Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Ano passado, vendemos nossa casa de família em Rio das Ostras, essa que está aí em cima com o inesquecível solzinho da tarde no quintal com as árvores ao fundo. Era uma casa de exatos 30 anos, construída em 1978, na qual planejei morar um dia e na qual passei tb muitos, mas muitos incontáveis bons momentos.

Sofri bastante com a venda dessa casa. Por diversos motivos, mas principalmente por ser a última de nossas casas de infância (sim, somos uma família com casas de infância) e por significar o fim desse sonho de lá morar, desfrutar a beleza daquele lugar quase mítico em meu imaginário, com o fim de tarde olhando o sol se pôr atrás do morro do gigante na praia da Tartaruga. Sabia que sentiria falta dos passeios em Costa Azul, dos almoços no restaurante Pôr-do-sol, em frente ao rio de Barra de São João, da casquinha de Siri no Casa da Praia, na praia do Cemitério, das caminhadas da minha casa até a praia do Bosque, do sorvete da Paradinha, da pracinha que a prefeitura nova fez questão de destruir, na qual, antes, as andorinhas vinham fazer revoada todo fim de tarde, do vento na varanda de minha casa, do solzinho, esse aí da foto de cima, no quintal ao entardecer, dos peixes na parede azul, da feirinha na Av. Amazonas, eita, é muita recordação que gosto de trazer aqui comigo. Lamentei e chorei me desfazer dessa casa, sinceramente.

Mas a vida é isso aí, eis o que estou de fato aprendendo nesse ano. "As coisas se transformam", como dizia o velho Oswaldão, "e isso num é bom nem mau". Custei a entender o verso antigo que cantarolei tantas vezes de olho fechado, hahaha. Hoje entendo. Segue aí girando a roda da vida, estou aprendendo a viver com isso. E também a festejar o novo, o possível, o melhor.

Essa casa amada se transformou em outra casa amada, esse ap no qual agora escrevo esse post aqui em Cabo Frio e que aparece aí embaixo, na foto bonitinha. Adoro o sol na varanda pela manhã, gosto da decoração gracinha que minha mãe criou, amo estar aqui em família e com os que amo, estou com muita vontade de trazer novos amigos aqui (os que vieram adoraram), já panhei amizade nesse lugar pertinho da Passagem, amo ficar sentada de tarde na varanda sentindo o vento e ouvindo meu MP3, AMO a praia das conchas, adoro caminhar pelo canal, acho a praia do forte linda mesmo qdo lotada, enfim, estou aqui costurando esse meu novo amor com esse lugar. Acho que essa história está indo de vento em popa.

Parte da lição: o fim do sonho da infância não precisa significar a morte dos sonhos. Mas um outro sonhar, com outras cores e lugares, amadurecendo o gostar, aprendendo a olhar mas com as vantagens dos quarenta anos, essa mistura de malandragem com sabedoria, mesclada com angústia e estupefação. É isso aí, bom mesmo é aprender, com saúde e disposição.
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6 Responses
  1. Outro dia eu finalizei um post no meu blog com uma frase que li em algum lugar que não me lembro qual: "a única constância nessa vida é a mudança".
    A gente acaba sendo pego de calças curtas algumas vezes, mas, em outras tantas, essas mudanças trazem surpresas boas, né? Que bom!
    Bjão, Colega!


  2. Lu Ribeiro Says:
    Este comentário foi removido pelo autor.

  3. Lu Ribeiro Says:

    adorei o post, o que não é novidade pq sempre me apego aos seus textos, lembrei dos editorias q vc escrevia pra Folha... 'E se pudessemos ter a velocidade para ver tudo?"... Muito bom. Tenho sds de Rio das Ostras, da casa, das férias, das companhias, do amigo do quiosque que só nos enxergava qd já estávamos alojadas e ainda dizia 'essa é minha cliente sempre arrumo uma mesa pra ela' eita cara de pau!!! rs o bom é q a casa até vai mas as lembranças ficam e agora vc tem um lugar novinho em folha pra abarrotar de boas recordações. bjão


  4. Carol Says:

    Olá Ana! Resolvi fazer uma visita no seu blog, tá lindão!

    E, apesar de nem termos tanto contato assim, decidi deixar um comentário neste post, porque é muito engraçado pensar que pessoas vivem histórias parecidas em todos os cantos. Também tenho uma casa de infancia, que este ano quase perco, e que ainda tem o futuro incerto. Dá uma dorzinha no coração só de pensar em deixar meu canto (cabo-friense também), mas a vida não para, e mudanças de vez em quando são necessárias, até pra sacudir a poeira. E o lance é entender que o essencial nao está na matéria, e sim nas nossas lembranças. Afinal, são elas que continuarão conosco...

    Beijão!


  5. Flora Daemon Says:

    Adorei o post, Ana. De verdade. Pessoalmente não tenho tanto apego com Petrópolis, minha cidade de infância, mas toda vez que subo a Serra preciso parar e olhar minha antiga casa. Bate uma saudade...
    O que eu queria dizer é que Cabo Frio, pra gente, hoje tem um significado diferente: tem sabor Gold pela manhã, picanha no almoço, filminho no sofá a tarde e cheiro do mar da Praia das Conchas com as amigas preferidas!

    Um beijo!


  6. Anônimo Says:

    Delícia seu texto, suas lembranças, sua gana em viver, sonhar...

    Correndo o risco de ser repetitiva, preciso ressaltar que vc é uma das pessoas que mais admiro na vida.

    Bj gd,

    Tatita.