Mostrando postagens com marcador grecos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador grecos. Mostrar todas as postagens
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Esse foi o prato principal do Cozinhando com Ricoeur, décimo quarto episódio da série Cozinhando com... e o único que farei em 2021. Escolhi a berinjela pois este vegetal é um dos meus alimentos preferidos e só não como mais pq aprendi que ele, em excesso, prejudica o fígado, segundo a nutrição oriental. Mas, moderadamente, é uma boa sempre!


Ingredientes:
- 3 berinjelas pequenas ou médias
- 300g de carne moída bovina 
- molho de tomate
- temperos (cebola, alho, pimenta etc.)
- queijo parmesão ralado
- azeite
- sal

Modo de preparo:

Para fazer essa delicinha, o passo a passo é o seguinte: pegue as berinjelas e lave bem; depois raspe com uma colher o interior de cada berinjela, fazendo com que ela se converta em uma canoa, como na figura abaixo. Coloque um pouco de azeite e sal no interior da berinjela raspada.


As partes retiradas do miolo das berinjelas devem ser desfiadas e misturadas a um molho a bolonhesa, com carne moída, molho de tomate e temperos, já previamente preparada (veja a receita aqui, já usamos a bolonhesa em outro Cozinhando com...).


Depois é pegar essa mistura bonita e gostosa e colocar nas canoas de berinjela, recheando bem. Espalha pra pegar a berinjela de modo geral, pra dar gostinho de molho em tudo.


Aí chegou a vez de pegar um queijinho parmesão ralado e salpicar em cima das berinjelas recheadas. Coloca o quanto der, povo, pra ficar gostoso!


Muito bem! Aí é só levar ao forno, uns 10 a 15 minutos, fica de olho, quando o queijo estiver bem derretido, já pode tirar. Hummmm! Aí fica que nem na foto lá de cima, que abre esse post.

a) Pra acompanhar, um purê de inhame bem simples, que é gostoso e bom pra aumentar a imunidade.

Ingredientes:
2 inhames
cebola
alho
1/2 xícara de leite
coentro
sal


Como fazer: descascar o inhame, cortar em pedaços e colocar na água para cozinhar com um pouco de sal. Quando estiver cozido (espete com garfo pra ver se tá macio), desligar, tirar um pouco a água se for o caso. Em outra panela, preparar um refogado com alho, um pouco de cebola, sal e óleo (tenho usado o de coco sem sabor). Misturar o inhame e amassar com um socador ou pilão. Colocar o leite e misturar. Colocar as folhinhas picadas de coentro (a gosto).

b) Um segundo acompanhamento, a deliciosa Salada Pizza da Luana (que aprendi com a querida Luana Motta)

Ingredientes:
alface
rúcula
presunto
queijo 
milho
cenoura
beterraba
azeitona
repolho
cheiro verde

Modo de fazer: corta tudo bem pequeno e fininho e espalha em uma forma redonda como se fosse fazer uma pizza vegana, coloca tempero a gosto (azeite, vinagre, sal, pimenta etc.) e seja feliz! Eu coloquei a alface a rúcula por baixo, e os demais ingredientes por cima. Fica linda e saborosa!


É isso aí. Ainda fizemos um arroz (veja a receita aqui) e cozinhei na água e sal um pouco de lentilha pra acompanhar o arroz. Ficou simples, delicioso e saudável! Bom apetite, minha gente!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
A receita deste bolo delicioso e fácil de fazer foi me passada pela querida Paula Lacerda. Usei pra fazer o prato do Cozinhando com Benjamin <3

Para o bolo de chocolate:
Ingredientes:
 - 3 ovos
- 1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar
- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo (eu estou usando farinha de arroz, deu super certo e ainda ficou mais leve)
- 1 xícara (chá) de chocolate em pó ou achocolatado (uso cacau, e como é mais amargo coloco 2/3 da xícara)
- 1/2 xícara (chá) de óleo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- 1 pitada de sal
- 1 xícara (chá) de água quente (mas não fervida)

Modo de preparo:
- Bater com fuê e/ou batedeira ou mixer; tb pode ser no liquidificador
- primeiro os ovos, o açúcar, o óleo, a farinha, o sal e o chocolate (cuidado para não bater muito a farinha)
- depois a água quente
- e, por último, o fermento. Depois do fermento não pode bater muito, é só pra misturar.
- depois é assar no forno, no fogo médio, por cerca de 45 a 50 minutos, na forma untada (não abrir antes de meia hora). 

Para a cobertura de chocolate:
Ingredientes:
- 1/4 de xícara (chá) de leite
- 1/4 de xícara (chá) de água
- 1 colher de sopa de manteiga ou margarina
- 1/2 xícara (chá) de chocolate em pó

Modo de preparo:
- levar ao fogo, ir mexendo sempre até engrossar um pouco, depois jogar em cima do bolo.





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Recentemente criei uma série de videos pra comentar autores e autoras que trabalho academicamente enquanto cozinho (ideia de um aluno amado e atentado, Victor Hugo). O primeiro Cozinhando com... foi com Bourdieu e, enquanto apresentava algumas das ideias e conceitos do autor, fiz um frango cozido com alecrim.
Vou deixar a receita aqui abaixo, pra quem se interessar.

Ingredientes:
- 1 peito de frango cortado em tiras largas
- 1/2 cebola
- alho picado
- sal
- alecrim
- 4 folhas de louro
- óleo


Modo de fazer:
- Numa panela média, coloque o alho e a cebola pra refogar no óleo, com um pouco de sal. Não gosto de dourar a cebola pq gosto dela branquinha e temperada pra comer junto com o prato. E coloco pouco óleo pra não ficar gordurento.
- Coloque o frango e deixe refogando junto, misturando com os temperos pra ele ir dourando e pegando gosto.
- Quando o frango já tiver com alguma corzinha dessa refogado, cobrir com água um dedo acima do frango. Colocar as 4 folhas de louro já lavadas, pra dar um sabor e ajudar no cozimento, e um pouco de alecrim (não coloque muito porque alecrim tem gosto acentuado).
- deixar cozinhar até a água secar. Ao final, com o garfo, dar mais uma dourada no frango passando o mesmo no fundo da panela, virando o lado e evitando deixar queimar.

Vou colocar aqui o link pra parte 1 do vídeo Cozinhando com Bourdieu, pra quem se interessar. Nos vídeos têm as imagens do frango nesse processo de cozimento e pronto ao final. É simples, rápido e gostoso.


Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Esse ano, fui convidada pelo professor Leonardo Guelman, diretor do Centro de Artes da UFF, para realizar a curadoria do UFF Debate Brasil, projeto que acontece há mais de 30 anos no Teatro da UFF visando promover o debate de temáticas relevantes para a sociedade, a partir da universidade e seus aportes teóricos e reflexivos. Aceitei com prazer o desafio, principalmente por ser fã do projeto, ao qual compareci muitas vezes como plateia e como debatedora.


Nessa função, realizamos cinco debates inesquecíveis e planejamos outros dois que não chegaram a acontecer em função da greve dos três setores (professores, técnicos e alunos) na universidade em 2015, mas que com certeza também teriam sido lacradores. Agora, em razão de demandas outras que assoberbam a nossa vida enquanto docentes de universidade pública, me despeço da curadoria, e gostaria de expressar aqui meus agradecimentos a todos que me ajudaram nesse processo, fazer alguns comentários sobre os debates realizados e mais uma vez agradecer muito ao Guelman pelo convite, pela confiança e pela possibilidade aberta para desenvolvermos essa etapa do UFF Debate.

Assim, queria agradecer imensamente, em primeiro lugar, à Ohana Boy Oliveira, minha assistente de curadoria e mediadora em inúmeros debates, poucas parcerias na minha vida profissional são tão perfeitas quanto a que tenho com essa diva! :) Agradeço também à equipe de produção do UFF Debate Brasil, Tânia Perez, Ana Cristina Oliveira e Daisy Pinto, que há anos vem conduzindo o projeto e nos receberam cordialmente nessa parceria, e que agora seguem na coordenação do mesmo, como na produção do próximo UFF Debate Brasil de 8 de dezembro de 2015, com o tema "Faces do terror - entendendo a história". Estendo o agradecimento à toda a equipe do Centro de Artes e do
Teatro da UFF, que nos acolheram e ajudaram no que foi preciso para o pleno funcionamento dos eventos.

Queria também dizer muito obrigada a meus alunos e ex-alunos amigos, que voluntariamente me ajudaram na cobertura midiática dos debates, fazendo as postagens, fotografias, filmagens e edições: Lia Ribeiro, Clara Sacco, Ioná Ricobello, Luiza Gomes, Raphael Azevedo Silva, Rodrigo Freitas e Bruno Pacheco. O espírito colaborativo e republicano de vocês é comovente. E vão ganhar um churrasco de gratidão, aguardem!


Seguindo com os agradecimentos, meus mais sinceros a todos os convidados que toparam nossas propostas e realizaram debates inesquecíveis, de altíssima qualidade, que com certeza marcaram todos os presentes. Alguns momentos dos mesmos foram tão impactantes e emocionantes que até hoje reverberam em mim e em várias pessoas com quem falo sobre o que presenciamos (para quem quiser saber mais sobre os debates, sugiro seguir a página do Facebook do UFF Debate Brasil). Meu muito, muito obrigada a todos que listo abaixo, o mundo precisa de vocês!:

1) Debate de maio, "Infância para quem? Desigualidade social e penalização da vida", com Orlando Zaccone, Juliana Farias e Mônica Cunha, e mediação de Adriana Vianna.


2) Debate de agosto, "Novas tecnologias, velhas práticas? O poder do jornalismo sobre a opinião pública", com Paula Máiran, Octavio Guedes e Raull Santiago, e mediação de Ohana Boy.


3) Debate de setembro, "A vez e a voz dos coletivos urbanos: disputas pela cidade", com Dudu de Morro Agudo, Dani Francisco e Carlos Meijueiro, e mediação de Leonardo Guelman.


4) Debate de outubro, "AFROntando o racismo: Kbela e o protagonismo das mulheres negras em cena", com Janaína Damaceno, Silvana Bahia e Daiane Ramos, e mediação de Ohana Boy.


5) Debate de novembro, "A fantástica fábrica do preconceito: mídia, representação social e senso comum", com Marcelo Freixo, Kleber Mendonça e Dani Araújo, e mediação de Ohana Boy.


Queria aproveitar aqui também para agradecer aos convidados que aceitaram participar dos outros debates que planejamos para junho e julho, mas que não puderam ser realizados em função da greve (da mesma forma, o professor Márcio Castilho, do curso de Jornalismo da UFF, foi convidado a participar do UFF Debate sobre a questão do jornalismo, mas não pode aceitar em razão da greve):

- debate planejado para junho - tema "Vozes abertas da América Latina": processos de democratização política e midiática", convidados Dênis de Moraes, Gustavo Gindre e Paula Máiran, com mediação de Lívia Reis
- debate de julho - tema "Na Babilônia moderna: mídia e representatividade", convidados Jean Wyllys e Pedro Bial, com mediação de Marildo Nercolini.

Por fim, mas mais importante, queria agradecer ao público que compareceu aos debates, participou, ouviu, falou, perguntou, riu, chorou, se emocionou, xavecou, interagiu, aprendeu, ensinou, lotou aquele teatro. Foi maravilhoso participar dessa onda de afeto e conhecimento!






É isso. Foi uma experiência bacana e enriquecedora. Como disse acima, vivi momentos inesquecíveis nas edições que fizemos. E fico feliz por ter contribuído nesse momento com esse projeto tão importante para a universidade, que busca complexificar as discussões e colocar em pauta temas e objetos que impactam em nossa vida cotidianamente. Acredito que esta é a principal função da universidade pública e me alegro por ter participado desse processo. Sigamos complexificando, ampliando o diálogo, abrindo espaços para outras vozes e sujeitos sociais, visando democratizar a universidade para além de seus muros e títulos.


Vida longa ao UFF Debate Brasil! E muito sucesso aos que estão conduzindo o bastão agora. :)
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Ontem, dia 8 de agosto de 2013, tivemos a aula de encerramento do curso de Mídia e Mobilização Social, que tive a sorte e o azar, pelo mesmo motivo, de estar ministrando no curso de Estudos de Mídia justamente neste semestre em que eclodiram as manifestações todas nas ruas e nas redes sociais. Sorte e azar porque ficamos no olho do furacão, tivemos muito trabalho, eu e o querido Jader Moraes, meu orientando de mestrado e que dividiu essa disciplina comigo, para acompanharmos todos os acontecimentos, estarmos ligados, preparados para as discussões, que obviamente levaram os alunos também a ansiosamente se prepararem, lerem muito, participarem das manifestações, dos debates etc. Nunca aprendi tanto em um semestre como nesse, em tão pouco tempo. Evitei divulgar aqui que estava dando exatamente essa matéria, com esse nome, por que povo num ia me deixar em paz e por que as aulas, normalmente já muito cheias, ficariam impossíveis. Agora que acabou, posso falar sobre isso, sem estresse. Acho que estamos atravessando um momento fabuloso e que rende muita coisa para pensar, mas poucas vezes me senti tão weberianamente contemplada, por que como aprendi com esse amado pensador, a realidade como totalidade é inapreensível, e os recentes acontecimentos, nesse "mosaico de parcialidades", como disse o Capilé no "roda tonta", leia-se roda viva, mostraram isso de forma muito evidente. Apreendemos fragmentos, recortes, produções de sentido em mutação permanente. Isso é a vida e a ciência, como pretensão cartesiana, só pode se enganar e enganar aos demais. Acredito nessa ciência que curiosamente tenta compreender as ações sociais a partir de seus textos e contextos, seus atores e significados, suas lutas e processos, sem pretensão à verdade. Este foi um semestre maravilhoso para ensinar isso aos meus alunos. Mas também aprendi muito, com eles em sala, com tudo que li, ouvi, presenciei, discuti, com todos os maravilhosos convidados que aceitaram ir partilhar suas experiências generosamente conosco em sala de aula (o que inclui também o curso no PPCULT de Cultura e Práticas Sociais, que dividi com a amada Adriana Facina), também nos lembrando a vocação da universidade de ser um espaço plural, diverso, aberto para trocas e múltiplos sujeitos, o que ela historicamente se recusa a cumprir. Nossa luta política também passa por aí, por construir uma universidade menos torre de marfim, distinção, umbiguenta e preocupada com suas bestas lutas internas. Por fim, aprendi também coisas muito pessoais. A pedido do Jader e da Adriana, fiz um curso com mais gente falando, eu que tenho tendência a centralizar a sala quando estou dando aula. Foi dificil no começo, mas depois foi muito bacana e importante. Agora quero isso pra sempre. Em várias dessas trocas e conversas, a palavra "sonho" esteve muito presente. Muitos falaram sobre a necessidade de sonhar, do sonho não como fantasia mas como necessidade para continuar a viver mesmo em condições pouco generosas, do sonho como utopia possível. Ontem, na aula de encerramento, falamos sobre isso. E lembrei do meu sonho, no decorrer deste semestre, em que voltei a voar. Nunca mais tinha sonhado isso, e sonhei em meio a esses cursos, a essa experiência e momento de vida. Isso foi e está sendo maravilhoso. Viva a possibilidade de voltarmos a sonhar! Viva a possibilidade de conjugarmos o otimismo da  vontade com o otimismo do pensar. :) Obrigada a todos por esse semestre maravilhoso. E vamo q vamo!


Marcadores: , 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Hj tive o desprazer de assistir ao inacreditável discurso da dep. estadual Myriam Rios (sim, ela foi eleita! Sim, me recuso a postar aq e ofender ao meu blog querido!) sobre suas posições acerca das leis anti-homofobia (ela está se opondo ao PEC 23/2007, que na surdina foi votado e derrubado no dia 21/06/2011. Saiba mais aqui e vejam no que dá ter tolerância com quem é intolerante. Mais uma regressão no campo legal, que lamentável!). Não deveria mais perder tempo com essa gente que não se sabe se age assim por má fé (que ironia, né?), ignorância, medo, obscurantismo, vontade de aparecer, ah, nem sei mais como classificar essa profusão de falas homofóbicas, preconceituosas e discriminatórias que são emitidas em público com um suposto aval da democracia, do livre pensamento religioso, do sei lá mais o quê. Para mim, são discursos ofensivos e empobrecedores do debate, mas, principalmente, extrapolam o campo dos argumentos e geram ações como a derrubada do PEC 23. Portanto, resolvi que num dá para me omitir e não comentar a surreal fala acima citada.

Vamos aos pontos:

1) ela afirma, no discurso, que se o PEC 23/2006 for aprovado ela ficará impedida de demitir um empregado se ele for pedófilo. Oi? gente, pelo amor de Deus, avisa pra essa senhora que pedofilia é crime, então ela pode sim não só demitir como principalmente denunciar um pedófilo! O que ela não pode é fingir que num sabe (porque num é possível, eu sei que ela sabe) que pedofilia não é sinônimo de ser gay, e que existem pedófilos homossexuais, infelizmente, mas também infelizmente pedófilos heterossexuais (e muitos, minha senhora, muitos!). Portanto, se seu empregado, hetero ou homossexual, for um pedófilo, a senhora deve mesmo demiti-lo, denunciá-lo, fazer de tudo para que ele não possa agir nem perto de seus filhos nem dos filhos de ninguém (estratégia melodramática muito usual e eficiente, a de chamar a comoção do público para seus argumentos usando da seguinte frase: "sou mãe de dois filhos", usada não só por Myriam Rios, mas por tantos outros "defensores da família" e, em nome disso, defensor dos preconceitos também, vide a fala de Leilane Neubarth que já comentei nesse post). Mas o que a senhora não deveria (e se tudo correr bem, se o mundo for justo, com aprovação posterior dessa Lei - ela ainda terá que ser objeto de apreciação mais uma vez - ou de outras, como a PL-122, o que a senhora NÃO PODERÁ) é imputar a uma pessoa um rótulo criminalizável, como associar a um homossexual a acusação de pedofilia, a priori, porque isso é discriminação e também calúnia e difamação.

2) Vamos entrar agora nesse surreal argumento "Quero dizer que não tenho preconceitos, que não estou discriminando ninguém", pra depois sair discriminando a torto e a direito, povoando o mundo de
preconceitos e estigmas aviltantes. Vou repetir: NÃO PODEMOS TOLERAR QUE OS DEFENSORES DO PRECONCEITO, ESSES ARAUTOS TOTALITÁRIOS QUE QUEREM IMPOR SUAS VISÕES DE MUNDO SOBRE OS DIREITOS DOS OUTROS, ADVOGUEM DIREITO DE IGUALDADE DE OPINIÃO, DIREITO DE EXPRESSAR SEU PRECONCEITO PORQUE ISSO É DEMOCRÁTICO. Não, não é. É totalitário, já escrevi sobre isso nesse post e não vou me repetir. Mas não aceitamos mais esse argumento. Bata no peito e assuma: sou totalitário, quero despedaçar você, por ser diferente de mim, não quero que você tenha o mesmo direito que eu, e aí a gente conversa. Fora isso, para mim você está se portando duplamente como um cínico e um preconceituoso.

3) Ela repete várias vezes: "imagina vc contratar um empregado para cuidar de seus filhos e depois descobrir que ele é homossexual". Essa dimensão do "descobrir" me lembra muito a sempre atual obra de E. Goffman, Estigma (senhora deputada, vença seu medo do conhecimento, procure ler esse livro, venha para a luz, Caroline!). Nele, Goffman distingue os desacreditados (aqueles que portam estigmas visíveis, marcas corporais, e serão discriminados por isso) e os desacreditáveis (aqueles cujos estigmas são passíveis de disfarce e manipulação, por não serem marcados pelo traço físico objetivo, mas que se forem descobertos serão discriminados). Para os primeiros, os estigmatizados/desacreditados, o problema está no contato, pois este é marcado sempre por uma situação tensa em que a materialidade do estigma evoca o preconceito e a discriminação. Para os segundos, os estigmatizáveis/desacreditáveis, o problema é a informação, o controle sobre ela, quem pode saber, quando, onde... trata-se de uma situação de absoluta tensão e neurose, já que sobre o desacreditável paira a sombra do medo de ser descoberto.
E a deputada Myriam Rios, que acha mesmo (será que acha?) que não está discriminando ninguém, quer perpetuar exatamente esse medo, essa tensão, essa neurose. Ela quer que seu empregado (olha, me recuso a comentar o quanto esse exemplo sobre contratar empregados como único meio de contato com homossexuais é chocante, nem o caráter classista dessa exemplificação) continue se escondendo, mentindo para se proteger, controlando as informações acerca de sua vida privada para não ser descoberto, porque se for, segundo o que sugere a deputada, o levaria a perder o emprego. E ELA VEM DIZER QUE ISSO NUM É DISCRIMINAÇÃO!!!! Ah, num tem como ter paciência com esses argumentos.

4) Podia falar aqui do estado laico, da necessidade de contermos, com urgência, esse avanço das posições religiosas sobre questões de direitos individuais, mas isso já vem sendo pauta de inúmeros artigos e falas (recomendo, por exemplo, essa entrevista com o deputado federal Jean Wyllys). Prefiro abordar aqui a importante questão levantada por H. Bhabha a respeito das relações ambíguas entre colonizadores e colonizados. Segundo ele, os colonizadores, buscando situações de controle e dominação, esmagavam os direitos dos colonizados, oprimindo-os. Para isso, deslegitimavam qualquer fala destes, acusando-os de uma não humanidade, de inferioridade, de representarem o perigo da anomia, o primitivismo. No entanto, mostra Bhabha, ao mesmo tempo que oprimem e desqualificam os colonizados, os colonizadores os fetichizam, transformando-os em objeto ambivalente, significante de um misto de temor/medo com fascínio/desejo. A ação de sujeitar o outro, antes de significar somente um atestado de poder, demonstra Bhabha, é uma alegoria de uma ambiguidade constitutiva da relação colonizado/colonizador: lugar de temor e também de desejo, o colonizado precisa não só ser domesticado, mas principalmente fetichizado, para que o opressor possa lidar com seus medos e seus desejos, como o medo/desejo de, de alguma forma, ser dominado por aquele a quem domina ou, em última instância, tornar-se um deles, e o pior, gostar de tornar-se, desejar tornar-se aquilo que em tese se abomina.

Acho essa uma excelente forma de pensarmos a relação da hegemonia heterossexual em relação ao homossexual. Claro que não estou propondo aqui uma aplicação colonizador e colonizado ao pé da letra, mas pegar por empréstimo o que Bhabha aponta existir, no jogo perverso do fetiche, de medo e desejo nas relações de dominação.

Porque venhamos e convenhamos, essa fixação de uma parcela de religiosos brasileiros com a questão dos direitos homossexuais pode ser pensada claramente nesses termos do fetiche. Aliás, frente aos últimos acontecimentos, já estamos no campo da obsessão.

Portanto, acho que esse bando de preconceituosos travestidos de bons samaritanos está precisando mesmo é de uma bela de uma ... terapia gigante! Ou, pelo menos, de dar uns bons beijos na boca. Talvez parassem com essa encheção.


Terminarei com um "Você dedide" particular. No filme "O grande debate", o orador negro, que vencerá ao final o desafio dos debates que perpassa o filme, termina seu consagrador discurso sobre a segregação racial norte-americana com a seguinte observação (não lembro ao pé da letra, então é mais ou menos isso): "frente ao que vocês nos fizeram, só nos restava escolher entre a desobediência civil e a violência. Vocês têm sorte por termos escolhido a desobediência civil". Ora, não precisamos chegar a tanto por aqui. Não precisamos nem de um nem de outro caminho. Escolhemos o de lutar no campo das leis.

Mas deixo aos discriminadores, esses falsos cristãos, que fingem que pregam o amor ao próximo mas só tem, como narciso, amor a si mesmo, o seguinte direito de escolha: abaixo endereço duas mensagens a vocês. Dependendo do seu comportamento em relação a mim, te ofertarei uma delas. Agora é com você!




Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Essa postagem tem esse título porque quando comentei com a árabe invejosa que finalmente tinha assistido Tropa de Elite II e que iria fazer post sobre o filme, ela, invejosa como sempre, debochou e disse que o título deveria ser "Em tempo" porque o assunto já estava velho. Como graças aos céus me livrei dessa algema jornalística de que existe um tempo quente para falar de assuntos quentes, cá estou eu, a despeito da maledicência da árabe invejosa e outras que tais.

Pois bem, vi o filme. Gostei bastante. Mas fiquei com uma pulga: terá sido um roteiro previamente pensado, antes de rodar os dois? Ou terá sido uma reação na base do mea culpa à saraivada de críticas que o primeiro tomou?

Eu, que meti o pau no primeiro (poucos filmes me irritaram tanto), teria que dar a mão à palmatória
se o roteiro dos dois foi previamente pensado. Porque o segundo rearruma de maneira fabulosa a razão de ser do primeiro. Pois a la Clint Eastwood em Gran Torino (poucos filmes me emocionaram tanto), o xerifão Nascimento percebe que sua truculência não resolve porra nenhuma, que o buraco é bem mais embaixo, que num vai ser fácil lutar contra o que está entranhado neste mundo perverso, e que armas, caveirão, ser durão e esses lugares comuns do masculino, dos aparelhos repressivos e dos xerifes do cinema não conseguem dar conta da complexidade da vida real. E aí o sujeito repensa, muda de lado, finalmente vê. Vi muitas semelhanças entre as caídas em si do personagem de Clint em Gran Torino e o de Wagner Moura (aliás, que atores formidáveis!) em Tropa II. Pasmos e convencidos, eles percebem que terão que sacrificar seus ideais e suas antigas práticas se de fato quiserem ajudar a mudar o estado das coisas.

Caso tenhamos no roteiro de Tropa II não a execução de um roteiro original, mas uma mudança de rumos a partir das críticas, teríamos aí uma conversão não só dos personagens, mas também dos roteiristas? Pergunto: será esse o sentido da cena em que o capitão Nascimento é aplaudido dentro do restaurante pelos frequentadores após ter sido responsável/responsabilizado pelo massacre dos presos? Porque na imagem difusa, meio que apagada, mas perceptível, quem aparece aplaudindo é Rodrigo Pimentel, ex-policial do Bope e um dos roteiristas, de certa forma inspiração para o personagem de Nascimento. Há um forte contraste entre a imagem difusa de Rodrigo e a explícita referência a Marcelo Freixo, inspiração para o personagem Fraga, que aparece assistindo, na platéia, de forma bem nítida, a palestra dada por Fraga no início do filme. Será aquela imagem difusa de Rodrigo Pimentel uma ponte para entendermos que também ele, assim como Padilha, repensou suas visões de mundo? Caso sim, temos aí um sensacional case de como a resposta, as mediações e apropriações do público interferem na produção do enunciado. Mas confesso que tenho algumas dúvidas, principalmente quando penso no próprio Rodrigo Pimentel pós produção de Tropa II, recorrentemente sendo convocado pelas emissoras televisivas, em especial a Globo, para comentar as intervenções de segurança no Rio de Janeiro e as UPPs. Esse Rodrigo num fala como o Nascimento II, mas como o I. Fiquei bem confusa.

Bem, esses são meus comentários a posteriori ao lançamento e à onda em torno do filme. Achei que ainda estava, de fato, em tempo. Árabe invejosa num acha. Coitadinha, nunca vai poder escrever, por exemplo, sobre "As mil e uma noites"... ;-p
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Amei, novamente, a viagem q fiz pra NY. Queria fazer alguns resmungos sobre isso e partilhar com meus amigos leitores, nem que seja o meu próprio ego, hehe.

1) amo o jeito de NY. Aquela babel toda, gente de tudo qto é tipo e jeito, aquele tumulto linguístico e visual, adoro mesmo, é um banquete antropológico pra mim, me deleito.

2) gosto tb da indiferença do olhar, sinceramente. Adoro o total sentido de indivíduo que sinto lá. Sei q diariamente deve ser angustiante, q faz falta pensar comunitariamente etc. Mas como supressão da rotina, férias, q delícia ser um nada no meio da multidão.

3) gosto daquela ilha praticamente reta, sem ladeiras, subidas, contornos. Adoro andar a esmo, entender a lógica, andar, andar, andar... Como diz Alberto Caeiro, no meu poema preferido, "Um pensamento visível faz-me andar mais depressa e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo". Sinceramente, sinto que essa frase foi escrita pra mim.;)

4) acho q é a meca do consumo, um shopping a céu aberto, um templo do consumismo etc. e q me deixo seduzir por ele, sem dúvida. E também fico chocada, sem dúvida: ano passado pela amplidão das ofertas, tantas lojas, marcas, cores, tipos, produtos; esse ano pelos efeitos visíveis da crise, com grandes lojas (Virgin, Converse, Circuit City etc.) fechadas, a variedade e a quantidade de produtos visivelmente menores, a presença mais eloquente dos homeless pelo metrô, nas ruas..., e, obviamente, pelo contraste entre opulência e miséria no mundo, hiperconsumo e exploração do ser humano, individualismo exponencial e perda das referências de luta coletiva etc.

5) mas confesso que quando lá fico mais fascinada do que chocada. Em parte, porque é lugar de afeto, onde reside tio muito amado. Mas também porque é um mundo muito impressionante, cujas lógicas culturais, a meu ver, são chocantes e profundamente sedutoras. E entendi pessoalmente a percepção simmeliana do hiperestímulo das grandes metrópoles: numa das últimas noites, ao deitar para dormir, eu ficava vendo, de forma similiar a quando jogamos muito tempo no computador ou no vídeogame, prateleiras de produtos - tênis, bichos de pelúcia, perfumes etc. - se alternando no meu inconsciente, como se fossem peças de majong ou tetris caindo sem parar. Te falar, fiquei bem impressionada com isso. E como estava diante de algo novo, pouco visto ainda, com o qual ainda não me familiarizei, não consegui criar, como sugere Simmel em seu premonitório artigo no começo do século XX (veja no blog do GRECOS), os filtros da atitude blasé, que me deixassem indiferentes ao hiperestímulo visual e sonoro.

6) Por fim, fico sempre pasma e incomodada com a sensação de segurança cotidiana que percebo por lá. Essa coisa de deitar relaxada nos parques, nos bancos, nas praças, mesmo nas calçadas, e dormir, ficar ouvindo música e olhando pro céu, mexendo no computador, olhando pro nada, falando ao cel, conversando com a cia ao lado, enfim, essa largação na via pública me fascina muito, sinto muito a falta de poder fazer isso aqui sem achar q serei roubada, agredida etc. Não é que lá seja impossível ser assaltada etc. é possível, mas não é provável. E isso altera muito a sensação do estresse permanente. Dá invejinha. Embora saibamos de todas as questões históricas, sociais, econômicas, políticas e culturais envolvidas nisso (pra não vir ninguém me dar aulinha sobre diferenças, please, me poupando no meu bloguezinho), a questão concreta é que dá uma vontade de ter isso.

Lugar estranho. Achei q fosse me incomodar mais essa big capital do capital. Mas me sinto bem pra caramba. E tenho um pouco de crise com isso, mas nada muito grave. Resmunguei com vcs, valeu!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Nesta semana, meio desaviItálicosada e com insônia, assisti na madruga na Globo na Sessão Brasil (ou algo assim) o filme "Anjos do sol", de Rudi Lagemann. Olha, eu gostei muito, mas tô impressionada até agora... A história da exploração sexual das meninas é muito forte, elas trabalham bem, o Calloni está perfeito, filme soco na boca do estomâgo. Também recomendo, mas preparem-se, num é hollywood não.

Para saber mais, clique aqui.