Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

 E, finalmente, o terceiro balanço, eita mulher pendular, senhor!

3) nesta semana de abril, nesses idos de 2024, completarei 57 anos! Vixe, mas q tempo veloz, qual a necessidade disso, gente?

Desses 57, 30 em sala de aula, 30 morando na mesma casa, e os 57 em Niterói. Sou mt a narradora sedentária do Benjamin, num sou uma viajante apaixonada como tantas pessoas amadas que conheço. E tenho esse arraigamentos de áries, ne, signo que posa de aceleradinho mas é tradicionaaaaal que só. Só compra quem não conhece...

pois bem, tô a fim de balancinho sobre a vida. Sinto falta de algumas coisas, doutras agradeço pelo livramento. Sinto falta de jogar frescobol, aquela explosão muscular que eu tinha, às vezes até sonho com isso. Pra compensar, só agora, depois dos cinquenta e tal, finalmente consegui desbloquear meu cérebro pra aprender línguas estrangeiras, vejam vocês, ja tinha me encantado com o espanhol, finalmente to conseguindo dominar o inglês e ora lo vedi sono una italiana di cuore!

Minha família querida segue sendo meu apoio e é uma alegria infinita partilhar meu dia-a-dia com mãe, tia, pai, irmãos, cunhados e sobrinhos. São o melhor da vida e eu agradeço mt por ter sido abençoada com essa gente que os deuses me reservaram.

Fiz mts, mts, mts amigos pela vida. Em tudo que é lugar q passei. Sou festeira e agregadora. Como ariana, vou passando e não é fácil acompanhar meu ritmo. Lamento mt pelos amigos que não pude acompanhar mais tão de pertinho e peço desculpas pelos que sofreram com isso. Mas nunca esqueci de ninguém que em algum momento marcou meu coração. Isso vale pros meus amados alunos tb. 

Vivi mts e maravilhosos amores. Cada um deixou partes significativas em mim e me fizeram ser o que sou. Assim como minha família, amigos e alunos. Alguns acabam partindo, coisas da vida. Mas ficam, porque quando vivemos histórias de amor elas são impressivas, e pra mim, ao menos, isso foi bom. E acho que todas as relações me prepararam para o grande amor que estou vivendo hoje, talvez quem eu tenha esperado por tantos caminhos e encontros. Obrigada, seres encantados todos!

Tenho mais sonolência, tive que tomar remédio controlado pós desgoverno vcs sabem de quem e pandemia, me sinto mais cansada pós menopausa. Estou tentando me cuidar mais pra entrar nos sessenta, até pedi arrego e chamei uma amiga querida pra ser minha personal. Ainda toco violão. Reciclo lixo, nunca imaginei! Adoro sair pra comer e jogar conversa fora. Sigo implicante. Sou mais paciente do que eu era. Sinto mt falta de algumas pessoas. Estou aprendendo a desenhar e colorir. Passei a escutar mais os passarinhos. Leio menos porque me cansa. Fujo de filmes mt densos porque mundo já tá dificil, ne? passei a cuidar de plantas. Não tenho mais cachorrinho porque os últimos meses com Bebel foram muito intensos, ainda não consigo pensar nisso. Preciso me reencantar com a cozinha, a rotina da pandemia me deu um pouco de gastura. Sinto falta de nossa casa em Conceição e de um tempo de infância que era mágico. Não como mais carne, não bebo, não fumo minha charmosa cigarrilha. Amo fofocar. Quero me reapaixonar pela sala de aula. Ando me sentindo mt completa e plena ao lado de quem amo. Sinto falta de ficar à toa em uma praça, amo praça, tenho pensado mt nisso. Ainda jogamos buraco em família nos eventos e morremos de rir. Meu olho ainda brilha com mochilas, itens de papelaria e tralhas de 1,99. Ir ao Saara ainda é um dos meus programas preferidos. Ainda acho o mundo fascinante embora pesaaaado. Ainda acredito que só é possível uma pedagogia que seja crítica, afetiva e esperançosa. Quero viver muito, mas com saúde. Quero rir, sonhar, aprender, contemplar. Quero menos, e ao mesmo tempo quero mais. E ainda uso as hashtags #deixaaspessoa #sóaceitodeadornopracima #cadaumcomsuaalienação. Continuo falando em signos. Não suporto mais futebol, mas vou ver as olimpíadas. Tem dias que acordo bem desanimada e triste. Mas me encanto com coisas prosaicas e pequenas e a vida gira bonita. Ainda acho que família, amigos, amores e alunos são o que importa. Laranja segue minha cor preferida. Acho dormir à noite perda de tempo. Agradeço à terapia por tudo. Sigo caminhando na busca da utopia de um mundo mais justo e igualitário. Sei que estou do lado certo dos paranauê. Rompi com muita gente por causa de política e não me arrependo nadinha. Caminhar é ainda minha atividade física preferida. Quero aprender a dançar passinho. Pessoas são chatas e fascinantes. Faço resenhas esquisitas de tudo que assisto no facebook. Negócio de vida, que espetáculo, ne?

E djavaneando, "se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria, isso pra mim é viver". Obrigada pela cia, sua gente linda! 

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Vamos pro balanço 2:

e eis que nesse 2024 tb completo outra bodas de pérola (adorei, cafona como eu gosto!): 30 anos morando na casinha da Eurico Aragão. Já fiz post falando dos 20 anos, quem quiser pode ler aqui. De lá pra cá as coisas seguiram seu rumo, passamos por uma pandemia e estar nessa casa foi fundamental pra nossa sobrevivência e sanidade, amores se foram, veio quem era pra ficar, e agora a casinha passou pela big reforma dos 30 anos, ficando verdinha. Não vou falar mt dela aqui porque o post anterior segue atual. 

Só quero dizer que estou cada vez mais feliz de fincar minha história por aqui e que ainda espero ver esse jardim florescer, meu sono nessa rede ouvindo os passarinhos e a presença sempre bem-vinda de meus familiares, amigos, amores da vida e amor com quem quero dividir o presente e o futuro.



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Primeira semana de abril de 2024 e cá estou pra fazer três balanços. Vamos ao primeiro:

1) completo, neste ano de 2024, 30 anos de magistério! Que coisa! Comecei em 1994, novinha que só. Fiz de tudo pra não ser professora. Mas era negócio de destino mesmo... entrei em sala e pronto! Baixou o gaspareto e já sai falando de sociologia, marx, durkheim, como se fosse algo cotidiano. 

Conto sempre que dou aula, 30 anos depois, com mais conhecimento, é claro, por que, peloamor ne, tem q ter tb compensação em ficar mais velho, mas mesmo mais acumuladora de sapiências, o modo de dar aula permanece o mesmo daquele primeiro dia de 30 anos atrás. 

Não sou adepta do papinho de blablabla "vocação, missão, sacrifício". É uma profissão como outra qualquer, merece respeito, salário e condições de trabalho justos. Mas, no meu caso, dei sorte, porque é uma paixão. Amo sala de aula. Amo desde aquele primeiro dia. Pra mim é festa, parquinho pra aprender junto, lugar de troca coletiva, é um lugar mágico que sempre me comove.

Andei meio desiludida no pós pandemia, mas em homenagem aos 30 anos, bodas de pérola, fina ela! , estou fazendo movimentos de reencantamento. Quis o destino (pq nao era pra ser, então entendo como parte da magia) que o memorial que estou preparando para a banca de titular na UFF esteja sendo escrito exatamente nesse momento. É bonito fazer esse balanço dos 30 anos, dos lugares por que passei, colegas maravilhosos que conheci, centenas de ex alunos, muitos transformados em amigos, autoras e autores que transformaram minha visão de mundo inúmeras vezes, metodologias construídas no processo dialético da sala de aula, tantas histórias e momentos inesquecíveis. 

Tenho vontade de me aposentar, quase 40 anos trabalhando, 30 só de docência, corpo tá cansado, cabeça quer voar pra outras paragens, mas enquanto eu estiver em sala de aula, orientando, estudando p partilhar conhecimento, aprendendo junto, pesquisando, praticando uma pedagogia de afeto, autonomia e esperança, como aprendemos com Paulo Freire, vendo os olhos da alunada brilhando, aquela alegria que percebo nas minhas aulas, ah, enquanto isso rolar, vou festejar mt. 


Porque sorte grande na vida é a gente amar o que faz e eu dei sorte dobrada pq isso aconteceu comigo na lida em sala de aula, me dando o prazer, a honra e a alegria de ser, há 30 anos, essa tal de professora NaEnne. Agradeço a todos os mestres que me inspiraram, em especial minha mãe, aos quais já agradeci nominalmente em inúmeras oportunidades; a todas as alunas, alunes e alunos que confiaram em mim e me entregaram também o seu melhor em todos esses anos, na Universo, Estácio, Silva e Souza, Castelo Branco e UFF, sem falar nas instituições em que dei cursos, aulas, oficinas, conferências e palestras, nessas três décadas peroladas; aos colegas de docência, os de verdade, porque como em toda profissão tem uns embustes que só jesus, coitados dos alunos.

Como canta Milton, genial:

"Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada.
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada.
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo.
Quem irá me valer?
É segredo de fazer amigo". 

É isso:

"Eu quero mesmo é ser feliz;
Amar, amor.
Quem não semear não vai colher.
Ai de quem é um e nunca será dois
Por não saber"

Tenho sido muitas, muites e muitos, e isso é uma benção danada... :)

Nesse outro post, conto um pouco dessa história no balanço dos 20 anos!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
A receita deste bolo delicioso e fácil de fazer foi me passada pela querida Paula Lacerda. Usei pra fazer o prato do Cozinhando com Benjamin <3

Para o bolo de chocolate:
Ingredientes:
 - 3 ovos
- 1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar
- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo (eu estou usando farinha de arroz, deu super certo e ainda ficou mais leve)
- 1 xícara (chá) de chocolate em pó ou achocolatado (uso cacau, e como é mais amargo coloco 2/3 da xícara)
- 1/2 xícara (chá) de óleo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- 1 pitada de sal
- 1 xícara (chá) de água quente (mas não fervida)

Modo de preparo:
- Bater com fuê e/ou batedeira ou mixer; tb pode ser no liquidificador
- primeiro os ovos, o açúcar, o óleo, a farinha, o sal e o chocolate (cuidado para não bater muito a farinha)
- depois a água quente
- e, por último, o fermento. Depois do fermento não pode bater muito, é só pra misturar.
- depois é assar no forno, no fogo médio, por cerca de 45 a 50 minutos, na forma untada (não abrir antes de meia hora). 

Para a cobertura de chocolate:
Ingredientes:
- 1/4 de xícara (chá) de leite
- 1/4 de xícara (chá) de água
- 1 colher de sopa de manteiga ou margarina
- 1/2 xícara (chá) de chocolate em pó

Modo de preparo:
- levar ao fogo, ir mexendo sempre até engrossar um pouco, depois jogar em cima do bolo.





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Quem é mestre da gente, é mestre pra sempre, né? Então, a querida Ciléa da Matta, ex-profe querida, me passou a receita de seu Creme de Inhame delicioso, que fizemos aqui em casa numa noite fria dessa quarentena infinda.

Conforme prometido, e com a devida autorização da Ciléa, segue a receita original, com as pequenas adaptações que fiz:

Ingredientes:
- 5 inhames pequenos descascados (fiz pra duas pessoas, rendeu bem, acho que pode colocar 10 inhames pequenos se quiser fazer pra mais gente ou inhames maiores em menor quantidade)
- 1 colher de manteiga
- leite
- queijo ralado
- agrião (como eu não tinha, usei um pouco de cheiro verde e coentro)
- sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
- cozinhar bem o inhame em àgua e sal (dei uma refogadinha antes no alho e na cebola). Deixar ele bem molinho.
- Retirar da água e amassar com um garfo. Fazer um purê com ele, com manteiga e o tempero desejado.
- Ir acrescentando leite até obter uma consistência de creme (dica da Ciléa: caso não possa usar leite, creio que poderia usar a água do cozimento ou congelá-la pra usar na preparação de caldos ou sopas. Seria um crime jogar essa concentração de ferro fora. PS: eu usei menos leite porque usei essa água do cozimento também).
- Misturar o queijo ralado. - Quando estiver pronto, colocar agrião, tampar a panela e desligar o fogo.

OBS.: como não tinha o agrião em casa, deixei pra colocar o tempero final (cheiro verde e coentro) na mesa mesmo, do jeito que cada uma preferia. Eu coloquei ramos inteiros porque prefiro pra sentir o gosto, Lídice já prefere picadinho, xom filetes de azeite, como podemos ver nas imagens abaixo.

Fácil e delicioso de fazer. Aquece a alma e o corpo :)



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Pensei muito antes de escrever aqui, porque sempre fico constrangida de falar do que sinto quando penso que tem gente mais diretamente atingida do que eu. Mas depois entendi que preciso escrever esse texto, um pouco por mim, porque a palavra cura e eu to numa tristeza danada, mas principalmente pelo dever moral de dar testemunho do que significava o Museu Nacional e como sua perda, resultado de um projeto de desmonte da cultura e da educação neste país, não pode passar batida. Devo isso a minhas amigas e amigos que lá trabalham, pelos professores-mestres que me formaram, por todo o esforço que inúmeras pessoas que atuaram e atuam naquele espaço fizeram e fazem, mesmo em situação enormemente precarizada, para que o Museu Nacional fosse o que era.

Eu poderia contar muitas histórias, porque foram muitos anos, como turista, como visitante, como aluna do mestrado e do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia, nosso amado PPGAS, já como professora da UFF em eventos e bancas por lá e como amiga de meus amigos que lá trabalham. Escolhi duas, porque acho que elas são síntese do que gostaria de lembrar e testemunhar aqui.

1) Lembro como se fosse hoje quando, assim que terminei a graduação em Comunicação, fui com o Gustavo Barbosa dar uma passada no Museu para conhecer o PPGAS, tínhamos vontade de continuar estudando, e achávamos que antropologia poderia ser um caminho legal depois da comunicação. Lembro que ficamos encantados com aquele jardim onde ficava o PPGAS, tinha arara, tinha banco pra sentar, tinha árvore. Pegamos as informações, fizemos projetos, mas não rolou naquela época. Eu fui trabalhar em jornal, mas naquele dia eu pensei: "taí, gostei desse lugar, ainda vou estudar aqui" (Gustavo também acabou sendo aluno de lá posteriormente, aquela visitinha foi premonitória). Cinco anos depois, já ciente de que não queria atuar em jornalismo de mercado, fiz a prova pra lá, passei e iniciei, em 1993, uma longa história, que, entre mestrado e doutorado, com paradinha no meio, só se completou em 2002, quando defendi meu doutorado (lembro que fiz uma conta quando tava imprimindo minha tese pra entregar pra banca que me horrorizou: tinha passado três copas naquele Museu! Lembro que eu saia das aulas pra ouvir no rádio o resultado dos jogos crente que tava sendo discreta e quando eu voltava pra sala todo mundo ficava me perguntando, inclusive o professor, isso na copa de 1994!). Tive a honra e a sorte de ter sido orientada por dois grandes professores, no mestrado pelo professor Gilberto Velho e no doutorado pelo professor Antonio Carlos de Souza Lima, esse meu mestre para a vida inteira, que me ensinou uma grande parte do que sei hoje sobre dar aula, pesquisar, orientar e aprender com a vida, e que me ofereceu, generosamente, também sua amizade, que me enche de alegria diariamente. Grande parte do que sou hoje, academicamente falando, devo ao PPGAS, a seus professores e funcionários, a sua biblioteca INIGUALÁVEL, com a qual mantive uma relação amorosa para além dos tempos de estudante, recorrendo a ela quando não achava alguma coisa em outro lugar ("Não tem no PPGAS, não tem em lugar nenhum", a gente costumava dizer quando indicava uma bibliografia difícil pra alguém), perturbei muito Cristina, Isabel e Carlinha pra levar mais de cinco livros pra casa... imagina, eu, uma apaixonada que sou por livros, com uma biblioteca daquelas, eu ficava louca!

Mas tinha mais do que livro. Tnha muita vida, amigos e desafetos, debates e brigas, críticas e deboches, tinha VIDA!!!!Tinha muito gente séria e compromissada dedicando suas vidas às pesquisas ali. Eu queria agradecer muito aos professores que me atravessaram mais fortemente, João Pacheco de Oliveira, Gilberto Velho, Antônio Carlos de Souza Lima, Giralda Seyferth, Moacir Palmeira e Luiz Fernando Dias Duarte, suas aulas transformaram o meu mundo e, como disse minha amada amiga Adriana Vianna, egressa também do PPGAS e hoje brilhante professora e pesquisadora daquela instituição, ali pude aprender mais do que imaginei ser possível. Ter passado por aquele PPG foi uma experiência arrebatadora e se hoje sou a professora que sou devo muito, mas muito ao Museu Nacional.

2) Quero contar uma segunda coisa: já como professora, num certo período antes de entrar na universidade pública, em que dei aulas em várias universidades privadas do Rio de Janeiro, tive a oportunidade de visitar o Museu, não o PPGAS, mas o Museu Nacional, com suas exposições, acervo, aquela belezura que era o xodó de tanta gente, que fazia fila pra visitá-lo no domingo, o "Museu mais amado", como disse minha amiga Adriana Facina, também brilhante professora e pesquisadora daquela institução, também egressa de sua formação. Peguei uma turma de cinco alunos que eu tinha no curso de Antropologia que eu dava para desenho industrial na Silva e Souza, em Bonsucesso, enfiei no meu fiat uno e falei: "hoje vamos ver a materialidade das coisas, vamos no Museu Nacional". Do grupo, três não conheciam o Museu, outros dois tinham ido na infância. E quero falar dessa experiência: naquela visita, éramos seis crianças vendo tudo, maravilhados, nos divertindo, aprendendo. Era uma época pré foto, pq isso foi lá pros idos de 1997, sei lá. Ficou tudo guardado na parede da memória. Naquele dia eu entendi o poder daquele Museu, como ele falava com as pessoas, não importando a idade. E isso aumentou ainda mais meu amor, que já era imenso.

Acompanhei o descaso com o Museu, ele não vem de hoje, obviamente. Faltou investimento e vontade política em sucessivos governos para cuidar daquele patrimônio material, científico, afetivo, cultural e profissional. Mas nos últimos anos a situação piorou bastante, como revelam os depoimentos de quem lá trabalhava. Porque há um evidente projeto político de estrangulamento da cultura e da ciência nesse país, agravado muito pela PEC do fim do mundo, a que congela os investimentos federais por 20 anos, atingindo especialmente as áreas da saúde, da cultura e da educação. Estão pegando fogo diariamente o SUS, as escolas e universidades públicas, os projetos e bolsas de pesquisa, os prédios que abrigam a memória e a história do país, os pontos de cultura, a juventude negra, as favelas sob intervenção, as moradias precarizadas pela falta de políticas habitacionais, os ônibus e trens sucateados... é muito coisa que vem sendo queimada diariamente, gente! Precisamos lutar contra isso, porque não podemos deixar essa brasa sendo alimentada e virando essas labaredas apocalíticas daquelas imagens dolorosas do nosso amado Museu pegando fogo!

Incrível nesse momento ter que dizer o quanto é canalha criminalizar os profissionais da universidade, dos bombeiros, pelo que aconteceu. Colocar a culpa em quem faz milagre pra continuar trabalhando em situação precária, eu, como professora de universidade pública, sei bem do que estamos falando, é inaceitável. A culpa é do projeto político de sucateamento e precarização da saúde, educação e cultura, de nossa elite deslumbrada e cínica. Sem perdoar nenhum governo federal, mas olhando os dados e vendo o que vem acontecendo nos últimos três anos. É um projeto nefasto e, se não pararmos isso agora, teremos um custo ainda maior.

Por fim, queria dizer que ontem, no silêncio de minha tristeza, eu lembrava que todas as vezes em que eu ia no Museu e no PPGAS para um evento, uma banca, uma visita, uma passadinha na biblioteca, eu sempre dava uma sentadinha naquele jardim, não importava se eu estava atrasada ou não, pra dar uma respirada, e pensava: "quando eu me aposentar vou tirar uns dias pra vir ficar lendo aqui". Com a aposentadoria em risco e aquele lugar tão poderoso e lindo destruído, fico pensando como é difícil sonhar em tempos sombrios. Não podemos deixar que roubem nossos projetos de um mundo melhor, nossos sonhos e nossos lugares amados. Não desistiremos! Luto é luta!

Por fim, um abraço especial pra Fernanda Guedes, funcionária há 15 anos do Museu, e que defendeu na sexta passada sua dissertação de mestrado pelo PPGCOM/UFF exatamente sobre o Museu Nacional e a relação do público com este espaço. Foi uma defesa linda e emocionante, uma homenagem ao Museu com toda a vida que ele continha. Nesse momento de tristeza, é o que eu vou guardar no coração. Obrigada, Fernanda!

E, pra terminar, três fotos de um dia especialmente feliz: a banca de titular de amado Antonio Carlos de Souza Lima. Dia de festa, de consagração, de afeto. Dia de vida, o que guardarei na parede da memória porque a gente precisa sobreviver e seguir na luta.










Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Inverno, frio, dá uma fome, ne? hahahahaha.



Hoje pro almoço fiz um peixe assado que é queridinho do povo aqui de casa. Outro que não é caro e dá pra geral, 4 pessoas comem mt bem. Então, vamos lá, nessa cruzada pela boa alimentação a baixo preço pros meus alunes tudo (podem me convidar pra provar depois!):

1)  Ingredientes:
400 g de filé de tilápia (umas quatro postas), vende no mercado, no hortifruti, tb chamam de saint peter, é peixe de água doce, sem espinha, branquinho e macio.
- 4 batatas médias/grandes
- 1 e 1/2 cebola (se vc ama que nem eu, taca logo duas)
- 2 tomates (tire as sementes, não pode ficar comendo isso pq dá problema no ácido úrico e quando se tem divertículo, vai por mim)
- 1/2 pimentão amarelo ou vermelho (se vc não tem problema com pimentão, pode ser o verde mesmo)
- 6 a 8 dentes de alho

2) Modo de preparar
- corte a batata em rodelas nem muito finas nem muito grossas e espalhe em uma travessa para assar (pode ser tabuleiro), formando uma base para colocar o peixe em cima. Se quiser coloque um pouco de manteiga pra não agarrar, ou um papel laminado por baixo. Use o sal em pitadas pra temperar a batata (não coloque muito pq vc vai colocar mais depois). Dê uma regada com um pouco de azeite (não coloque muito pq vc vai colocar mais depois).

- coloque sobre essa camada de batatas fatiadas as postas de tilápia. Tempere o peixe com sal e um pouco de molho de alho (se não tiver, passe um pouco de alho picado mesmo). Lembre-se sempre: não coloque sal demais, eu em geral vou passando as pitadas de sal no peixe e sentindo se está bom.

- corte o tomate, o pimentão e a cebola em rodelas ou em lascas. espalhe sobre o peixe. Faça de maneira a ficar distribuído e colorido (comemos com os olhos também!)

- coloque os dentes de alho espalhados pelo prato (dica que aprendi recentemente: com a casca. Ela é fundamental para manter os nutrientes do alho enquanto ele assa. E depois de assado ela sai com facilidade e o gosto do alho fica maravilhoso).

- Dê agora uma regada mais generosa de azeite, pro prato ficar mais molhado, e salpique mais, ou seja, coloque um pouco mais de sal, sempre com cuidado.

- Cubra com papel laminado e leve ao forno alto por cerca de 40 a 50 min. Depois retire o papel laminado e deixe mais 10 minutos assando com a travessa descoberta. Fique de olho, especialmente nessa parte final, para não queimar.

Depois pode levar pra mesa e servir, deixa o azeite e o sal pra quem quiser colocar mais um pouco. Mas nem precisa, já vai estar no ponto. Bom apetite!





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
E pra festa ficar completa, replico aqui o discurso lindo que a Mariana Cardinot, formanda de 2016/2 em Estudos de Mídia, fez pra me homenagear na formatura. Foi um daqueles dias mágicos que só a relação prof/aluno pode explicar. Te amo, Mari queridona, vou guardar pra sempre!



"Boa noite gente, é honra poder estar aqui e falar em nome da turma dessa pessoa, desse ser humano incrível, dessa mulher que é a Ana.  ~e uma dificuldade absurda tb, aquariana neah gente é difícil fazer essas declarações públicas de afeto, mas juro que temos coração sim ~                    
Estava eu reflexiva aqui, e como é que pode uma Ariana gente, ARIANA ser tão amada e homenageada há tantos anos quanto essa mulher é. Isso desafia a astrologia e merece um estudo real (Fica dica aí para próximas pesquisas).

A  ana é o nosso primeiro contato na graduação de mulher forte, que quebra padrões e quem vem desfazendo, construindo e desconstruindo tudo na nossa cabeça. Tudo que se aprendeu a vida toda de como um aluno precisa ser para ser um bom aluno, e de normas de como um professor precisa seguir, com ana, isso não existe. Esses dias eu li em uma postagem que ela mesma fez no facebook em que criticava esse desejo do professor de se ter uma atenção exclusiva do aluno durante toda a aula que me fez lembrar o motivo que me fez me apaixonar cada dia mais em ser sua aluna e em frequentar suas aulas. “No caso de uma aula, são meus alunes, que mediadores que são, vão se apropriar do discurso-aula de formas diferenciadas, dispersas, resignificantes. E, para isso, a desatenção é parte fundamental, para que os jogos matéria e memória, corpo presente e camadas de imaginação, movimentos de extensão e distensão que são a vida, possam acontecer.”
Nós alunes , distraídos porém atentos, mandamos florzinhas de gratidão por isso.

E a Ana é um combo de ensinamentos. Na sala de aula ensina que não precisa cobrar presença para se ter aulas lotadas, ensina que a vida as vezes é uma aula, e que a  gente aprende coisas na aula que leva para a vida. Que o BBB pode dizer muito sobre quem a gente é, que “Vale Tudo” é um novelão da pourra. Sim, podemos aprender sociologia com novelas, séries e coisas que a gente mais gosta de fazer. E que the voice kids pode ser o melhor programa de TV se juntar a galera para comentar no Facebook. Ninguém sai ileso dessa relação. Uma vez que assistiu uma aula da Ana, você leva ela com você pra onde vc for. E tem esse papo que ainda não superamos de que  “Nenhum discurso é essencialmente verdade”? vai dando um bug real na cabeça. Ela tá inventando essa história meu brasel? isso é verdade povo? acho que nem ela sabe.

Em janeiro desse ano, eu apresentei meu TCC e ela esteve entre os professores da banca e disse “As vezes, a gente tem medo que as coisas acabem. É difícil mesmo concluir algo que a gente gosta. Vocês ficam dizendo aí que a vida é fluxo, a vida não é fluxo não, a vida é ciclo.” E hoje estamos aqui juntos, fechando nosso ciclo. E queremos agradecer o privilégio que é ter tido você como parte disso. Obrigada."
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Amo formaturas! Tenho sido agraciada, ano a ano, com homenagens de meus alunos e alunas, o que me deixa sempre imensamente feliz e orgulhosa. Fui paraninfa e patronesse um tanto e isso sempre se constitui num desafio de criar discursos originais a cada vez. Já falei de ousadia, já fiz discurso de improviso, já citei Fernando Pessoa, Novos Baianos, já imitei a outra lá e copiei discurso de Michele Obama (ideia da minha mãe, hahahaha), já falei de política, do mercado de trabalho, da amizade, já fiz discursos mais personalizados em turmas pequenas, já falei de um tuuuudoooo. Mas o de ontem achei diferente, amei escrever e senti que teve um efeito forte. A pedidos, partilho aqui pra quem quiser ler. Com um grande beijo de agradecimento pra turma de 2016/2, que fez uma formatura linda, com discursos fortes, emocionantes, muito intensos. Valeu, gente! Um beijo grande também pros demais professores homenageados, meus queridos Marildo Nercolini, Antonio Junior e Bia Polivanov. Foi bonita a festa, pá! :)



Abaixo, o discurso na íntegra. Se prepara que lá vai textão. Mas sabe que até acho que vale a pena ler até o final? #fikaadika

Queridas e queridos formandos, colegas de universidade, familiares, amigos e amores, boa noite!

Antes de mais nada, obrigada, mais uma vez, por ser honrada com essa homenagem. Amo formaturas, é um prazer enorme estar aqui, me sinto muito lisonjeada todas as vezes em que me homenageiam nesses rituais. Portanto, começo agradecendo, de todo o coração.

Hoje quero falar de algumas coisas. Vou começar com um poema lindo de Hermann Hesse, sim, o escritor, aquele de Sidarta, O Lobo da estepe, Demian, que é também um poeta fabuloso. Pedirei ajuda a ele pra falar aqui hoje com vcs. Trata-se do poema de nome “O poeta”, composto lá nos idos de meados do século passado. Jesus!

À noite, eu muitas vezes não consigo dormir:
a vida dói.
Fico então a brincar com as palavras,
com as boas e as más,
com as gordas e as magras,
e vou nadando pelo espelho do mar delas.
Longínquas ilhas surgem com azuis palmeiras,
da praia sopra um vento perfumado,
na praia um menino cata conchinhas de várias cores,
banha-se em verde cristal uma mulher cor de neve.
Como no mar arrepiam-se as cores,
em minha alma flutuam sonhos-versos:
gotejam de prazer, enrijecem de luto,
bailam, correm, dispersam-se perdidos,
enrolam-se em palavras conformados com essa vestimenta,
interminavelmente vão trocando de som, forma e semblante,
parecem antiquíssimos e contudo cheios de inconsistência,
A maioria das pessoas não entende:
dão por loucura os sonhos e me dão por perdido
– e assim me veem mercadores, jornalistas, professores.
Crianças e mulheres muitas, de outro lado,
sabem de tudo e me amam como eu a elas,
pois também elas estão vendo o caos dos aspectos do mundo
e a elas também a deusa emprestou seu véu.

Amo esse poema, ele sempre me emociona muito.

Vou partir do final dele pra falar de vcs. Sabe o que mais amo em vcs? A alma curiosa, encantadora, de quem tem o mundo pra descobrir. Amo que vcs sejam crianças e representem o feminino, no sentido dado por Hesse no poema, como o não instituído, como a negação da ordem do discurso que encerra a diferença na loucura e vê os sonhos como perdidos. Quando vcs chegam no primeiro período e nos encontram, e aqui falarei especialmente por mim, Antonio e Marildo, com quem partilho há muitos anos esse momento limiar tão bonito, quase todos oriundos do ensino médio, tão jovenzitos, 17, 18 anos, mas mesmo os que chegam mais cascudos, vividos, mas encaram o começo ou o recomeço de uma nova faculdade, vcs chegam com esse olhar lúdico, meio assustado, meio marrento, meio amoroso, meio desconfiado, mas sempre dispostos a aprender, a trocar, a crescer junto.
E sabe o que vcs fazem com a gente? Vcs nos transformam. Falando especificamente de mim, a cada semestre, rejuvenesço um, dois, dez anos. Uma benção, nem meu cabelo quer embranquecer, pra desespero da minha irmã mais nova... E como se dá essa magia, pq é negócio de magia, minha gente!
Acontece assim, olha:
Quando vcs fazem cara de surpresa quando descobrem que negócio é negar o ócio, que tudo no mundo é híbrido, que essência é construção discursiva, que memória é uma ilha de edição, que não é possível separar o real da representação do real, que a mídia é lugar de manipulação mas também de disputas...
Quando vcs se engajam nos projetos, nos grupos de estudo, nos cineclubes, nas produções de eventos, nas pesquisas de iniciação científica, nas monitorias, no movimento estudantil, nas ocupações, nas diversas atividades do curso de mídia....
Quando vcs nos questionam, discordam, nos colocam pra pensar, nos fazem perguntas enigmáticas que embolam nossa cabeça, criticam nossos métodos, nos cobram novas epistemes, novas práticas, mais coerência entre o que estudamos e como atuamos em sala de aula...
Quando vcs me abraçam no corredor, me levam brigadeiro, biscoito, pedaço de bolo feito pelo mãe, trufa feita por vcs mesmos, me mandam recados lindos e amorosos pelas redes sociais, me enchem de afeto de um jeito que é quase inexplicável...
Quando vcs ficam com a respiração suspensa num aula que pega na veia, gente, nem tenho palavras pra descrever essa sensação, não é sempre, mas quando rola, caramba, novamente, parece coisa de magia, negócio de feitiço...
E também quando vcs me apresentam coisas novas, já escutou essa música, vc não pode deixar de ver essa série, e toma spoiler pq não temos a velocidade de vcs, pestes, já leu esse livro, olha esse vídeo, naenne, lembrei de vc quando vi essa meme, teach, dá uma lidinha nesse artigo maneiro, prof, vc não conhece spotfy ana, pelo amor!, to te mandando esse link aqui de um filme que fiz, quando der dá uma olhada e responde quando puder, ô ana, to te mandando uns poemas que eu fiz mas po vc nunca dá retorno, anaaaaaaaa, conhece esse youtuber, tem tudo a ver com sua aula...
 E quando vcs me escrevem, me procuram, me acham, às vezes nem me acham mas falam assim mesmo (rede social, email, é pra essas coisas, ne?), pra falar da vida, dos amores perdidos, dos problemas familiares, da falta de grana pra vir pra aula, das crises de ansiedade, das dúvidas com a disciplina, dos professores que só jesus na causa, do que fazer no tcc, das coisas que pensaram a partir da aula, quando puder tomamos um café, ana, a gente pode conversar um pouco, um dia podemos almoçar, hum, tenho uma vontade de ir num dos almoços na sua casa....
Quando vcs fazem trabalhos espetaculares, escrevem textos geniais, têm ideias de uma sagacidade fabulosa, interpretam os textos de formas inusitadas, escolhem objetos de pesquisa inesperados, produzem monografias de uma densidade enorme...
E quando mesmo não fazendo nada disso vcs nos mostram o quanto as aulas falaram com vcs, uma observação, um olhar, uma mudança corporal, um obrigado, um desenho, uma risada, uma presença em sala em um dia particularmente difícil...
Enfim, em cada um desses momentos, seus lindos, eu rejuvenesço, me refaço como pessoa, me transformo... e vcs me devolvem o olhar infantil pro mundo, me fazem novamente a criança, e me devolvem o olhar feminino pro mundo, expulsam de mim o instituído, “o mercador, o jornalista, o professor”... e acho todos os sonhos de novo sonháveis, bate em meu peito mais uma vez meu coração de estudante, e sigo acreditando que podemos mudar o mundo, fazer melhor, sermos melhores pessoas, bons amigos, filhos, amores, pais, pessoas no sentido mais amplo.
Sim, sei que, como diz o poema, às vezes não se consegue dormir porque a vida dói. E nesse momento pelo qual passamos no Estado do Rio, no Brasil e no mundo, a vida tem doído bastante. E sei que tem horas que essa pressão fica tão grande que vcs sofrem muito. Quero dizer pra essa plateia que está aqui: essa é uma geração guerreira, precisamos ficar atentos a isso, porqueca pressão que eles estão sofrendo não tá brinquedo, não. Aí nesses momentos aquele olhar de esperança e sonho para o mundo acaba perdendo um pouco seu lugar. É, tem vezes que não dá mesmo pra dormir, a vida dói...
Pois então, em retribuição a tudo o q vcs me deram nesses anos de faculdade, vou dar a vcs agora um presente mágico, um #ficaadika, um contra dom, como diz Marcel Mauss, uma dádiva, pra vcs usarem sem medo e sem parcimônia: quando tudo estiver parecendo sem saída, lembrem-se de vcs mesmos, quando chegaram aqui, em todos os anos passados na universidade, em que enfrentaram tantas adversidades e superaram, lembrem-se desse momento vitorioso e tão bonito que é essa formatura aqui. Lembrem-se de vcs mesmos, queridas e queridos, porque vcs são poderosos. Não esqueçam isso. Lembrem de vcs, como diz o poeta, que enxergam o caos dos aspectos do mundo porque estão vivos e são sensíveis, mas também de vcs a quem a deusa emprestou o seu véu para que continuem a sonhar, a desejar, a procurar, a aprender, a superar. Lembrem de vcs, de suas almas femininas e seus olhares de criança. Lembrem de vcs, aqueles olhinhos do primeiro período, esses olhares aqui e agora. Se vcs fizerem isso, sempre vão se curar dos males do mundo, como anualmente vcs me curam. Tamo junto! Mil vivas pra vcs, merecedores de nossos maiores aplausos!



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Violão sempre foi uma coisa marcante na minha história. Muitas horas tocando, amigos em volta, muita cantoria pra desanuviar a alma, rir, chorar, deixar fluir, bagunçar... agradeço mt por minha mãe Maria Lucia não ter me deixado desistir depois de um ano tocando só "Noite Feliz" (mas eu gostava do professor, Clovis, falava várias línguas, me ensinava ciências, golpes de karatê, me deu um elefante de porcelana que tenho até hoje, era meio doido mas era legal, só não sabia ensinar violão hahahaha. Mas me ensinou o pouco que sei de teoria musical, e me ajuda bastante)... Pessoa boa, minha mãe se matriculou comigo nas aulas do professor Celso pra gente aprender junto. Aí a coisa andou e nunca mais parou. Violão me lembra viajar, minha amiga Pri, meus amigos de todas as fases da vida, EAC (Encontro de Jovens com Cristo, sim, eu fazia!), jogo de corda na bolsa, revistinha com cifras, festivais da canção... tive um trovador meio preto que amava, depois um di giorgio braço 16 que era a perfeição (a gente chamava de ursinho pq povo do EAC colou adesivo de urso nele hahahaha), depois um giannini que era horrível mas tá vivo até hoje lá no ap de cabofrio, depois um di giorgio 18 q me acompanhou por anos e tá quebrado aq em casa mas ainda planejo consertar, e finalmente esse di giorgio 18 q amada Dani Brasiliense me deu mas não lembra ter feito isso mas que fez, fez... ele é maravilhoso, afino o bichinho em sol pra tocar bem grave e vou dando forma pras músicas que amo do meu jeito. :)

Fiquei uns anos sem tocar violão. Por diversos motivos. Mas nos últimos anos porque tava sofrendo com tendinite na mão esquerda e depois a artrite no ombro direito. Aí veio a terapia (obrigada, Lucio!) e me fez retornar no caminho pra mim mesma. Aí veio o lian gong/acupuntura (obrigada, Rodnei!) e me libertou. Aí vieram os incentivos do afeto e cá estou eu de novo, tocando que é uma beleza, me divertindo e me sentindo uma aprendiz novamente. Música é coisa maneira, né? A gente começa e quando vê aquilo toma conta da gente.

Este post memória é tb agradecimento. Montei um kit em torno do regresso do violão na minha vida que é puro afeto, fruto de presentes de pessoas que amo muito e me amam muito. Aí me emociona só de pegar nele, mesmo antes de tocar. :)


O violão, já falei, presente da Dani. O kit fica guardado nessa bolsa vermelha motivo signo de áries coisa mais linda que ganhei de Ohana. Dentro, o caderno motivo coca-cola que me dei de presente em 2010 já visando voltar a tocar (tive que esperar muito antes de concretizar esse desejo, acho que isso aumentou ainda mais o prazer que sinto agora a cada letrinha colocada nesse caderninho) abriga as letras/cifras que vou colocando a mão, bem artesanalmente. As canetas coloridas com que escrevo letras e cifras (pegando na internet e na memória e modificando pra ficar do jeito que gosto) são presente de Lid, Dani, Tira e Ninha. Ficam dentro do estojo motivo allstar presente de Mari Baltar. Junto das canetinhas, antiga palheta e afinador eletrônico, presente de mano Luiz. As cifras novas são colocadas no caderninho de cifras presente de Marina e Rê. Pra criar tumulto, os carimbos de Like e Deslike, presentes de Tira e Ninha, ficam do lado pro povo avaliar as músicas tiradas, hahahaha. Dois cadernos, um presente lindo de Lia Bahia, abrigam o índice das músicas e seus intérpretes.





Não é muita riqueza de afeto e amor, Brazil?! Agradeço muito. Tá sendo mágico voltar a tocar e tirar música sistematicamente, por longas horas, me divertindo muito. Nesses tempos difíceis em que o mundo parece mais louco do que antes, tem sido fundamental pra manter a sanidade. Quem sabe ainda volto a compor? ;)



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Em 12 de janeiro de 2006, tomei posse como professora concursada na UFF. Portanto, essa semana esse marco completa aí seus dez anos. Nesse processo, conheci colegas e alunos maravilhosos, muitos dos quais viraram meus amados amigos. Não vou ceder ao desejo de fazer uma lista extensa nominal porque não quero ser injusta nem deselegante. Na graduação e na pós, tive oportunidade de passar por experiências profissionais e afetivas inesquecíveis. Daqui deixo meu muito obrigada às parcerias que valem a pena. :)

Resolvi, pra marcar essa data e homenagear todos esses queridões, falar da primeira turma de Estudos de Mídia, que conheci nessa minha entrada concursada na UFF. Turma adorada e inesquecível! Muitos viraram meus amigos e sinto enorme saudade de todos. Com eles comemorei, durante anos, meu aniversário no rodízio de pizzas do seven grill (gente, sinto muita saudade disso!), fizemos festas, entramos e saímos de confusões, tivemos aulas e trabalhos memoráveis... são tão queridos pra mim que quando os encontro, vejo foto no face, recebo notícias ou lembro por acaso, sinto meu coração sempre apertado. Através deles, quero homenagear todos os colegas e alunos que marcaram esses dez anos como concursada, os treze anos na uff incluindo o período de bolsista PRODOC e os 22 anos de magistério. Cada vez que entro em sala ainda me sinto aquela menina que lá em 1994 começou sua carreira docente, sem ter noção do quanto se realizaria ali. Ainda uso a técnica louca das letras pra decorar os nomes, ainda apresento o programa aula-a-aula no primeiro dia, ainda mando notas com comentários individuais pros alunos, ainda dou gargalhada em sala com eles, ainda preparo cursos novos com o mesmo entusiasmo. Quero seguir assim até o dia em que me aposentar, feliz em aprender e conviver com eles, esses menines maravilhosos!



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Esse ano, fui convidada pelo professor Leonardo Guelman, diretor do Centro de Artes da UFF, para realizar a curadoria do UFF Debate Brasil, projeto que acontece há mais de 30 anos no Teatro da UFF visando promover o debate de temáticas relevantes para a sociedade, a partir da universidade e seus aportes teóricos e reflexivos. Aceitei com prazer o desafio, principalmente por ser fã do projeto, ao qual compareci muitas vezes como plateia e como debatedora.


Nessa função, realizamos cinco debates inesquecíveis e planejamos outros dois que não chegaram a acontecer em função da greve dos três setores (professores, técnicos e alunos) na universidade em 2015, mas que com certeza também teriam sido lacradores. Agora, em razão de demandas outras que assoberbam a nossa vida enquanto docentes de universidade pública, me despeço da curadoria, e gostaria de expressar aqui meus agradecimentos a todos que me ajudaram nesse processo, fazer alguns comentários sobre os debates realizados e mais uma vez agradecer muito ao Guelman pelo convite, pela confiança e pela possibilidade aberta para desenvolvermos essa etapa do UFF Debate.

Assim, queria agradecer imensamente, em primeiro lugar, à Ohana Boy Oliveira, minha assistente de curadoria e mediadora em inúmeros debates, poucas parcerias na minha vida profissional são tão perfeitas quanto a que tenho com essa diva! :) Agradeço também à equipe de produção do UFF Debate Brasil, Tânia Perez, Ana Cristina Oliveira e Daisy Pinto, que há anos vem conduzindo o projeto e nos receberam cordialmente nessa parceria, e que agora seguem na coordenação do mesmo, como na produção do próximo UFF Debate Brasil de 8 de dezembro de 2015, com o tema "Faces do terror - entendendo a história". Estendo o agradecimento à toda a equipe do Centro de Artes e do
Teatro da UFF, que nos acolheram e ajudaram no que foi preciso para o pleno funcionamento dos eventos.

Queria também dizer muito obrigada a meus alunos e ex-alunos amigos, que voluntariamente me ajudaram na cobertura midiática dos debates, fazendo as postagens, fotografias, filmagens e edições: Lia Ribeiro, Clara Sacco, Ioná Ricobello, Luiza Gomes, Raphael Azevedo Silva, Rodrigo Freitas e Bruno Pacheco. O espírito colaborativo e republicano de vocês é comovente. E vão ganhar um churrasco de gratidão, aguardem!


Seguindo com os agradecimentos, meus mais sinceros a todos os convidados que toparam nossas propostas e realizaram debates inesquecíveis, de altíssima qualidade, que com certeza marcaram todos os presentes. Alguns momentos dos mesmos foram tão impactantes e emocionantes que até hoje reverberam em mim e em várias pessoas com quem falo sobre o que presenciamos (para quem quiser saber mais sobre os debates, sugiro seguir a página do Facebook do UFF Debate Brasil). Meu muito, muito obrigada a todos que listo abaixo, o mundo precisa de vocês!:

1) Debate de maio, "Infância para quem? Desigualidade social e penalização da vida", com Orlando Zaccone, Juliana Farias e Mônica Cunha, e mediação de Adriana Vianna.


2) Debate de agosto, "Novas tecnologias, velhas práticas? O poder do jornalismo sobre a opinião pública", com Paula Máiran, Octavio Guedes e Raull Santiago, e mediação de Ohana Boy.


3) Debate de setembro, "A vez e a voz dos coletivos urbanos: disputas pela cidade", com Dudu de Morro Agudo, Dani Francisco e Carlos Meijueiro, e mediação de Leonardo Guelman.


4) Debate de outubro, "AFROntando o racismo: Kbela e o protagonismo das mulheres negras em cena", com Janaína Damaceno, Silvana Bahia e Daiane Ramos, e mediação de Ohana Boy.


5) Debate de novembro, "A fantástica fábrica do preconceito: mídia, representação social e senso comum", com Marcelo Freixo, Kleber Mendonça e Dani Araújo, e mediação de Ohana Boy.


Queria aproveitar aqui também para agradecer aos convidados que aceitaram participar dos outros debates que planejamos para junho e julho, mas que não puderam ser realizados em função da greve (da mesma forma, o professor Márcio Castilho, do curso de Jornalismo da UFF, foi convidado a participar do UFF Debate sobre a questão do jornalismo, mas não pode aceitar em razão da greve):

- debate planejado para junho - tema "Vozes abertas da América Latina": processos de democratização política e midiática", convidados Dênis de Moraes, Gustavo Gindre e Paula Máiran, com mediação de Lívia Reis
- debate de julho - tema "Na Babilônia moderna: mídia e representatividade", convidados Jean Wyllys e Pedro Bial, com mediação de Marildo Nercolini.

Por fim, mas mais importante, queria agradecer ao público que compareceu aos debates, participou, ouviu, falou, perguntou, riu, chorou, se emocionou, xavecou, interagiu, aprendeu, ensinou, lotou aquele teatro. Foi maravilhoso participar dessa onda de afeto e conhecimento!






É isso. Foi uma experiência bacana e enriquecedora. Como disse acima, vivi momentos inesquecíveis nas edições que fizemos. E fico feliz por ter contribuído nesse momento com esse projeto tão importante para a universidade, que busca complexificar as discussões e colocar em pauta temas e objetos que impactam em nossa vida cotidianamente. Acredito que esta é a principal função da universidade pública e me alegro por ter participado desse processo. Sigamos complexificando, ampliando o diálogo, abrindo espaços para outras vozes e sujeitos sociais, visando democratizar a universidade para além de seus muros e títulos.


Vida longa ao UFF Debate Brasil! E muito sucesso aos que estão conduzindo o bastão agora. :)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Quando Hermann Hesse, escritor alemão, foi contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura, ele escreveu ao seu amigo de longa data Thomas Mann dizendo: "E muitos velhos leitores meus alegraram-se porque agora fica claro que a fraqueza que tinham por mim não era apenas um pecado" (HESSE, Hermann e MANN, Thomas. Correspondência entre amigos. Rio de Janeiro: Record, 1975:87).

Pensei nisso quando recebemos, essa semana, a maravilhosa notícia de que a tese da minha querida Flora Daemon, já publicada em livro pela Garamond em 2015, Sob o Signo da Infâmia. Das violências em ambientes educacionais às estratégias midiáticas de jovens homicidas/suicidas, que tive o prazer de orientar, foi contemplada com Menção Honrosa no Prêmio Capes de Teses 2015. Flora (comigo a reboque, hehe) recebeu muitos parabéns, o que muito nos honrou. Mas o prêmio, a meu ver, só deixou claro o que eu já havia dito muito antes, desde que terminei de ler o material que ela havia me enviado: trata-se de uma tese excepcional, feito com coragem e talento.

Sobre a tese, digo de novo: é excepcional, é pra todo mundo ler! Quem quiser saber o que penso dela mais detalhadamente, pode ler, na íntegra, o doce e orgulhoso prefácio que tive a honra e o prazer de escrever para o livro: link aqui. Como explico por lá, na tese a autora "escolheu compreender o que leva jovens a optarem por gravar seu nome na história a partir de atos infames, praticando o que Flora Daemon tão bem conceituou como crimes que envolvem “estratégias comunicacionais de inscrição post mortem”. Trata-se, em geral, de ações praticadas em lugares públicos, como escolas, em que esse jovens atiram em várias pessoas, deixando um rastro de mortos e feridos, culminando sua performance com o suicídio. E que têm em comum, além dessas características, o fato de envolverem a produção do que a pesquisadora chamou de “pacotes midiáticos”, que são disponibilizados das mais diversas formas (...)". Como digo ao fim do prefácio (na verdade, um pósfácil, porque o livro fala por si), trata-se de"uma leitura imprescindível para todos, porque precisamos de mais humanidade, mais compromisso, mais complexidade, mais reflexão".

O prêmio, como brincou Hesse a respeito do seu Nobel, confirmou a todos que "a fraqueza que eu tive pela tese não era apenas um pecado". :) Trata-se de trabalho urgente e definitivo sobre o tema, que precisava ser encarado de frente. Flora Daemon deu show! Agora até a CAPES e o mundo sabem. ;) Eu já sabia.

Mas para além da alegria com essa premiação e a possibilidade de fazer o comentário jocoso aí em cima, hehe, as congratulações me fizeram pensar também sobre essa coisa de orientação. Não sou uma orientadora das mais mais. Não é falsa modéstia, não falo isso pra colher louros, sou ariana, preciso disso, não. Por exemplo, sou uma professora de excelência, sei disso, me dizem isso e sei disso. Mas como orientadora tenho lá meus percalços, não escondo de ninguém, não é das atividades acadêmicas que mais amo no mundo. Tenho dificuldade de me concentrar no tema dos outros (Flora Daemon sabe disso como ninguém, hahaha), não respondo prontamente a emails, não tenho paciência com dramas exagerados de orientandx, acho tudo meio chato, enfim, como disse, sou ariana antes de ser orientadora, hehe. Aí fiquei cá comigo se merecia mesmo esses parabéns que recebi a reboque do prêmio justíssimo de Flora, porque foi um trabalho tão autônomo, tão próprio, tão autoral...

Mas depois fiquei pensando que tenho três características como orientadora que talvez estejam aí merecendo uns aplausos mesmo: 1) sempre procuro garantir a autonomia dx orientandx pra que elx, de fato, desenvolva seu potencial no ritmo e do jeito que elx achar melhor. Na medida do possível (porque a mesma CAPES que premia é a que verga o chicote, né?), ou seja, dentro das cobranças e prazos cruéis, procuro entender as temporalidades do povo que cola comigo nessa viagem maluca de orientação, o jeito de escrever, as escolhas teóricas e metodológicas, as afinidades acadêmicas, mesmo as contradições e confusões. Tento, de todo meu coração, reconhecer e respeitar as idiossincrasias e não pressionar ninguém. E procuro lembrar que é só um TCC, só uma dissertação e só uma tese, não é a vida, que é bem maior do que isso e não cabe no Lattes. Em geral, dá certo! ;); 2) não me furto a encher orientandxs de afeto. Acho que afeto move o mundo, nos faz melhor, por isso não economizo. Algumas vezes quebro a cara, mas é da vida. Em geral, isso rende mais do que bons trabalhos, rende maravilhosas amizades para a vida toda; 3) por fim, sempre leio TUDO e ATENTAMENTE. Faço revisão, faço crítica, dou sugestão, elogio. Leio várias vezes. Oriento pra valer. Posso não ser a rainha da paciência nem da concentração em relação ao que o outro está me falando, mas meus orientandxs sabem que podem contar com minha leitura, comentários, dicas.

O resultado disso tem sido muito bom. Não é a coisa que mais amo fazer, tal de orientação, mas no geral os frutos são saborosos e belíssimos. Vide aí o prêmio justísimo da Flora. Quando a gente consegue encontrar nxs orientandxs um pouco disso tudo aí, autonomia, interesse pela pesquisa, espírito crítico, criatividade, investimento, vontade de mudar o mundo, junto com afeto, caráter e amizade, tiramos a sorte grande. Por vezes num rola e os sentimentos são de decepção, ingratidão e desilusão. Doem, mas acontecem pouco e passam rápido. No geral, pela soma de tudo, vale muito a pena. Mesmo pra uma ariana impaciente e desligada. Florite, te amo, esse prêmio é seu, você merece muito, eu já sabia, que bom que agora todo mundo sabe que essa fraqueza de elogiar sua tese num era apenas um pecadinho meu. ;))))
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Essa fase mágica tá bem poderosa mesmo. Depois do episódio do Hemingway, que narrei no post anterior, agora teve outro momento bem místico mesmo, na viagem pra Salvador/Bahia, nesse Enecult 2015.
Antes deixa eu explicar: amo Salvador, amo muito. Há anos vou pelo menos uma vez por ano pra lá. Me sinto em casa. Respiro bem. Acho linda. Esse ano fiquei meio triste, tá bem gentrificada, enquanto aquela gente não destruir a velha cidade amada não vai sossegar. Mas é sempre um lugar forte, que me marca e me dá sorte. E esse ano não foi diferente!
Começou assim: levei para a viagem meu mp3 velho de guerra. Sempre escuto as músicas na ordem em que coloquei nas pastas, meu ascendente em virgem é metódico e chatinho. Mas nessa viagem, como já tava meio enjoada das sequências, pois não mudo o repertório no mp3, em que cabem 200 músicas no máximo, desde abril, resolvi deixar no shuffle, no aleatório lá do mp3, pra pelo menos ter surpresa. Eis que, aleatoriamente, quando o avião começou a baixar, assim que o comandante avisou: "tripulação, pouso autorizado", começa a tocar aquela música linda dos Doces Bárbaros: "Com amor no coração / preparamos a invasão/ cheios de felicidade / entramos na cidade amada".
Isso na hora de pousar! Me senti muito poderosa! Adorei a coincidência, achei auspicioso. :) E como foi...
Os dias se passaram, tudo muito bom. Falei muito de antigas viagens para lá com os compas que me fizeram cia. Lembrei especialmente de uma amiga amada, que estava afastada de mim há alguns anos, de quem sentia imensa falta, mas com quem não estava conseguindo contato, e já não sabia mais como resolver esse afastamento.
Eis que no aeroporto para a volta, numa aleatória manhã de segunda-feira, estou lá na fila pra despachar a mala quando escuto a voz dessa minha amiga, que não mora em Salvador, era a mais forte e estranha coincidência possível. O arbitrário desse encontro, comigo exclamando: "mas eta que destino! Salve a Bahia! Obrigada, Salvador!", quebrou qualquer encantamento de mal-estar. E foi um reencontro tão lindo e esperado por mim, que jamais esquecerei. Obrigada, Bahia, orixás todos, obrigada cidade amada!
Entrei no avião ainda emocionada, parecia criança premiada. Coloquei o mp3, tomei o remedinho, tava lá no shuffle novamente, tocando as músicas aleatoriamente. E na hora exata em que o avião decolou, exatinha, começou a tocar novamente a música dos quatro baianos porretas, e eu fiquei tão pasma que coloquei no ouvido de Lid pra ter testemunha, porque era muito bom ter chegado e partido ouvindo, sem querer, por absoluta obra do destino, aquela música que homenageia a cidade velha e amada, a que me permitiu o reencontro e a leveza. Viva a Bahia! Viva Salvador! Cidade ainda mais amada.
Mas que essas coincidências estão demais, ah, estão... ;)