Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Primeira semana de abril de 2024 e cá estou pra fazer três balanços. Vamos ao primeiro:

1) completo, neste ano de 2024, 30 anos de magistério! Que coisa! Comecei em 1994, novinha que só. Fiz de tudo pra não ser professora. Mas era negócio de destino mesmo... entrei em sala e pronto! Baixou o gaspareto e já sai falando de sociologia, marx, durkheim, como se fosse algo cotidiano. 

Conto sempre que dou aula, 30 anos depois, com mais conhecimento, é claro, por que, peloamor ne, tem q ter tb compensação em ficar mais velho, mas mesmo mais acumuladora de sapiências, o modo de dar aula permanece o mesmo daquele primeiro dia de 30 anos atrás. 

Não sou adepta do papinho de blablabla "vocação, missão, sacrifício". É uma profissão como outra qualquer, merece respeito, salário e condições de trabalho justos. Mas, no meu caso, dei sorte, porque é uma paixão. Amo sala de aula. Amo desde aquele primeiro dia. Pra mim é festa, parquinho pra aprender junto, lugar de troca coletiva, é um lugar mágico que sempre me comove.

Andei meio desiludida no pós pandemia, mas em homenagem aos 30 anos, bodas de pérola, fina ela! , estou fazendo movimentos de reencantamento. Quis o destino (pq nao era pra ser, então entendo como parte da magia) que o memorial que estou preparando para a banca de titular na UFF esteja sendo escrito exatamente nesse momento. É bonito fazer esse balanço dos 30 anos, dos lugares por que passei, colegas maravilhosos que conheci, centenas de ex alunos, muitos transformados em amigos, autoras e autores que transformaram minha visão de mundo inúmeras vezes, metodologias construídas no processo dialético da sala de aula, tantas histórias e momentos inesquecíveis. 

Tenho vontade de me aposentar, quase 40 anos trabalhando, 30 só de docência, corpo tá cansado, cabeça quer voar pra outras paragens, mas enquanto eu estiver em sala de aula, orientando, estudando p partilhar conhecimento, aprendendo junto, pesquisando, praticando uma pedagogia de afeto, autonomia e esperança, como aprendemos com Paulo Freire, vendo os olhos da alunada brilhando, aquela alegria que percebo nas minhas aulas, ah, enquanto isso rolar, vou festejar mt. 


Porque sorte grande na vida é a gente amar o que faz e eu dei sorte dobrada pq isso aconteceu comigo na lida em sala de aula, me dando o prazer, a honra e a alegria de ser, há 30 anos, essa tal de professora NaEnne. Agradeço a todos os mestres que me inspiraram, em especial minha mãe, aos quais já agradeci nominalmente em inúmeras oportunidades; a todas as alunas, alunes e alunos que confiaram em mim e me entregaram também o seu melhor em todos esses anos, na Universo, Estácio, Silva e Souza, Castelo Branco e UFF, sem falar nas instituições em que dei cursos, aulas, oficinas, conferências e palestras, nessas três décadas peroladas; aos colegas de docência, os de verdade, porque como em toda profissão tem uns embustes que só jesus, coitados dos alunos.

Como canta Milton, genial:

"Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada.
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada.
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo.
Quem irá me valer?
É segredo de fazer amigo". 

É isso:

"Eu quero mesmo é ser feliz;
Amar, amor.
Quem não semear não vai colher.
Ai de quem é um e nunca será dois
Por não saber"

Tenho sido muitas, muites e muitos, e isso é uma benção danada... :)

Nesse outro post, conto um pouco dessa história no balanço dos 20 anos!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

 "This is us"

Um amor quando acaba,
ele leva com ele
mais do que o amor que se acabou.
Uma nesga de sol que adentra
a cozinha
na tardezinha de verão.
Uma posição no sofá.
Uma bola pula pula de coração.
Uma certa disposição das coisas.
Uns horários.
Uma brecha de areia quando se alonga.
Uns vislumbres de partes de um dois.
Uns sonhos bons.
Mas também traz com ele,
esse amor que se acaba,
a potência exusíaca
da indeterminação.
Um mar de promessas.
Amores possíveis.
Outras dores e sonhos bons.
A gente segue segurando a cafifa da vida
Empinando e cabriolando,
mexendo a sopa, suprindo.
E desejando.
Te peço: me espera,
que eu chego.

Ana Enne - 01/06/22


Marcadores: , 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Esse foi o prato principal do Cozinhando com Ricoeur, décimo quarto episódio da série Cozinhando com... e o único que farei em 2021. Escolhi a berinjela pois este vegetal é um dos meus alimentos preferidos e só não como mais pq aprendi que ele, em excesso, prejudica o fígado, segundo a nutrição oriental. Mas, moderadamente, é uma boa sempre!


Ingredientes:
- 3 berinjelas pequenas ou médias
- 300g de carne moída bovina 
- molho de tomate
- temperos (cebola, alho, pimenta etc.)
- queijo parmesão ralado
- azeite
- sal

Modo de preparo:

Para fazer essa delicinha, o passo a passo é o seguinte: pegue as berinjelas e lave bem; depois raspe com uma colher o interior de cada berinjela, fazendo com que ela se converta em uma canoa, como na figura abaixo. Coloque um pouco de azeite e sal no interior da berinjela raspada.


As partes retiradas do miolo das berinjelas devem ser desfiadas e misturadas a um molho a bolonhesa, com carne moída, molho de tomate e temperos, já previamente preparada (veja a receita aqui, já usamos a bolonhesa em outro Cozinhando com...).


Depois é pegar essa mistura bonita e gostosa e colocar nas canoas de berinjela, recheando bem. Espalha pra pegar a berinjela de modo geral, pra dar gostinho de molho em tudo.


Aí chegou a vez de pegar um queijinho parmesão ralado e salpicar em cima das berinjelas recheadas. Coloca o quanto der, povo, pra ficar gostoso!


Muito bem! Aí é só levar ao forno, uns 10 a 15 minutos, fica de olho, quando o queijo estiver bem derretido, já pode tirar. Hummmm! Aí fica que nem na foto lá de cima, que abre esse post.

a) Pra acompanhar, um purê de inhame bem simples, que é gostoso e bom pra aumentar a imunidade.

Ingredientes:
2 inhames
cebola
alho
1/2 xícara de leite
coentro
sal


Como fazer: descascar o inhame, cortar em pedaços e colocar na água para cozinhar com um pouco de sal. Quando estiver cozido (espete com garfo pra ver se tá macio), desligar, tirar um pouco a água se for o caso. Em outra panela, preparar um refogado com alho, um pouco de cebola, sal e óleo (tenho usado o de coco sem sabor). Misturar o inhame e amassar com um socador ou pilão. Colocar o leite e misturar. Colocar as folhinhas picadas de coentro (a gosto).

b) Um segundo acompanhamento, a deliciosa Salada Pizza da Luana (que aprendi com a querida Luana Motta)

Ingredientes:
alface
rúcula
presunto
queijo 
milho
cenoura
beterraba
azeitona
repolho
cheiro verde

Modo de fazer: corta tudo bem pequeno e fininho e espalha em uma forma redonda como se fosse fazer uma pizza vegana, coloca tempero a gosto (azeite, vinagre, sal, pimenta etc.) e seja feliz! Eu coloquei a alface a rúcula por baixo, e os demais ingredientes por cima. Fica linda e saborosa!


É isso aí. Ainda fizemos um arroz (veja a receita aqui) e cozinhei na água e sal um pouco de lentilha pra acompanhar o arroz. Ficou simples, delicioso e saudável! Bom apetite, minha gente!
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Meu povo discente já sabe: tenho uma árvore na orla da UFF no Gragoatá. Naquele cenário lindo, não faltam árvores e falta é tempo pra uma atoíce. Mas desde que comecei a dar aula naquele campus uma árvore falou comigo, ela é torcidinha, tenho paixão por ela, passava de carro por ela e meu olho grudava. Resolvi atender ao chamado e arrumar tempo pra curtir a minha árvore.

Comecei a parar lá entre uma aula e outra, ou depois do almoço, ou no fim da tarde, pra meia hora que fosse de contemplação, descanso, cochilo, uma musiquinha no ouvido, relax com aquela vista maravilhosa. Parava o carro perto, tirava minha cadeirinha esperta, colocava sob a árvore e curtia nossa orla linda. Comecei a postar sobre isso, mis alunes me viam lá e pronto, virou a árvore de NaEnne!




Já orientei lá, já fiz picnic lá. E na formatura de 2016 ganhei dos alunos esse quadro lindo abaixo, em que estou na minha árvore. Amo tanto que quando tem gente nela dou sempre uma conferida, ciumenta, pra ver se é gente merecedora hahaha, não quero ninguém de bagunça com a minha árvore, não. Ontem mesmo, na varanda aqui de casa olhando o céu azul, pensei nela, com saudade, pq os dias de verão são os mais bonitos na orla, na minha opinião.

Por que to contando isso agora? 

Porque hoje minha tia Leninha, amada por todos nós, recebeu a primeira dose da vacina pra covid-19, tão esperada!!!


E eu a levei pra vacinar exatamente no drive thru do Gragoatá (obrigada, UFF, obrigada, querido Reitor e amigo Antonio Claudio por tudo que a UFF faz por Niterói). E o ponto da vacinação, exatamente onde ela foi vacinada, era nada mais nada menos do que...

EM FRENTE À MINHA ÁRVORE!!!

Fiquei muuuuito emocionada, pensei nessa coincidência como sinal mágico de benção e proteção, como se eu estivesse sendo recebida em casa e podendo cuidar dessa tia tão amada num lugar que é meu de coração.

Viva a vacina! Viva a Universidade pública brasileira! Viva a gente poder ter uma árvore, afeto e cuidar de quem amamos. Vamos em frente, gente! Quis repartir essa história de encantamento com vcs <3

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Tava eu aqui, quarentenada, entediada e ao mesmo tempo tristinha com pandemia, mortes, desgoverno, eis que no meio de janeiro passo o olho na TL do twitter e vejo um video de duasinhas amoríssimas. Falei: são quem, gente? Aí descobri o mundo #rosmello, o fandom que tava shippando as participantes Rosalinda e Dayane Mello no Grande Fratello, o BBB italiano.

Giulia, minha amada bolsista de Iniciação Científica, já tava acompanhando o GF desde os primórdios e já tinha me dado um alô sobre o programa, que tinha uma brasileira que tava sendo massacrada pelos italianos xenófobos, que tinha sofrido ataques pesados na edição, e que a torcida brasileira, incomodada, começou a assistir e invadir o GF, defendendo e salvando Dayane de vários paredões, inclusive fazendo com que ela fosse a primeira finalista do programa (lá é tudo meio diferente do daqui, os participantes já vão sendo indicados pra final no decorrer dos meses, tem uma interferência bizarra dos produtores - chamados de autores - e do público externo, é manipulação bem clara, num tem boninhada não, é coisa clara e pronto!).

O programa parece que ia até dezembro mas, devido à pandemia, foi esticado até hoje, dia Primeiro de março, a data da grande final do Grande Fratello. Cinco meses socados numa casa, meu pai! Nesses meses, rolou uma bela de uma história de amor entre Dayane, modelo de SC que reside na Itália, solteira e mãe de uma filha de 6 anos, e Rosalinda, atriz italiana com o nome artístico de Adua del Vasco, natural da Sicília, que tinha um rolo com um homem há não sei quantos anos. Pois bem, essas duas encheram as fãs de esperança e encanto com o carinho, os olhares, a cumplicidade. Inclusive no período bem triste de luto de Dayane, que no início de fevereiro recebeu a notícia da morte de seu irmão Lucas, aqui no Brasil, de acidente de carro.

Foi em meados de janeiro que comecei a acompanhar o GF, a princípio só pelas postagens dos perfis oficiais e do fandom. A história de amor delas era tão bonitinha que eu usava os clipes editados pelas fãs pra dormir de noite, porque enternecia mesmo.

Mas eis que um belo dia, na segunda semana de fevereiro, do nada, Rosalinda vai ao confessionário, volta, tem uma conversa com um outro participante, Zenga, na pérgula da piscina, ambos se declaram, e do nada, mas do nada mesmo, começam a namorar. Nisso eu já tava assistindo o programa via streaming, com um link que a Giulia tinha me dado, já tava vendo 24h hahaha, no vício mesmo. Então sou testemunha que essa paixão surgiu DO NADA.

Não só Rosalinda começou essa love story com o Lenga, como o fandom chamava o desafeto, como praticamente parou de falar e abraçar Dayane, não contou nada pra ela, passou a andar com o grupo com o qual Dayane não se dava e a falar mal dela direto. O fandom enlouqueceu, mas Dayane mais ainda, a bichinha ficou no chão, porque pisciana apaixona, ne? Mas a tal da Rosalinda, a "fragmentada", como o fandom a batizou, alternava momentos de muito choro, anorexia, tristeza profunda, com uma performance nojenta de dar gosto, sendo muuuuito falsa. O fandom entrou em crise e parte se auto declarou ex-Rosmello. Tô resumindo, mas foi mt drama. Conclusão: a atriz Adua del Vasco entrou em cena e substituiu a meiga Rosalinda, concluiu o fandom.

Dayane seguiu sola e desiludida. Até que revelou, em uma noite de eliminação, que era bissexual e que tinha se apaixonado por Rosalinda na casa, e por isso estava sofrendo. E que Rosalinda e ela viveram uma história de amor, e não de amizade, que não prosseguiu por medo. E na mesma noite, na hora de indicar quem salvaria do paredão, acabou não escolhendo Rosalinda. Esta decisão foi o mote para os inúmeros ataques que sofreu dentro da casa, sendo acusada de ser falsa no seu amor, com muitos comentários bifóbicos. 

Resumi essa história toda, deixando de lado mt coisa, pq foram semanas densas, porque hoje é a final e não queria deixar de publicar o quanto essa história me atravessou. Foi mt impactante acompanhar esse GF nos últimos dois meses.

Me comovi imensamente com a história de amor das duas. Com o cerceamento desse processo. Com a força dessa mulher que é Dayane Mello, que sofreu muitos ataques xenófobos, misógenos, bifóbicos na casa e seguiu rainha, altiva, uma mulher livre, belíssima, muito interessante e guerreira. Com o quanto o público italiano é conservador. E como um programa de televisão pode ser tão, mas tão conivente com o abuso contra uma pessoa. Em alguns momentos  não consegui assistir e torci pra Dayane desistir e sair daquele inferno. Mas também me comovi muito com a força do fandom, uma gente criativa, maravilhosa, engraçadíssima, que por total amor se dedicou dia após dia pra apoiar primeiro o ship #rosmello, depois a ídola Dayane. 

Já tinha vivido essa experiência com #clanessa, com algumas diferenças, e amei estar agora novamente neste rolo, vendo essa paixão desse fandom, carente de representação e representatividade, ver como poucas vezes na vida a fic se realizar, pro bem e pro mal, na própria história que se desenrolava.

Hoje é a final e os brasileiros estão se mobilizando pra dar o primeiro lugar pra Dayane. Vai ser difícil porque o programa tem umas matreiragens (tipo tirar o site do ar, coisa de máfia mesmo) e vai fazer de tudo pro italiano favorito ganhar. Mas acho q não importa muito. O que valeu mesmo, a meu ver, foi ver a garra dessa mulher, os momentos lindos que elas protagonizaram quando ainda se permitiram e a alegria, o amor, a paixão, o desejo de representação e representatividade do fandom #rosmello. Eu sempre me comovo.

E vou terminar buscando as palavras da própria Dayane: amor é sempre amor. E no século XXI já está mais do que na hora da gente entender isso, né não? Por mais Dayanes na nossa vida!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

Pudim de leite condensado! Mais uma coisa que aprendemos a fazer na quarentena, eu e Lídice Guerrieiro, em parceria :-)

E ficou uma delícia!

Ingredientes:

- 3 ovos
- 1 lata de leite condensado
- 1 copo de leite (na mesma proporção da lata)
- 2 xícaras de açúcar
- 1 xícara de água

Modo de preparo:

- coloque os ovos no liquidicador e bata. Depois acrescente o leite condensado e a medida de 1 lata de leite (usamos integral sem lactose). Bata tudo.
- despeje as xícaras de açúcar em uma panela, em fogo baixo, e mexa até derreter e ficar de cor caramelada. Coloque a água e misture para dar consistência de calda.
- em uma forma, coloque primeiro a calda e depois a massa batida no liquidificador. Leve ao forno médio por cerca de 1h (o forno deve ser pré-aquecido). Depois de 40 minutos, se quiser coloque um papel laminado para evitar que o pudim queime na parte de cima.
- retire o pudim do forno, deixe esfriar e leve à geladeira por cerca de 3h, para gelar.
- depois é só desinformar, colocar em um prato bonito, servir e se deliciar.


Marcadores: 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

 Outra receita caprichada e deliciosa de Lídice Guerrieiro, seu strogoff de carne. Hummmm!


Ingredientes:

- 1/2 kg de file mignon limpo
- passata
- catch-up
- molho de tomate
- molho inglês
- creme de leite
- cebola
- alho
- noz moscada
- pimenta do reino
- azeite
- sal
- champignon

Modo de fazer:

- cortar a carne em cubos pequenos (ou tiras pequenas). Refogar em uma panela média a cebola e alho ralado, com azeite e sal a gosto. Refogar a carne picada nessa mistura. Colocar a noz moscada ralada e a pimenta do reino, a gosto. Colocar o molho inglês e deixar a carne pegar o gostinho por um tempo de cozimento rápido, evitando que a carne fique dura e permaneça sucolenta.
- colocar a passata, o catch-up e o molho de tomate, em pequenas quantidades, para dar a cor, mas evitando deixar o gosto acentuado de tomate.
- colocar o creme de leite e mexer bastante até engrossar.
- colocar o champignon picado.
- servir com arroz e batata palha (ou outro tipo de batata, a gosto)


Marcadores: 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:

 A receita de hoje é do macarrão à bolonhesa, delicioso, que Lídice Guerrieiro faz. 

Ingredientes:

- 1 massa de macarrão (usamos spaguettini)
- 1 passata rústica de tomate
- 1 molho de tomate
- alho
- cebola
- noz moscada
- sal fino
- açúcar
- azeite
- curcuma
- azeitona
- cheiro verde
- sal grosso
- pimenta do reino

Modo de preparo:

1 - para fazer o molho, picar o alho e a cebola, colocar com azeite para refogar, colocar a carne moída e misturar. Depois ralar um pouco de noz moscada e curcuma, e colocar um pouco de pimenta do reino e sal fino. Colocar a passata e o molho de tomate e misturar com azeite. Colocar um pouco de açúcar para cortar a acidez. Colocar o cheiro verde e a azeitona no final, com bastante azeite, e misturar bem, deixando no fogo por mais 10 minutos.

2 - colocar a água para ferver para o macarrão, com algumas gotas de azeite. Quando ferver, colocar o macarrão aos poucos, sem quebrar, e um pouco de sal grosso. Não lavar o macarrão ao final.

Na foto, o molho à bolonhesa está do lado direito. No esquerdo, um molho com shitake, que ensinei no post abaixo. :)


Marcadores: 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Esse é um prato que mis amigues adoram: meu camarão cozido. Simples de fazer e gostoso mesmo. Acompanha o arroz branco, cuja receita já coloquei aqui no blog.

Ingredientes:
- 1 kg de camarão descascado
- 1 cebola
- 1 colher de sopa de alho picado
- 1 tomate
- coentro ou cheiro verde
- óleo
- sal

Modo de preparo:
- colocar numa panela o óleo, sal a gosto, alho e cebola para refogar.
- no refogado, colocar o camarão descascado e misturar bem.
- deixar o camarão cozinhando na própria água. Se necessário colocar uma xícara de água.
- quando o camarão já estiver com cor rosada, acrescentar o tomate picado e o coentro ou cheiro verde picado.
- desligar quando o camarão estiver avermelhado, mas tomando cuidado para que ele ainda esteja tenro, se cozinhar demais fica borrachudo.

Servir com arroz e batata palha.


Marcadores: 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
A receita deste bolo delicioso e fácil de fazer foi me passada pela querida Paula Lacerda. Usei pra fazer o prato do Cozinhando com Benjamin <3

Para o bolo de chocolate:
Ingredientes:
 - 3 ovos
- 1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar
- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo (eu estou usando farinha de arroz, deu super certo e ainda ficou mais leve)
- 1 xícara (chá) de chocolate em pó ou achocolatado (uso cacau, e como é mais amargo coloco 2/3 da xícara)
- 1/2 xícara (chá) de óleo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- 1 pitada de sal
- 1 xícara (chá) de água quente (mas não fervida)

Modo de preparo:
- Bater com fuê e/ou batedeira ou mixer; tb pode ser no liquidificador
- primeiro os ovos, o açúcar, o óleo, a farinha, o sal e o chocolate (cuidado para não bater muito a farinha)
- depois a água quente
- e, por último, o fermento. Depois do fermento não pode bater muito, é só pra misturar.
- depois é assar no forno, no fogo médio, por cerca de 45 a 50 minutos, na forma untada (não abrir antes de meia hora). 

Para a cobertura de chocolate:
Ingredientes:
- 1/4 de xícara (chá) de leite
- 1/4 de xícara (chá) de água
- 1 colher de sopa de manteiga ou margarina
- 1/2 xícara (chá) de chocolate em pó

Modo de preparo:
- levar ao fogo, ir mexendo sempre até engrossar um pouco, depois jogar em cima do bolo.





Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Pra quem gosta de abacate, eis uma receita molinha e deliciosa de fazer: guacamole. Arriba, México!

Ingredientes:
1 abacate
1 tomate
1 cebola
1/2 coentro
1/2 limão
sal e pimenta a gosto

Modo de fazer:
- abra o abacate e raspe com uma colher seu recheio, colocando tudo em um pote, onde, com um garfo, amasse o abacate.
- acrescente o tomate, a cebola e o 1/2 coentro picado
- coloque o sumo de meio limão expremido
- coloque sal e pimenta a gosto

Sirva com nachos, doritos ou torradas.




Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Além de amar esse poema, "Chuva Oblíqua", de Fernando Pessoa, sempre uso essa parte IV no meus cursos de memória porque ele ajuda mt a entender a imbricação matéria e memória como aponta Henri Bergson. Então, já vou deixar separadinho aqui no Baiuca:

O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe... Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...

Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...

Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)

Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...

Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...

E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...

E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...


Marcadores: , 0 comentários |
Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Este é um prato bem simples e gostoso de fazer. Serve pra refeição e pro lanche, pra comer com uma torradinha.

Ingredientes:
- 1 berinjela
- 1 abobrinha
- 2 tomates
- 1 cebola grande ou duas médias
- 1 pimentão amarelo ou vermelho
- 1 cabeça de alho
- 200g de vagem francesa (uns 15 a 20 favos)
- sal
- azeite
- queijo parmesão

Modo de fazer:

- em um tabuleiro, pique a berinjela, a abobrinha, os tomates (sem caroço), a cebola e o pimentão (sem caroço). Espalhe e misture bem. Pode cortar fininho ou em pedaços maiores, o que vc gostar mais.
- coloque entre os ingredientes picados os dentes de alho, com casca.
- por sobre os ingredientes, espalhe os favos de vagem.
- regue tudo com um pouco de azeite e salpique o sal a gosto (cuidado com o sódio, povo)
- por cima, espalhe o queijo parmesão (eu uso de meio a um pacotinho).
- leve ao forno coberto por papel laminado por 40 min. Quando completar 30 min, retire o papel laminado e deixe assar descoberto por mais 10 min.


E pronto! Delicioso, simples, nutritivo e barato!

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Recentemente criei uma série de videos pra comentar autores e autoras que trabalho academicamente enquanto cozinho (ideia de um aluno amado e atentado, Victor Hugo). O primeiro Cozinhando com... foi com Bourdieu e, enquanto apresentava algumas das ideias e conceitos do autor, fiz um frango cozido com alecrim.
Vou deixar a receita aqui abaixo, pra quem se interessar.

Ingredientes:
- 1 peito de frango cortado em tiras largas
- 1/2 cebola
- alho picado
- sal
- alecrim
- 4 folhas de louro
- óleo


Modo de fazer:
- Numa panela média, coloque o alho e a cebola pra refogar no óleo, com um pouco de sal. Não gosto de dourar a cebola pq gosto dela branquinha e temperada pra comer junto com o prato. E coloco pouco óleo pra não ficar gordurento.
- Coloque o frango e deixe refogando junto, misturando com os temperos pra ele ir dourando e pegando gosto.
- Quando o frango já tiver com alguma corzinha dessa refogado, cobrir com água um dedo acima do frango. Colocar as 4 folhas de louro já lavadas, pra dar um sabor e ajudar no cozimento, e um pouco de alecrim (não coloque muito porque alecrim tem gosto acentuado).
- deixar cozinhar até a água secar. Ao final, com o garfo, dar mais uma dourada no frango passando o mesmo no fundo da panela, virando o lado e evitando deixar queimar.

Vou colocar aqui o link pra parte 1 do vídeo Cozinhando com Bourdieu, pra quem se interessar. Nos vídeos têm as imagens do frango nesse processo de cozimento e pronto ao final. É simples, rápido e gostoso.


Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Comecei a partilhar, no FB, todas as dicas de filmes, lives, livros etc. que fui consumindo nessa quarentena, com a hashtag #dikasdeNaEnne, que meus alunos e alunas costumam usar qd partilho infos com eles e elas.


Como mt gente tem me pedido essas dicas no varejo e eu tenho que voltar lá na TL pra procurar, resolvi organizar aq e ir atualizando as dicas que postar por lá. No face a info tá mais completa, aqui só vou listar mesmo, aí quem quiser joga no google pra saber qual é a da dica e onde tá disponível. Boa fruição, povo!

Filmes e séries:

1 - A odisseia dos tontos
2 - Você tenha um bom vôo
3 - Normandia nua
4 - E você não estava aqui
5 - Cadê você, Bernadete?
6 - Despedida em grande estilo
7 - Nunca deixe de lembrar
8 - O mistério de Henri Pick
9 - Roda gigante
10 - 18 presentes
11 - O oficial e o espião
12 - Luta de classes
13 - Mentiras perigosas
14 - Tese sobre um homicídio
15 - Marguerite
16 - Mucize
17 - Bohemian Rhapsody
18 - Benzinho
19 - A última loucura de Claire Darling
20 - Jojo Rabitt
21 - Milagre na cela 7
22 - O centenário que fugiu pela janela e desapareceu
23 - Freud
24 - La casa de las flores
25 - Alelí
26 - A vida e a história de Madam C.J. Walker
27 - Um senhor estagiário
28 - The English game
29 - Ele tem mesmo os seus olhos
30 - Que mal eu fiz a Deus?
31 - Notas de rebeldia
32 - Um amor, mil casamentos
33 - Assassinos de Valhalla
34 - Manifest
35 - Whisky
36 - Grace and Frankie
37 - O filme da minha vida
38 - Sete dias sem fim
39 - Beleza oculta
40 - Manchester à beira-mar

Livros:

1 - A paciente silenciosa
2 - Saturno nos trópicos

Lives:

1 - Teresa Cristina
2 - Live Amigos Sertanejos
3 - Daniela Mercury, Preta Gil, Luiza Possi e Zizi Possi
4 - Lô Borges
5 - Vanessa da Matta
6 - Fabio Jr.
7 - Roberta Sá
8 - Chico César
9 - Turma do pagode
10 - Zélia Duncan
11 - Joana
12 - Zeca Baleiro
13 - Lulu Santos
14 - Guilherme Arantes
15 - Alceu Valença
16 - Oswaldo Montenegro
17 - Raça negra

Gerais

1 - Livraria Eduff - livros gratuitos na Biblioteca Livre
2 - Mochileiros.com - filmes latinos gratuitos
3 - Festival de Cinema Varilux Fica em Casa 2020
4 - Playlist Spotfy Sofrência Disserta do Leo
5 - Playlist Spotfy Funk Tese do Denni

Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Hoje o prato que escolhemos fazer foi macarrão com dois molhos, um de bolonhesa no capricho, e um de shitake ao molho branco. Ficou uma delícia, então, estamos partilhando a receita pra quem quiser fazer, rápido, simples e gostoso demais.

A receita para o molho branco com shitake, mais uma vez, veio do site Tudo Gostoso. :)
Só não colocamos a pimenta, o restante seguimos igualzinho. E não usamos penne, mas talharim. 








Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Quem é mestre da gente, é mestre pra sempre, né? Então, a querida Ciléa da Matta, ex-profe querida, me passou a receita de seu Creme de Inhame delicioso, que fizemos aqui em casa numa noite fria dessa quarentena infinda.

Conforme prometido, e com a devida autorização da Ciléa, segue a receita original, com as pequenas adaptações que fiz:

Ingredientes:
- 5 inhames pequenos descascados (fiz pra duas pessoas, rendeu bem, acho que pode colocar 10 inhames pequenos se quiser fazer pra mais gente ou inhames maiores em menor quantidade)
- 1 colher de manteiga
- leite
- queijo ralado
- agrião (como eu não tinha, usei um pouco de cheiro verde e coentro)
- sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
- cozinhar bem o inhame em àgua e sal (dei uma refogadinha antes no alho e na cebola). Deixar ele bem molinho.
- Retirar da água e amassar com um garfo. Fazer um purê com ele, com manteiga e o tempero desejado.
- Ir acrescentando leite até obter uma consistência de creme (dica da Ciléa: caso não possa usar leite, creio que poderia usar a água do cozimento ou congelá-la pra usar na preparação de caldos ou sopas. Seria um crime jogar essa concentração de ferro fora. PS: eu usei menos leite porque usei essa água do cozimento também).
- Misturar o queijo ralado. - Quando estiver pronto, colocar agrião, tampar a panela e desligar o fogo.

OBS.: como não tinha o agrião em casa, deixei pra colocar o tempero final (cheiro verde e coentro) na mesa mesmo, do jeito que cada uma preferia. Eu coloquei ramos inteiros porque prefiro pra sentir o gosto, Lídice já prefere picadinho, xom filetes de azeite, como podemos ver nas imagens abaixo.

Fácil e delicioso de fazer. Aquece a alma e o corpo :)



Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Nesse tempo quarentenado, na medida do possível, tenho procurado fazer refeições saudáveis pra ajudar na imunidade e na saúde corporal.
Hoje fiz, pela primeira vez, aproveitando uma abóbora cabotia (ou japonesa) que meu pai tinha trazido pra mim, uma receita que vi no site Tudo Gostoso (link da receita aqui).
Só que, como fiz algumas adaptações, vou colocar aqui o que fiz diferente e o que acho que pode ser feito diferente da próxima vez:

1) não coloquei tomate, só o molho de tomate, porque não tinha em casa. Mas acho que não fez falta.
2) cozinhei a abóbora por 1h. Mas acho que o ideal seria 50'.
3) só deixei 25' no forno na parte final, pq a abobora já estava muito mole.
4) a abóbora era média. Se fosse um pouco maior, renderia mais na hora do recheio.
5) da próxima vez, vou inverter a ordem. vou começar fazendo o frango, porque ele ficará pronto no meio do processo de cozimento da abóbora. Aí dá tempo de esfriar, desfiar e preparar o molho, de forma que os dois processos terminem ao mesmo tempo e já seja possível montar a abóbora recheada pra ir ao forno.

De resto, segui a receita e o prato ficou delicioso. 









Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Pensei muito antes de escrever aqui, porque sempre fico constrangida de falar do que sinto quando penso que tem gente mais diretamente atingida do que eu. Mas depois entendi que preciso escrever esse texto, um pouco por mim, porque a palavra cura e eu to numa tristeza danada, mas principalmente pelo dever moral de dar testemunho do que significava o Museu Nacional e como sua perda, resultado de um projeto de desmonte da cultura e da educação neste país, não pode passar batida. Devo isso a minhas amigas e amigos que lá trabalham, pelos professores-mestres que me formaram, por todo o esforço que inúmeras pessoas que atuaram e atuam naquele espaço fizeram e fazem, mesmo em situação enormemente precarizada, para que o Museu Nacional fosse o que era.

Eu poderia contar muitas histórias, porque foram muitos anos, como turista, como visitante, como aluna do mestrado e do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia, nosso amado PPGAS, já como professora da UFF em eventos e bancas por lá e como amiga de meus amigos que lá trabalham. Escolhi duas, porque acho que elas são síntese do que gostaria de lembrar e testemunhar aqui.

1) Lembro como se fosse hoje quando, assim que terminei a graduação em Comunicação, fui com o Gustavo Barbosa dar uma passada no Museu para conhecer o PPGAS, tínhamos vontade de continuar estudando, e achávamos que antropologia poderia ser um caminho legal depois da comunicação. Lembro que ficamos encantados com aquele jardim onde ficava o PPGAS, tinha arara, tinha banco pra sentar, tinha árvore. Pegamos as informações, fizemos projetos, mas não rolou naquela época. Eu fui trabalhar em jornal, mas naquele dia eu pensei: "taí, gostei desse lugar, ainda vou estudar aqui" (Gustavo também acabou sendo aluno de lá posteriormente, aquela visitinha foi premonitória). Cinco anos depois, já ciente de que não queria atuar em jornalismo de mercado, fiz a prova pra lá, passei e iniciei, em 1993, uma longa história, que, entre mestrado e doutorado, com paradinha no meio, só se completou em 2002, quando defendi meu doutorado (lembro que fiz uma conta quando tava imprimindo minha tese pra entregar pra banca que me horrorizou: tinha passado três copas naquele Museu! Lembro que eu saia das aulas pra ouvir no rádio o resultado dos jogos crente que tava sendo discreta e quando eu voltava pra sala todo mundo ficava me perguntando, inclusive o professor, isso na copa de 1994!). Tive a honra e a sorte de ter sido orientada por dois grandes professores, no mestrado pelo professor Gilberto Velho e no doutorado pelo professor Antonio Carlos de Souza Lima, esse meu mestre para a vida inteira, que me ensinou uma grande parte do que sei hoje sobre dar aula, pesquisar, orientar e aprender com a vida, e que me ofereceu, generosamente, também sua amizade, que me enche de alegria diariamente. Grande parte do que sou hoje, academicamente falando, devo ao PPGAS, a seus professores e funcionários, a sua biblioteca INIGUALÁVEL, com a qual mantive uma relação amorosa para além dos tempos de estudante, recorrendo a ela quando não achava alguma coisa em outro lugar ("Não tem no PPGAS, não tem em lugar nenhum", a gente costumava dizer quando indicava uma bibliografia difícil pra alguém), perturbei muito Cristina, Isabel e Carlinha pra levar mais de cinco livros pra casa... imagina, eu, uma apaixonada que sou por livros, com uma biblioteca daquelas, eu ficava louca!

Mas tinha mais do que livro. Tnha muita vida, amigos e desafetos, debates e brigas, críticas e deboches, tinha VIDA!!!!Tinha muito gente séria e compromissada dedicando suas vidas às pesquisas ali. Eu queria agradecer muito aos professores que me atravessaram mais fortemente, João Pacheco de Oliveira, Gilberto Velho, Antônio Carlos de Souza Lima, Giralda Seyferth, Moacir Palmeira e Luiz Fernando Dias Duarte, suas aulas transformaram o meu mundo e, como disse minha amada amiga Adriana Vianna, egressa também do PPGAS e hoje brilhante professora e pesquisadora daquela instituição, ali pude aprender mais do que imaginei ser possível. Ter passado por aquele PPG foi uma experiência arrebatadora e se hoje sou a professora que sou devo muito, mas muito ao Museu Nacional.

2) Quero contar uma segunda coisa: já como professora, num certo período antes de entrar na universidade pública, em que dei aulas em várias universidades privadas do Rio de Janeiro, tive a oportunidade de visitar o Museu, não o PPGAS, mas o Museu Nacional, com suas exposições, acervo, aquela belezura que era o xodó de tanta gente, que fazia fila pra visitá-lo no domingo, o "Museu mais amado", como disse minha amiga Adriana Facina, também brilhante professora e pesquisadora daquela institução, também egressa de sua formação. Peguei uma turma de cinco alunos que eu tinha no curso de Antropologia que eu dava para desenho industrial na Silva e Souza, em Bonsucesso, enfiei no meu fiat uno e falei: "hoje vamos ver a materialidade das coisas, vamos no Museu Nacional". Do grupo, três não conheciam o Museu, outros dois tinham ido na infância. E quero falar dessa experiência: naquela visita, éramos seis crianças vendo tudo, maravilhados, nos divertindo, aprendendo. Era uma época pré foto, pq isso foi lá pros idos de 1997, sei lá. Ficou tudo guardado na parede da memória. Naquele dia eu entendi o poder daquele Museu, como ele falava com as pessoas, não importando a idade. E isso aumentou ainda mais meu amor, que já era imenso.

Acompanhei o descaso com o Museu, ele não vem de hoje, obviamente. Faltou investimento e vontade política em sucessivos governos para cuidar daquele patrimônio material, científico, afetivo, cultural e profissional. Mas nos últimos anos a situação piorou bastante, como revelam os depoimentos de quem lá trabalhava. Porque há um evidente projeto político de estrangulamento da cultura e da ciência nesse país, agravado muito pela PEC do fim do mundo, a que congela os investimentos federais por 20 anos, atingindo especialmente as áreas da saúde, da cultura e da educação. Estão pegando fogo diariamente o SUS, as escolas e universidades públicas, os projetos e bolsas de pesquisa, os prédios que abrigam a memória e a história do país, os pontos de cultura, a juventude negra, as favelas sob intervenção, as moradias precarizadas pela falta de políticas habitacionais, os ônibus e trens sucateados... é muito coisa que vem sendo queimada diariamente, gente! Precisamos lutar contra isso, porque não podemos deixar essa brasa sendo alimentada e virando essas labaredas apocalíticas daquelas imagens dolorosas do nosso amado Museu pegando fogo!

Incrível nesse momento ter que dizer o quanto é canalha criminalizar os profissionais da universidade, dos bombeiros, pelo que aconteceu. Colocar a culpa em quem faz milagre pra continuar trabalhando em situação precária, eu, como professora de universidade pública, sei bem do que estamos falando, é inaceitável. A culpa é do projeto político de sucateamento e precarização da saúde, educação e cultura, de nossa elite deslumbrada e cínica. Sem perdoar nenhum governo federal, mas olhando os dados e vendo o que vem acontecendo nos últimos três anos. É um projeto nefasto e, se não pararmos isso agora, teremos um custo ainda maior.

Por fim, queria dizer que ontem, no silêncio de minha tristeza, eu lembrava que todas as vezes em que eu ia no Museu e no PPGAS para um evento, uma banca, uma visita, uma passadinha na biblioteca, eu sempre dava uma sentadinha naquele jardim, não importava se eu estava atrasada ou não, pra dar uma respirada, e pensava: "quando eu me aposentar vou tirar uns dias pra vir ficar lendo aqui". Com a aposentadoria em risco e aquele lugar tão poderoso e lindo destruído, fico pensando como é difícil sonhar em tempos sombrios. Não podemos deixar que roubem nossos projetos de um mundo melhor, nossos sonhos e nossos lugares amados. Não desistiremos! Luto é luta!

Por fim, um abraço especial pra Fernanda Guedes, funcionária há 15 anos do Museu, e que defendeu na sexta passada sua dissertação de mestrado pelo PPGCOM/UFF exatamente sobre o Museu Nacional e a relação do público com este espaço. Foi uma defesa linda e emocionante, uma homenagem ao Museu com toda a vida que ele continha. Nesse momento de tristeza, é o que eu vou guardar no coração. Obrigada, Fernanda!

E, pra terminar, três fotos de um dia especialmente feliz: a banca de titular de amado Antonio Carlos de Souza Lima. Dia de festa, de consagração, de afeto. Dia de vida, o que guardarei na parede da memória porque a gente precisa sobreviver e seguir na luta.










Karina Limeira Brandão, mais conhecida como anaenne:
Amo formaturas! Mis alunes me homenageiam frenquentemente e eu adoro estar lá com eles, acho uma festa deliciosa, um ritual bonito de passagem, que une formandes, familiares, amigues, amores e nós os profes. Sempre me emociono com os discursos. Este foi da formatura de Procult turma de 2017/2, que ocorreu no primeiro semestre de 2018. Foi escrito e lido pela queridona Mariana Darsie. Me tocou muito e agora partilho aqui, porque amor nunca é demais! Obrigada, lindezas de pessoas!

"Boa noite. É uma honra poder expressar um pouco do nosso carinho pela Ana Enne, uma pessoa tão maravilhosa.
Embora coordene o programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades, originalmente a professora Ana é do Departamento de Estudos Culturais e Mídia. Então, suas disciplinas são optativas para alunos da graduação em Produção Cultural. Esta antropóloga costuma chegar em nossas vidas quando já estamos na correria, estagiando e começando o TCC. Ainda assim, suas salas de aula estavam sempre cheias, simplesmente porque a sua energia nos dava fôlego para encarar a semana.

Querida Ana,

Que presente foi te encontrar.
Contigo reconhecemos que somos dialéticos. Por um lado, conhecemos a feminista empoderada, inteligente, forte, corajosa. A ariana rainha da problematização. A presença ilustre nas bancas. A pesquisadora crítica e engajada que luta por uma sociedade sem desigualdades. Por outro, a mulher afetuosa, gentil, engraçada. Nossa referência de mediação. A amiga atenciosa que toca Parabéns na gaitinha, que recebe orientandos em casa. A comunicóloga que adora novelas, Roupa Nova e gongar o The Voice. A professora divertida que sonhava em ganhar um flash mob.
Contigo aprendemos a garantir a complexidade da realidade. No entanto, o seu jeitinho de educar nos ajudou a compreender até os conceitos mais difíceis. Você sabe articular teoria e cotidiano como ninguém. Por exemplo, em 2013, anotei no caderno a seguinte frase sua: “Bilhetinho na aula é coisa rica, fruto do letramento!”.
Contigo lemos teóricos da Sociologia, da Filosofia e dos Estudos Culturais, mas também conversamos com a periferia, a favela, o massivo e o popular.
Contigo refletimos sobre a mídia como véu da ideologia e como ferramenta de democratização do discurso. Principalmente, vemos a cultura como arena de disputas, analisamos as fusões e contradições.
Estamos vivendo momentos desafiadores para a democracia. Às vezes, quando ouço uma notícia devastadora e sinto minha esperança diminuir, revisito um texto antigo seu que nos incentiva “a narrar a vida falando de amor, de qualquer coisa do campo da doçura e do prazer”.

Poder ver a sua missão de transformar o mundo se realizando a cada dia é lindo demais. Muito obrigada por se doar tanto para nos ajudar a caminhar ao seu lado nessa jornada. Você ocupa um território especial no nosso curso e dentro de cada um de nós".


Marcadores: , 0 comentários |