Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Resmunguei há pouco no twitter que num concordava muito com a consagrada idéia de que amigo é o irmão que a vida nos permite escolher etc. Não escolhi meus amigos, eu sempre me apaixono por eles e vice-versa. Como disse Pedro Lapera, meu amigo, tb no twt, "é muito mais um encantamento do que uma escolha racional". Acho que é isso, alguma coisa meio mágica faz com que a gente, no meio da multidão toda que é o mundo, goste mais de alguém, confie nele, queira estar perto, sinta vontade de rir, sinta ciúmes tb (num me venham com essa história de que amigos não sentem ciúmes, nemvemquenãotem!), sofra junto, tenha vontade de matar às vezes...

Sempre fui abençoada com essa história de amigos. Tive e tenho amigos de tudo qto é jeito. De infância, da rua e da escola, da adolescência, da igreja, do colégio, da faculdade, do bar, do trabalho, dentre meus alunos, na família, que conheci meio sem querer (amigo de amigo, alguns encontros pela vida, "já tinha ouvido falar de vc", essas coisas). Meus amores tb sempre foram grandes amigos. Desses amigos todos, alguns mantenho até hoje, outros se foram aí pela vida (alguns com bons motivos para terem ido, pois, como disse no twt tb, acho que depois que a gente conhece a maior parte de nossos amigos mais a fundo a gente escolhe matá-los ou não, aí acho que é questão de escolha, sim).

Num vou ficar elencando aqui nomes de amigos, seria injusto, sempre esqueceria alguém e tenderia a listar aqueles mais em evidência no momento, qdo outros, em outros momentos da vida, foram tão importantes qto os que agora o são. Mas queria agradecer. A todos os meus amigos, q amém não são poucos, por essa história toda. E deixar umas pistas por aqui, pra lembrar deles pra sempre (e deixar que eles brinquem de se achar aqui):

picolé de uva no tapete verde de meu quarto na casa de mãe; ouvindo A Cor Púrpura e tomando vinho; viagem pra Mauá, Mury, Lumiar, Nordeste, Sul do país, Floripa, Macabu, RO, Cabofri, Araruama, Serrinha, Maricá, Ouro Preto, Porto Seguro, Varre-sai, Iguaba, Friburgo, Miguel Pereira, Ibitipoca, NY etc.; jogo de buraco aos domingos com pastinha de kani e de ovos; violão em dupla por seis horas seguidas; vendo Friends de madrugada aqui em casa; mão no peito no bar em fim de período pra acabar com choro triste; seis horas no skipe NY-Niterói; gudan no cheiro de mar; separar recorte de jornal ao mesmo tempo que o outro pra ver expo de Toulouse-Lautrec; longa história com orientador e secretária eletrônica pra justificar apelido carinhoso; beber muito e só aceitar parar de dirigir qdo diz "num tô bebada, se tivesse trocava as síbalas"; espetar a bunda da coleguinha com compasso a aula toda e só sossegar qdo a coleguinha se encheu, berrou e foi expulsa de sala; auau e oinc-oinc; sofocley; veialacrelowe; almoço mensal no McDonalds de Realengo e a coca light mágica; tardes de papo na Casa Velha; gravar fitas de presente durante horas e com toda a lógica do mundo; radinho vermelho consertado pelo pai; beijos roubados nas madrugadas; carro enguiçado sem gasolina; fusca vinho e torta de limão; fusca amarelo e buzina que acelerava o coração; mau-mau com "vamos fuder a gorda"; "Corre que a gente tá sendo assaltada"; jogo viking na piscina; piscinão de ramos; história longa sem pé nem cabeça que sempre num tem graça no final; voto de silêncio; pedindo a comida pra mim no Bibi sucos; chopp e pizza de champignon com alho no bigodão; queimado, bandeirinha, pique e stop no quintal de macabu; partida de buraco de 50 mil valendo uma laranja ou um guaraná caledônia; correndo pra assistir treino de futebol na praia do Leblon à noite; pizza a onze real; lanchinho no lami depois do grecos; circulando de casa em casa de bike em sanfran; pegando dois ônibus pra fazer trajeto sanfran-fonseca; organizando time e torcida de olies; conselho de classe na casa de mãe, com piscina, macarrão e suco de caju, pra 40 cabeças; taco na rua de sanfran; master, desafino, imagem&ação, perfil, trivia, adedanha, dicionário, war, detetive, pega vareta, resta um, dama, xadrez, ludo, escravos de jó, 21, poquer, buraco, maumau, tapão, quatro damas, robamontinho, dominó, crapot, bom dia meu senhor, palavrão, mexe-mexe, yam etc.; cia pra ir pra médico, banco, jantar de pai, roubada, encontro às escuras etc.; saída pós-reunião de pauta/fechamento globo niterói pra beber nos Jogados Fora; pão de cebola da beira-mar; conversa de quatro horas sentada no hidrante da moreira com pres. backer; reguinha e Faminha; assistir às finais do mengão com a cachorrada toda; caio martins e maracanã; frescobol; praia e caranguejo; almoço na sexta no Monteiro com almôndega, xavecada e língua mordida; galeto com omelete e farofa brasileira perto do globo; gosto parecido por literatura e segredos amorosos partilhados; desabafos e pizzas no nitgrill; risadas no museu; dia inteiro na praia das Conchas; sequência de tombos: pastel, cachoeirão, enterro da árvore de natal velha, moto, cipó; tradicional "jantar de fim de ano dos amigos" e momento "esse veio ao mundo a passeio"; orelhão no tapão na puc; assistir jogos de handebol e basquete cem mil vezes; dormir na casa das meninas na vila; amigo oculto com "donde estará el Duda?"; ir no convento de santo antonio dia 13 de junho pra pegar benção; pão com mortadela no laboratório; comida nordestina no Tinguá, com sinuca e "undererê" na jukebox; o mesmo banco pra conversa fiada na praia de sanfran; grupo de estudos de cinema e ficar na sala ouvindo Legião; casas em que me senti bem, no beltrão, no flamengo, em laranjeiras, em sanfran, em são domingos, em santa rosa, na tijuca, na lagoa, em macabu, no ingá; ovo recheado e "paga pra mim q tô sem trocado"; fatia de quindão; dormir de mão dada; histórias, histórias, histórias sem fim...
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8 Responses
  1. Carol Says:

    Que bonita a idéia de deixar pistas através de histórias!

    E quantas histórias! Que bom que são muitas...

    Beijos!


  2. Ari Holzbach Says:

    Poxa Ana, que texto sensível.
    Tocante no último.

    Beijo!


  3. Mônica Says:

    ah, sabemos bem o que é "história sem pé nem cabeça e sem graça no final..."


  4. Mônica Says:

    orelhão no tapão da PUC. Puta saudade, mulher! Só essa lembrança já vale nosse amizade!


  5. F. Says:

    são tantas histórias que com certeza não caberia aí.. Fiquei muito feliz com o post. Alegrou o dia de chuva xôxo... =) Te amo muito!


  6. Flora Daemon Says:

    faz todo o resto fazer sentido. amo!!!


  7. Lu Ribeiro Says:

    A-TO-RON!!! lhe amo Tia-Colega, bjão


  8. Anônimo Says:
    Este comentário foi removido por um administrador do blog.