombos!) e sempre ocupadas pelos moradores e turistas. Gostei das águas dançantes, no Paseo del Buen Pastor, e da igreja dos Capuchinhos, lindíssima.Não pude ir no Paseo de las Artes, na feira de artesanato e antiguidades que rola nos findes, nem no Parque Sarmiento, o principal da cidade, porque passei mal exatamente no dia livre para isso. Mas os amigos foram e adoraram, então, tá na recomendação.



No dia em que passei mal, fui conhecer o Museu da Memória dos desaparecidos de Córdoba. Tenho cá pra mim que foi parte do meu problema de saúde, porque saí de lá muito mal. Sei da importância de preservar a memória para não esquecermos, mas não tenho saúde para entrar no seio da maldade. Isso me dilacera. Mas, sim, é importante conhecer. Mas, não, nunca mais entro em um memorial dessa natureza. Aquilo sim era o inferno em meio ao paraíso. Tristíssimo.


Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
“Infelizmente, os vândalos não tinham youtube nem facebook...”

Tenho discutido em sala, com alunos, acerca da necessidade de se disputar os sentidos na luta pela hegemonia do significado. Por força das circunstâncias, parte da discussão acabou recaindo sobre o signo “vândalos”, muito em voga nesse contexto de mobilizações sociais. “Vândalos” foi o termo eleito pela grande mídia para classificar e, automaticamente, desclassificar a ação de parte dos manifestantes, em especial a que envolvia enfrentamento com a polícia, uso de pedras e força, destruição de patrimônio privado e público, saques etc. Mas, de forma geral, passou a ser sinônimo claro de toda ação envolvendo enfrentamento com a polícia, mesmo com as evidências indicando que a brutalidade, a violência, o atentado à vida e à ordem partiram, na maior parte das vezes, da própria polícia, o que levaria, no mínimo, a uma necessidade de relativizar-se quem, nestes casos, seriam os “verdadeiros” vândalos. Esta é uma forma de lutar pelo sentido e tem sido usada: o de associar o mesmo tom pejorativo e estigmatizante que a palavra carrega aos que ocupam o lugar da ordem e da civilização, colando o rótulo no comportamento policial e não no dos manifestantes.
Esta é a mesma estratégia que encontramos em cartazes e imagens que mostram descasos na área da saúde, educação, transportes, com hospitais e escolas deteriorados, serviços precarizados, mau uso do dinheiro público, ilustrados com frases do tipo: “quem são os verdadeiros vândalos?” e “Vandalismo é isso”. Também nesse caso, a disputa parte de um reconhecimento do significado vitorioso (“vândalos” são os que atentam contra a ordem pública e deterioram a cidade e a sociedade), e o que se desloca em termos de disputa é o sujeito em quem se colará o preconceito, e não o sentido da palavra em si.
Entendo que talvez seja importante, no entanto, lutar pela palavra em si, pelo signo enquanto significante deslizante, peça fundamental na arena de disputas pelo significado. Segundo a wikipedia, o primeiro a associar o termo com um “espírito de destruição” sabia perfeitamente disso, como podemos ver no trecho abaixo:
“O termo "vandalismo" como sinônimo de espírito de destruição foi cunhado no final do século XVIII, , em janeiro de 1794, por Henri Grégoire, bispo constitucional de Blois; ele cunhou o termo e o tornou comum através de uma série de relatórios para a Convenção, denunciando a destruição de artefatos culturais como monumentos, pinturas, livros que estavam sendo destruídos como símbolo de um ódio ao passado de “feudalismo”, "tirania da realeza" e "preconceito religioso", durante o Reino do Terror. Em seu livro Memoirs, ele escreveu: "Inventei a palavra para abolir o ato". “(linkaqui, o grifo obviamente é meu!)
“Inventei a palavra para abolir o ato”! Henri Grégoire estava por dentro: o discurso é ato, cria mundo, gera não só a interpretação da realidade, mas a própria realidade, que para além de existir materialmente, é sempre construção social. Então precisamos, penso eu, assim como Grégoire, re-inventar a palavra para instaurar o ato. Pois quem eram os tais dos vândalos? O que eles tinham, fizeram, criaram, para além da representação consagrada e hegemônica de terem sido o tal povo que saqueou Roma em 455, “destruindo muitas obras primas de arte que se perderam para sempre” (no mesmo verbete da Wikipedia que citei acima). Aliás, quem não saqueou Roma naquele contexto, não é, minha gente??? Vândalos ficaram com a fama, meio injustamente (esse argumento tá aqui nesse simpático trabalho escolar).
Mas nas duas fontes que citei até aqui, o verbete e o trabalho, não temos praticamente uma única linha sobre a cultura vândala (e nem em inúmeras outras fontes que encontramos quando digitamos no google as palavras-chave “cultura dos vândalos” e outras em torno destas). Só sobre sua suposta origem geográfica, que seria ali pela Noruega, segundo consta. Ponto engraçado esse, pois a Noruega num me parece um lugar muito atrasado hoje em dia, se quiséssemos usar os mesmos critérios do ocidente “civilizado” para desclassificar um povo/grupo/etnia como vândala, atrasada, bárbara, selvagem etc. Se fossemos por esse caminho, poderíamos perguntar: ué, então a herança vândala num seria tão perversa assim? Pois taí, mais um sentido pra disputar.... mas não é esse o caminho que escolheremos percorrer aqui.
Continuando, as fontes só falam deste aspecto e, principalmente, da invasão vândala na parte oeste da Europa, na França, Itália, Portugal, Espanha... e destruindo tudo, segundo as fontes e o senso comum e o discurso em ato do Grégoire e a mídia tradicional e as autoridades brasileiras. Ah, e parece que eles migraram para oeste forçadamente, porque foram atacados pelos hunos. Pera aí: então eles reagiram a uma agressão? Então os hunos seriam os “verdadeiros” vândalos??? Num parece semelhante com o que apontei acima, no caso recente brasileiro? Não faltam disputas significativas, pelo que podemos ver... mas também não seguiremos por essa vereda.
Pois, para concluir essa parte, quer dizer que as principais referências sobre os vândalos são construídas pelos povos que, supostamente, eles destruíram? Não se tem algo mais vândalo, por assim dizer, sobre o ser vândalo, só um olhar ocidentalizado sobre a identidade vândala? Aí fica complicado, né?  Não parece semanticamente muito justo que a representação sobre o outro seja construída na ausência do outro, só abarcando o outro visto pelos olhos do “um”, principalmente um “um” rancoroso e posteriormente vitorioso. Mais uma vez, não parece semelhante com o que faz a mídia no que tange às representações dos manifestantes como vândalos? Não fica faltando a representação que os “vândalos” teriam/têm deles mesmos?
Não sou uma especialista em História romana nem vândala etc. Tô aqui na humildade procurando referência sobre a cultura dos vândalos, no bom e velho google, por que fiquei curiosa sobre essa tal “cultura vândala”. Tá difícil. As referências são quase todas no naipe do que citei acima (origem nebulosa e saque de Roma etc.). Mas a gente pode fazer um exercício imaginativo, creio eu (claro que deve ter muito livro porreta sobre a cultura vândala, penso, mas num tá fácil de achar na internet, não. Então, vamos seguir com o que encontramos). Vamos pedir ajuda dessa fonte aqui. Nela, o autor descreve os povos “bárbaros” (vândalos dentre eles), assim:
“A maioria destes povos organizavam-se em aldeias rurais, compostas por habitações rústicas feitas de barro e galhos de árvores. Praticavam o cultivo de cereais como, por exemplo, o trigo, o feijão, a cevada e a ervilha. Criavam gado para obter o couro, a carne e o leite. Dedicavam-se também às guerras como forma de saquear riquezas e alimentos. Nos momentos de batalhas importantes, escolhiam um guerreiro valente e forte e faziam dele seu líder militar. Praticavam uma religião politeísta, pois adoravam deuses representantes das forças da natureza (...).”
Sei lá, posso imaginar um povo festeiro, com uma rica cultura rural, uma mitologia complexa e interessante, uma ética ligada a valores como honra e valentia, num sei, coisas assim. Devem ter sido muito interessantes, esses vândalos. E provavelmente deixaram uma contribuição rica para o caldeirão que formou a cultura ocidental no decorrer da Idade Média, depois que amalgaram com os povos do oeste. Nosso autor aí de cima concorda:
“A mistura da cultura germânica com a romana formou grande parte da cultura medieval, pois muitos hábitos e aspectos políticos, artísticos e econômicos permaneceram durante toda a Idade Média”.
Temos, então, um outro quadro, de difícil apreensão. Os vândalos teriam uma riqueza cultural que não conhecemos, porque a história que nos chega não foi escrita por eles. Contribuíram, assim como outros povos, para a cultura ocidental, mas seu registro na história é o de saqueadores e destruidores. Passaram a ser estigmatizados em um momento, segundo o wikipedia, de atribuição explícita de sentido, no século XVIII, pelo tal Grégoire. E é neste recorte de sentido, apresentado como verdadeiro, que a mídia hegemônica ancora a representação dos manifestantes brasileiros atuais como vândalos.

Minha proposta? Lutar pela positivação da palavra “vândalos”, e não negá-la e empurrá-la como uma praga semântica para o outro. Vamos nos apropriar do vandalismo como essa riqueza cultural que não foi contemplada e reconhecida, como essa voz que nunca foi ouvida, como esse povo que sob pressão teve que se mover e construir novos sentidos para sua vida... Vamos ser vândalos com orgulho, mas não por que quebramos tudo, mas por que somos aqueles que não puderam ter voz na história, que não tiveram sua cultura registrada e reconhecida, que são traduzidos pela hegemonia com a perversão do sentido único, fetichizados pelo olhar colonizador em um misto de desejo e repulsa. Vamos nos libertar do sentido dado, pronto, fechado, e recusar não só estigma de ser classificado como vândalo = baderneiro, mas recusar principalmente o estigma a que foram confinados os próprios vândalos, de quem sabemos tão pouco. Os vândalos também foram oprimidos pela história hegemônica e, de certa forma, também é nosso dever lutar por eles. Infelizmente, os vândalos não tinham nem youtube nem facebook e acabaram sendo relegados, pelo olhar dominante, a um lugar fixado: o da destruição e da ausência de história própria. Devemos, por eles e por nós, desconfiar disso e lutar pela flexibilidade dos sentidos. Somos todos vândalos, não somos todos vândalos, nem mesmo os vândalos, pelo visto, eram os vândalos... e é isso o que importa da cultura, como me ensinou Stuart Hall, que ela seja essa imensa “arena de disputas pelo direito de significar”.



"Enfim, ser "vândalo" é atrapalhar um projeto estabelecido de cidade, é romper com a ordem (raríssimos são os contextos onde consigo ouvir esta palavra sem sentir calafrios, se existem, no momento, eu não me recordo!), sair do lugar das exclusões e dos silêncios... Mas isso, todo bárbaro ("o outro") é, não é mesmo? Sem dúvida, mas o estigma histórico colocado aos "Vândalos" nos indica o peso, o grau da ameaça, da potência e das transformações que geraram pra "civilização"... Logo, carregar, na atualidade, os mesmos estigmas é imprimir aos manifestantes a mesma potência transformadora. Ameaçadora. E, só por sentir o medo na fala do opressor, qualquer estigma vale a pena" (este ótimo parágrafo final, escrito a partir da reflexão acima, é uma colaboração da Patricia Cormack, disputando os sentidos e propondo outras leituras. Show!)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Faço um prato muito simples, que fica gostoso, faz sucesso e todo mundo aplaude: o "pavê de galinha". Bora ensinar pra partilhar:

Ingredientes (para um pirex ou tabuleiro tamanho grande, para umas 6 pessoas comerem bem):
- 1 peito de frango cozido (cozinhe o peito num refogado de alho, cebola e sal, no capricho pra ficar saboroso e não deixar esturricar muito) e desfiado
- 200 g de presunto cortados em pedaços pequenos (quadradinhos)
- 200 g de mussarela cortada em pedaços pequenos (quadradinhos) - PS: vc vai precisar de mais 200 g de mussarela para finalizar o prato, como explico abaixo, portanto, compre 400 g
- 1 cenoura crua ralada
- 1/2 cebola cortada em pedacinhos
- 100 g de passas sem caroço
- 100 g de azeitonas cortadas em pedaços pequenos
- 1 tomate cortado em pedacinhos sem caroço
- 100 g de champignon
- 1 pacote pequeno de batata palha (deixe um pouquinho para a parte final do prato)

(OBS.: eu paro por aqui, mas vc pode improvisar com o que tem em casa e colocar, por exemplo, pimentão - mas bota pouco pq pega gosto, tipo 1/2 pimentão, e evita o verde pq ele dificulta a digestão -, milho, alcaparra - coloca pouco porque é salgada -, beterraba - coloca pouco pq pega o gosto-, ou o que mais sua imaginação inventar)

Modo de fazer:
- misture tudo em um recipiente grande, para poder misturar bem. Misture duas caixinhas de creme de leite. Coloque um pouco de azeite e de sal (POUCO). Use um pouco da água da conserva do champignon e/ou da azeitona para deixar a mistura menos seca (UM POUCO).
- Depois de misturar bem, coloque no tabuleiro/pirex. Cubra com mais 200 g de mussarela, procurando fazer uma manta sobre todo o conteúdo. Espalhe um pouco de batata palha sobre a mussarela para enfeitar.
- Leve ao forno alto. Assim q a mussarela tiver derretido, pode tirar e servir.

Aí é só correr pro abraço. Vai por mim.:)