Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
1) gosto por demais de ficar aqui no nosso ap de Cabo Frio. Vento, praia, quebra de rotina, ideal pra caminhadas, sorvetinhos, enfim, gosto e relaxo bem. Mas fico cheia de ódio no pirú nos domingos e segundas à noite, qdo uma igreja dos infernos que tem aqui na Passagem faz seus cultos do diabo com muito barulho, louvores infernas, coisa do demo mesmo. Estou enrolando há tempos pra tomar uma providência sobre isso, mas chega. Vou entrar na justiça contra essa desgraça. Fico pasma com a falta de respeito. E é capaz dessa cambada ainda alegar perseguição religiosa. Novamente: COMO É Q PODE PEDIR DIREITO LIBERAL PARA EXERCER PRÁTICAS DE DESRESPEITO???

2) ando numa fase de sorvete. Fiquei doida com o de iogurte com frutas em NY. Babei pelo de coalhada com rapadura em Fortaleza (hummmm, fico doida só de lembrar). E tá valendo tdo: italiano, kibon, mcdonald's, bob's, quasar... e o verão nem chegou ainda! quem me segura???


3) breves coments sobre Fortaleza: adorei! gostei do clima, da paisagem, do lugar. Quero voltar e conhecer mais o literal do Ceará. Mas ainda não apareceu nada que superasse, em termos de beleza, os lençóis maranhenses. Aquilo é o paraíso!

4) ando em fase de ler romance policial. Recuperando mania de adolescente. Li tudo de Agatha Christie quando tinha meus 15 anos. Há uns cinco anos tentei ler e fiquei em estado de choque com o tom etnocêntrico, racista e preconceituoso da velha dama inglesa, principalmente nas histórias ambientadas na Índia. Desisti e deixei na memória afetiva, era mais negócio. Mas meu gosto pelo gênero foi recuperado pelos livros de Andréa Camilleri, apresentados a mim por meu querido amigo Maurinho, com o fabuloso comissário Salvo Montalbano como personagem central. Sua visão de mundo, seu pavor de promoção e visibilidade, sua alegria em viver próximo ao mar, sua dificuldade em abrir mão de viver só em sua casa embora não tenha a menor dúvida de seu amor por sua eterna namorada Lívia, sua impaciência com os lentos e seu senso de justiça, sua alegria frente a um bom prato de comida, de preferência com frutos do mar, beringelas e azeites e, principalmente, seu mau-humor com o mau tempo, em especial dias fechados e chuvosos... tudo isso faz de Montalbano o maior alter-ego com que já me identifiquei. E a medida em q os livros iam passando, ele ia envelhecendo e sentindo o baque, trajetória com a qual tb me identifiquei demais. Devorei todos os livros com Montalbano (já falei dele antes aqui, eu sei, mas gosto demais, fiquei com vontade de falar de novo). E isso reativou meu desejo de ler romances policiais. Li e gostei mais ou menos de Garcia-Rosa e seu detetive Espinosa. Li e gostei muito de Connelly e seu detetive Bosch. Agora quero conhecer outros. Vou mergulhar na coleção negra da Record, lá na minha private libray na casa de Maurinho.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Amei, novamente, a viagem q fiz pra NY. Queria fazer alguns resmungos sobre isso e partilhar com meus amigos leitores, nem que seja o meu próprio ego, hehe.

1) amo o jeito de NY. Aquela babel toda, gente de tudo qto é tipo e jeito, aquele tumulto linguístico e visual, adoro mesmo, é um banquete antropológico pra mim, me deleito.

2) gosto tb da indiferença do olhar, sinceramente. Adoro o total sentido de indivíduo que sinto lá. Sei q diariamente deve ser angustiante, q faz falta pensar comunitariamente etc. Mas como supressão da rotina, férias, q delícia ser um nada no meio da multidão.

3) gosto daquela ilha praticamente reta, sem ladeiras, subidas, contornos. Adoro andar a esmo, entender a lógica, andar, andar, andar... Como diz Alberto Caeiro, no meu poema preferido, "Um pensamento visível faz-me andar mais depressa e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo". Sinceramente, sinto que essa frase foi escrita pra mim.;)

4) acho q é a meca do consumo, um shopping a céu aberto, um templo do consumismo etc. e q me deixo seduzir por ele, sem dúvida. E também fico chocada, sem dúvida: ano passado pela amplidão das ofertas, tantas lojas, marcas, cores, tipos, produtos; esse ano pelos efeitos visíveis da crise, com grandes lojas (Virgin, Converse, Circuit City etc.) fechadas, a variedade e a quantidade de produtos visivelmente menores, a presença mais eloquente dos homeless pelo metrô, nas ruas..., e, obviamente, pelo contraste entre opulência e miséria no mundo, hiperconsumo e exploração do ser humano, individualismo exponencial e perda das referências de luta coletiva etc.

5) mas confesso que quando lá fico mais fascinada do que chocada. Em parte, porque é lugar de afeto, onde reside tio muito amado. Mas também porque é um mundo muito impressionante, cujas lógicas culturais, a meu ver, são chocantes e profundamente sedutoras. E entendi pessoalmente a percepção simmeliana do hiperestímulo das grandes metrópoles: numa das últimas noites, ao deitar para dormir, eu ficava vendo, de forma similiar a quando jogamos muito tempo no computador ou no vídeogame, prateleiras de produtos - tênis, bichos de pelúcia, perfumes etc. - se alternando no meu inconsciente, como se fossem peças de majong ou tetris caindo sem parar. Te falar, fiquei bem impressionada com isso. E como estava diante de algo novo, pouco visto ainda, com o qual ainda não me familiarizei, não consegui criar, como sugere Simmel em seu premonitório artigo no começo do século XX (veja no blog do GRECOS), os filtros da atitude blasé, que me deixassem indiferentes ao hiperestímulo visual e sonoro.

6) Por fim, fico sempre pasma e incomodada com a sensação de segurança cotidiana que percebo por lá. Essa coisa de deitar relaxada nos parques, nos bancos, nas praças, mesmo nas calçadas, e dormir, ficar ouvindo música e olhando pro céu, mexendo no computador, olhando pro nada, falando ao cel, conversando com a cia ao lado, enfim, essa largação na via pública me fascina muito, sinto muito a falta de poder fazer isso aqui sem achar q serei roubada, agredida etc. Não é que lá seja impossível ser assaltada etc. é possível, mas não é provável. E isso altera muito a sensação do estresse permanente. Dá invejinha. Embora saibamos de todas as questões históricas, sociais, econômicas, políticas e culturais envolvidas nisso (pra não vir ninguém me dar aulinha sobre diferenças, please, me poupando no meu bloguezinho), a questão concreta é que dá uma vontade de ter isso.

Lugar estranho. Achei q fosse me incomodar mais essa big capital do capital. Mas me sinto bem pra caramba. E tenho um pouco de crise com isso, mas nada muito grave. Resmunguei com vcs, valeu!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Nesta semana, meio desaviItálicosada e com insônia, assisti na madruga na Globo na Sessão Brasil (ou algo assim) o filme "Anjos do sol", de Rudi Lagemann. Olha, eu gostei muito, mas tô impressionada até agora... A história da exploração sexual das meninas é muito forte, elas trabalham bem, o Calloni está perfeito, filme soco na boca do estomâgo. Também recomendo, mas preparem-se, num é hollywood não.

Para saber mais, clique aqui.

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ganhei de presente, no mês passado, de meu querido ex-aluno e amigo Lucas, o livro Frenesi Polissilábico, de Nick Hornby, um de meusItálico autores preferidos (amo especialmente Como ser legal, recomendo muito, além dos conhecidos AItálicolta Fidelidade, Febre de Bola etc.). Terminei de ler ontem (foi minha cia de viagem em NY - e cia perfeita, pq eram críticas curtas, dando aquele tempo certinho pra quando a gente que é viciado em ler precisar fazer a leitura meio soluçando, ou seja, nos intervalos entre uma coisa e outra, sem continuidade), gostei muito, recomendo mesmo, especialmente para os que são: a) fãs do Hornby; b) fãs de literatura; c) ávidos por crítica cultural inteligente, sem ser pedante e escrotinha, que ensina, delicia, faz pensar, relativiza, humaniza os livros todos. Um show!

A aposta do Hornby é fazer críticas bem-humoradas, a partir de leituras aleatórias mensais, para mostrar que é impossível descolar um livro e a impressão que se tem dele do momento que se pratica a leitura, se é nas férias de verão ou no meio de um semestre atribulado, se vc tem filhos pequenos ou mora sozinho, se seu time está na lanterna ou nas finais do campeonato, enfim, Hornby capricha para mostrar que a leitura está atravessada pelo mundo da experiência concretíssima do dia-a-dia, pela memória, pelos outros discursos e referências. Repito: um show!
Vou destacar dois trechos que adorei, dentre muitos outros (um bem sensível, outro bem debochado, e eu adoro essa mistura):

- "Dois meses atras, fiquei deprimido ao me dar conta de que havia me esquecido de praticamente tudo qItálicoue li na vida. Só que já dei a volta por cima. Estou agora animado pelo seguinte: já que esqueci tudo que li, então posso ler novamente alguns dos meus livros preferidos como se fosse Itálicoda primeira vez" (grifos dele, p.49)

- "Se eu tivesse que escolher entre um fã de Celine Dion e as comédias recomendadas por Anthony Burgess, eu ficaria com a pessoa que está de pé em cima da mesa cantando "The Power of Love" sem pestanejar!" (p.205).

Tem como não amar?
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Resmunguei há pouco no twitter que num concordava muito com a consagrada idéia de que amigo é o irmão que a vida nos permite escolher etc. Não escolhi meus amigos, eu sempre me apaixono por eles e vice-versa. Como disse Pedro Lapera, meu amigo, tb no twt, "é muito mais um encantamento do que uma escolha racional". Acho que é isso, alguma coisa meio mágica faz com que a gente, no meio da multidão toda que é o mundo, goste mais de alguém, confie nele, queira estar perto, sinta vontade de rir, sinta ciúmes tb (num me venham com essa história de que amigos não sentem ciúmes, nemvemquenãotem!), sofra junto, tenha vontade de matar às vezes...

Sempre fui abençoada com essa história de amigos. Tive e tenho amigos de tudo qto é jeito. De infância, da rua e da escola, da adolescência, da igreja, do colégio, da faculdade, do bar, do trabalho, dentre meus alunos, na família, que conheci meio sem querer (amigo de amigo, alguns encontros pela vida, "já tinha ouvido falar de vc", essas coisas). Meus amores, ex e atual, tb sempre foram grandes amigos (ontem mesmo ouvi de meu amor que sou sua grande amiga, e adorei!). Desses amigos todos, alguns mantenho até hoje, outros se foram aí pela vida (alguns com bons motivos para terem ido, pois, como disse no twt tb, acho que depois que a gente conhece a maior parte de nossos amigos mais a fundo a gente escolhe matá-los ou não, aí acho que é questão de escolha, sim).

Num vou ficar elencando aqui nomes de amigos, seria injusto, sempre esqueceria alguém e tenderia a listar aqueles mais em evidência no momento, qdo outros, em outros momentos da vida, foram tão importantes qto os que agora o são. Mas queria agradecer. A todos os meus amigos, q amém não são poucos, por essa história toda. E deixar umas pistas por aqui, pra lembrar deles pra sempre (e deixar que eles brinquem de se achar aqui):

picolé de uva no tapete verde de meu quarto na casa de mãe; ouvindo A Cor Púrpura e tomando vinho; viagem pra Mauá, Mury, Lumiar, Nordeste, Sul do país, Floripa, Macabu, RO, Cabofri, Araruama, Serrinha, Maricá, Ouro Preto, Porto Seguro, Varre-sai, Iguaba, Friburgo, Miguel Pereira, Ibitipoca, NY etc.; jogo de buraco aos domingos com pastinha de kani e de ovos; violão em dupla por seis horas seguidas; vendo Friends de madrugada aqui em casa; mão no peito no bar em fim de período pra acabar com choro triste; seis horas no skipe NY-Niterói; gudan no cheiro de mar; separar recorte de jornal ao mesmo tempo que o outro pra ver expo de Toulouse-Lautrec; longa história com orientador e secretária eletrônica pra justificar apelido carinhoso; beber muito e só aceitar parar de dirigir qdo diz "num tô bebada, se tivesse trocava as síbalas"; espetar a bunda da coleguinha com compasso a aula toda e só sossegar qdo a coleguinha se encheu, berrou e foi expulsa de sala; auau e oinc-oinc; sofocley; veialacrelowe; almoço mensal no McDonalds de Realengo e a coca light mágica; tardes de papo na Casa Velha; gravar fitas de presente durante horas e com toda a lógica do mundo; radinho vermelho consertado pelo pai; beijos roubados nas madrugadas; carro enguiçado sem gasolina; fusca vinho e torta de limão; fusca amarelo e buzina que acelerava o coração; mau-mau com "vamos fuder a gorda"; "Corre que a gente tá sendo assaltada"; jogo viking na piscina; piscinão de ramos; história longa sem pé nem cabeça que sempre num tem graça no final; voto de silêncio; pedindo a comida pra mim no Bibi sucos; chopp e pizza de champignon com alho no bigodão; queimado, bandeirinha, pique e stop no quintal de macabu; partida de buraco de 50 mil valendo uma laranja ou um guaraná caledônia; correndo pra assistir treino de futebol na praia do Leblon à noite; pizza a onze real; lanchinho no lami depois do grecos; circulando de casa em casa de bike em sanfran; pegando dois ônibus pra fazer trajeto sanfran-fonseca; organizando time e torcida de olies; conselho de classe na casa de mãe, com piscina, macarrão e suco de caju, pra 40 cabeças; taco na rua de sanfran; master, desafino, imagem&ação, perfil, trivia, adedanha, dicionário, war, detetive, pega vareta, resta um, dama, xadrez, ludo, escravos de jó, 21, poquer, buraco, maumau, tapão, quatro damas, robamontinho, dominó, crapot, bom dia meu senhor, palavrão, mexe-mexe, yam etc.; cia pra ir pra médico, banco, jantar de pai, roubada, encontro às escuras etc.; saída pós-reunião de pauta/fechamento globo niterói pra beber nos Jogados Fora; pão de cebola da beira-mar; conversa de quatro horas sentada no hidrante da moreira com pres. backer; reguinha e Faminha; assistir às finais do mengão com a cachorrada toda; caio martins e maracanã; frescobol; praia e caranguejo; almoço na sexta no Monteiro com almôndega, xavecada e língua mordida; galeto com omelete e farofa brasileira perto do globo; gosto parecido por literatura e segredos amorosos partilhados; desabafos e pizzas no nitgrill; risadas no museu; dia inteiro na praia das Conchas; sequência de tombos: pastel, cachoeirão, enterro da árvore de natal velha, moto, cipó; tradicional "jantar de fim de ano dos amigos" e momento "esse veio ao mundo a passeio"; orelhão no tapão na puc; assistir jogos de handebol e basquete cem mil vezes; dormir na casa das meninas na vila; amigo oculto com "donde estará el Duda?"; ir no convento de santo antonio dia 13 de junho pra pegar benção; pão com mortadela no laboratório; comida nordestina no Tinguá, com sinuca e "undererê" na jukebox; o mesmo banco pra conversa fiada na praia de sanfran; grupo de estudos de cinema e ficar na sala ouvindo Legião; casas em que me senti bem, no beltrão, no flamengo, em laranjeiras, em sanfran, em são domingos, em santa rosa, na tijuca, na lagoa, em macabu, no ingá; ovo recheado e "paga pra mim q tô sem trocado"; fatia de quindão; dormir de mão dada; histórias, histórias, histórias sem fim...
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Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Minha mãe e meus irmãos sempre debocharam de minha euforia com Friends. Me achavam nerd e meio idiota pq eu ria muito com aqueles seis (meus irmãos me acham muuuito otaku, hehe). Mal sabiam eles que em casa eu era comedida pra caramba, eles precisavam ver como que eu assistia Friends quando estava no laboratório de jornalismo que coordenava lá na Castelo... eu e meus amados estagiários ríamos de gargalhar, muito, e era de praxe parar a aula às 20:00 pra assistirmos o episódio inédito da terça-feira. Ai, ai, aquilo era uma tradição maravilhosa.


Friends foi a primeira e mais amada série que acompanhei. Até hoje choro de rir qdo vejo episódios esparsos. E qdo deprimi feio em fevereiro último com as então sombrias perspectivas sobre minha saúde, foi a eles, meus amiguinhos, que recorri para gargalhar e esquecer, vendo compulsivamente um episódio atrás do outro.

Depois tive outras paixões: Lost, Dexter e The L Word. Claro que vi tb partes de uma penca de outras séries, desde Felicity (a piranha com o gravador, hahahaha) até Will and Gracie, passando por The 70's show até Weeds, por aí vai... Mas gostar mesmo, gostei dessas quatro que listei acima, com Friends em primeiríssima.

Ontem, num fôlego só, vi/revi toda a terceira temporada de The L Word. E chorei pacas com a morte de Dana, minha personagem preferida. Essa coisa de série é estranha mesmo. A gente se apega de uma forma que o troço fica na cabeça, a gente se envolve, é meio tipo novela mas num é, sei lá, parece amigo da gente. Bem, difícil de explicar. Acho que só os otakus me entendem. ;)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Infelizmente, vou doar os meus all stars. Com tristeza, pq sou doidinha por eles, especialmente o laranjinha, que comprei com o dinheiro do porco. Não são muitos, mas sempre me sinto bem qdo os coloco nos pés, me lembram a leveza dos meus vinte anos. Fiquei muito tempo sem usar, tornei há alguns anos, e agora a fascite maledeta me impede de usá-los, pq com eles a dor volta. E prefiro, mesmo amando meus caninhos curtos de lona, um pé saudável e sem dor. Mas lamento, confesso, essa despedida. O q salva é que é minha sobrinha q vai herdá-los, e eu a amo muito e tenho com ela imensa afinidade. Bem, já é um consolo. Mas vou chorar lagriminhas fetichizadas qdo eles se forem, mais um pedaço de meu lado Peter Pan que se encerra. "Vida, vida, vida, que seja do jeito que for".

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Tô aqui ouvindo e vendo o show do RC no Maracanã, e toco a me emocionar quando ele canta músicas antigas, tipo "Eu te amo". Isso me lembra muito minha infância, meu radinho vermelho que só pegava AM, "show dos bairros" na rádio Mundial, Rádio Popular Fluminense de Conceição de Macabu, os discos que minha madrinha Leninha sempre nos dava do Rei no natal, ah, eu escutava e gostava muito. E ainda tinha a espera quase mágica pelo show do Rei, especial de Natal, era um evento comparável à missa do Galo. Já falei isso numa banca, inclusive: o show anual do Rei, na cidade do interior dos anos 70 e início dos anos 80, era uma cerimônia televisiva e presencial, um ritual mítico, muito diferente, em termos de fruição, da experiência do público urbano. A gente ia assistir aos shows do Rei na casa de Tia Vilma, que tinha tevê em cores e quando a imagem estava boa o povo exclamava que "estava que nem um tapete", hahahaa, que saudades!

Isso me fez lembrar uma coisa q já queria postar aqui, sobre música brega. Tem a questão do gosto etc. Tem tb uma certa vontade de implicar, que faz com q a gente escute, cante e toque na viola só pra irritar os pretensos puristas e eruditos. Mas, no meu caso, tem a ver com memória e afeto tb, e muito.

Lembro que quando li o magistral "Eu não sou cachorro, não", livro do Paulo Cesar Araújo (que depois iria escrever uma belíssima biografia sobre o Rei, aquela da polêmica e da proibição babaca que quase me fez desgostar de RC) sobre música brega, entendi perfeitamente quando ele, logo no prólogo do livro, contou como a música brega estava ligada à sua infância em Vitória da Conquista, na Bahia, tendo sido trilha sonora de muita coisa da história dele. Me identifiquei totalmente.

Kátia Cega, Jane e Herondy, Perla (a paraguaia, não a roqueira), Lilian, Luis Ayrão, Benito de Paula, Gilliard, Sidney Magal, Marquinhos Moura, Roupa Nova, os Fevers, Sullivan e Massadas, Ruy Maurity, Vanusa... ah, são tantas emoções, como diz o Rei, devo até estar esquecendo de muitos (só ao escrever aqui lembrei de Rosana, Adriana, Joanna, Yahoo, Gretchen... ih, se deixar a lista é infinita).

Eu ouvia esse povo diariamente no rádio, tocava (com coro familiar e de amigos) no violão e via nos programas de tevê, especialmente Globo de Ouro, no Chacrinha e no Silvio Santos. Poucas memórias me são tão afetivas e divertidas do que as do "Qual é a música?", do SS (sobre o qual farei outro dia um post em separado, ele merece), no qual esse povo era atração principal: Patotinhas x Gilliard; Ronnie Von X Gretchen; Ronaldo Resedá x Vanusa, "pablo, qual é a música?", "maestro zezinho, quantas notas?"... realmente, dias memoráveis, domingos inesquecíveis em Conceição, em Maricá ou mesmo em minha casa em Niter.

Tenho muitas preferidas. Até hoje, "Desabafo", do Rei, e "Sonhos", do Peninha, são carro-chefe nas minhas perfomances violeiras, e sempre fazem muito sucesso com o povo todo. Mas coloco aqui, de prêmio, a mais inesquecível: Kátia Cega em "Qualquer jeito". A minha amiga Adriana Facina está fazendo pesquisa sobre música popular e entrevistou vários desses nomes citados acima. Estou doida pra ler os resultados. Essa turma faz parte da história minha e de muita gente, e quando "fecho os olhos pra fazer passar o tempo", cantando com emoção cada uma dessas melodias, sim, amo, com orgulho, a música brega, amo, amo e amo!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ela morreu de amor, no dia do seu aniversário, tirando sua própria vida aos 36 anos. Seus poemas são tão, mas tão bonitos que quase desfaleço quando, em fases mais melancólicas, me pego relendo seus sonetos e rimas poderosas. Florbela Espanca, essa voz mágica do Alentejo. Realmente, tenho predileção pelos portugueses, vide "poemas preferidos - parte 1".

Podia escolher qualquer um dos que ela escreveu, acho quase todos perfeitos. Mas vou escolher três, dentre os que me tocam mais profundamente (o primeiro em homenagem à minha querida Lu Ribeiro, parece ter sido feito para ela): "Versos de orgulho", "É um não querer mais do que bem querer" e "Amar".
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Lembro como se fosse hoje. A gente na casa da Tina, em São Francisco, sem fôlego, vendo "Corpos ardentes". William Hurt e Kathleen Turner. Caramba, tão novos, sensuais, calientes. Aquele calor todo, aquela trama, aqueles olhares 43, aqueles cigarros, aquele suor... ai, "Corpos ardentes" foi um marco, nos anos 80, de nossa imaginação fértil!

Depois vi a KT em tantos outros filmes: "Guerra dos roses", "Tudo por uma esmeralda", "Minha mãe é uma assassina"... depois, como nunca mais a vi, só restou em minha mente as imagens glamourosas daquela atriz de tanto sucesso e beleza que marcou minha adolescência.

Hoje, levei um susto daqueles, quando, despretensiosamente, assistia a "Marley e eu". Tinha visto o nome dela nos créditos, até fiquei feliz, mas não estava preparada para aquela figura, a apoteótica KT, no papel da descabelada e masculinizada treinadora de cães.

Olha, sei q a vida é isso mesmo, as pessoas envelhecem, ficam diferentes, isso acontece com todos e comigo tb. Nem quero dizer q pessoas mais velhas etc. não têm beleza etc. Estou só lamentando o choque entre meu imaginário perpetuado, tão ingênuo, e a vida e sua temporalidade sempre tão eloquentes. Sei que as pessoas envelhecem, mas meu imaginário não.

Por isso, confesso, nem prestei muita atenção no drama canino, embora sensível (embora, tb tenha que confessar, aquela esfinge do Owem Wilson, uma versão loura do cigano Igor, num ajuda muito), pq estava era pensando no drama da vida. Pasmei! Please, alguém levanta o queixo caído do meu imaginário???!!!




Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Outro dia declarei meu amor por Kandinsky. Aprendi com o prof. Afonso Henriques, na banca da querida Carlinha, que parte da arte moderna se inspirou nas pinturas rupestres para criar suas formas e estilos, Kandinsky entre eles, na busca dos arquétipos universais, as representações míticas e imemoriais. Kandinsky e também os grafiteiros, preferências favoritíssimas. Muita coisa se esclareceu pra mim naquele momento, pois gosto de pouca coisa em artes plásticas (embora admire e ache bonito uma penca de outras coisas, mas que não me falam ao...), dentre estas poucas, os que citei acima. Bom entender as coisas...

Mas hoje faço aqui homenagem ao meu mais preferido de todos, amo tuuuudo desse homem, tenho poster dele na minha sala de casa e tinha na parede de meu laboratório de mídia e Identidade (LAMI), gosto da fase dourada, da fase púrpura, da influência oriental com a técnica do preenchimento da tela inteira, como um mosaico, gosto da antecipação que ele faz dos rostos femininos auto-suficientes, autônomos, cheios de si, tão raros em fins do século XIX e que Hollywood iria consagrar depois com figuras como Marlene Dietrich, Rita Hayworth e Greta Garbo e amo, amo, amo "O beijo".
Gustav Klimt, essa perfeição!





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Olha, num tem como não gostar de Parati (não gosto do y, me lembra Nichteroy), esta é a verdade, inclusive na FLIP. Mesmo com aquela penca de gente andando pra lá e pra cá dando pinta de intelectual, de letramento puro, genuína sede de erudição, nada disso abalou nossa auto-estima. Cachaçamos, tb demos pinta, andamos pra cima e pra baixo naquelas pedras centenárias, olhamos aquele casario, compramos livrinhos e souvenirs, fofocamos e rimos bastante, enfim, pouco nos importava as mesas de debate, como já disse, já nos basta a quantidade de congresso malésimos que temos q enfrentar. Sinceramente, a professorada queria mesmo era festa!

Mas queria fazer uns coments finais:

1) casario, gente, o que é aquele casario? sempre me emociono. Tenho alma antiga. Mas sinto falta de uns banquinhos, como esse filho único no qual apareço sentada aí abaixo, pelas ruas da cidade, pra gente sentar e contemplar a vida.

Aquele vai e vem sem paragem (já q não dá pra sentar na soleira das portas, embora eu tenha tentado algumas vezes, hehe, vide foto tb abaixo) acaba parecendo shopping a céu aberto. Campanha já: bancos pra gente sentar, seu prefeito!!!

2) comprei um notebook cor de abóbora, souvenir da FLIP, pra fazer anotações, visando esse bloguinho aqui mesmo. Coincidentemente, comprei e li num dois "O Caderno vermelho", de Paul Auster, no qual ele recolhe historietas interessantes pela vida a fora e depois publica. Me inspirei e espero que o blog seja a publicação de meu "O caderno abóbora". Histórias não vão me faltar e em breve começarei essa série.
3) Por fim, ganhei de Maricota uma bolsa amarela, tb da FLIP, gracinha. Estou usando pra colocar trabalhos e monos neste fim de período, mas se deus quiser em breve terá um fim mais nobre: servir de bolsa de praia!!! Mas a bolsa amarela me lembrou livro MUUUUUITO querido, "A bolsa amarela" de Lygia Bojunga Nunes. Tentei achar um dos livros dela na Flipinha, mas neca. Demodê. Como pode? Premiadíssima, magistral, nunca esquecerei seus maravilhosos livros: além de "A Bolsa Amarela", "A casa da madrinha", "Angélica", "Os colegas", "O sofá estampado", "Corda bamba", "Tchau", "O abraço", "Nós três".... ah, meu pai, que saudades, queria tanto ler de novo, mas num tenho mais!

Ninguém tem pra me emprestar?

Na boa, obra-prima, fabuloso, escreve pra caraio!!!!
Quem quiser saber mais sobre ela, clica aqui.
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Devaneios. Esse é o blog de meu querido aluno Diego Dacal, por quem tenho grande admiração. Tem personalidade, é curioso, inteligente, boa pessoa e muuuito, mas muito multimídia. Levo a maior fé nele, gosto da sua visão de mundo - mesmo quando discordamos - e recomendo tudo q ele faz: foto, texto, blog etc.

O blog é esse.
O Flickr é esse.
E ainda tem o blog do projeto Olhar Oriximiná.